Nada é perfeito. Há hortas urbanas em Portugal que podem ser perigosas para a saúde

Excesso de metais pesados nos solos
Excesso de metais pesados nos solos

Os níveis de cádmio, cobre, chumbo e zinco em solos de hortas urbanas e em pastagens situadas na área do Grande Porto ultrapassam os valores máximos definidos pela União Europeia (UE) para a presença em zonas agrícolas destes metais pesados e potencialmente tóxicos.

As conclusões, que são
extensíveis às hortas urbanas do restante território nacional, são de uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro
(UA), tornadas públicas em finais de julho.

Esta equipa não desaconselha o consumo humano e animal de produtos
hortícolas e de pastagens que crescem em áreas urbanas ou
industriais, mas defende a importância de avaliar a qualidade
dos solos e do risco para a saúde pública da ingestão dos produtos
em causa.

Sónia Rodrigues, investigadora do
Departamento de Química (DQ) e do Centro de Estudos do Ambiente e do
Mar (CESAM) da UA defende que “é crucial implementar critérios de qualidade
de solos que sejam adequados aos tipos de solo mais comuns em
Portugal”.

A coordenadora do estudo revela que “os níveis de
chumbo observados nos solos são superiores àqueles observados em
área rurais em Portugal”. E nas plantas, nomeadamente no azevém
que serve de pasto a animais que poderão entrar na cadeia alimentar
dos portugueses, “obtiveram-se valores de cádmio, cobre e zinco
que excederam os critérios de qualidade para forragens animais”.

A análise das centenas de amostras de
solo recolhidas em hortas situadas nos arredores da cidade do Porto (Maia, em Leça da Palmeira, em Matosinhos e em
São Mamede de Infesta) revelou que as concentrações de metais
pesados são comparáveis aos valores observados noutras cidades
europeias, nomeadamente em Espanha, no Reino Unido ou na Holanda.

Com
uma diferença. Ao contrário destes e de outros países da UE, em
Portugal não estão fixados limites para elementos potencialmente
tóxicos em solos de áreas agrícolas, residenciais e industriais, destaca comunicação da UA. Mais acrescenta que não estão definidos no país procedimentos para avaliação
de risco para o ambiente e saúde humana nessas áreas e definidos
critérios para a remediação de solos contaminados.

Ainda assim, a investigação incidiu sobre os alimentos consumidos por vacas
e ovelhas nesses locais ou noutros de características urbanas. E, no caso das vacas, verificou-se que a ingestão diária excede os limites de cobre em
sete locais estudados e os limites de chumbo em oito.

Os cientistas
do DQ apontam que é preciso avaliar a exposição efetiva de animais
aos pastos cultivados nas cidades, assim como os riscos para a saúde
humana. Um trabalho que está por fazer no país.

“Os consumidores devem ter
preocupação em perceber a origem dos produtos vegetais e animais
que consomem”, diz Sónia Rodrigues. No caso dos produtos serem
oriundos de áreas urbanas ou industriais, alerta a investigadora,
“deverá haver interesse em saber se foi efetuada uma análise da
qualidade do solo e dos produtos em causa”.

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