Investigação

NASA planeia expandir colaboração na Europa com ajuda do ISQ

Ricardo Rato é o responsável do Centro de Inovação Sustentável do ISQ e fez várias apresentações no workshop da NASA, em Pasadena
Ricardo Rato é o responsável do Centro de Inovação Sustentável do ISQ e fez várias apresentações no workshop da NASA, em Pasadena

Agência espacial norte-americana realiza todos os anos um workshop sobre sustentabilidade e a edição do próximo ano vai ser alargada

Quando a NASA aterrar na Holanda em maio de 2017, para o próximo workshop anual de sustentabilidade, a substituição do químico crómio hexavalente será um dos temas mais críticos de discussão. A União Europeia quer descontinuar este material tóxico, usado em acabamentos e revestimentos, e isso afeta as importações da NASA a partir do continente europeu.

O interessante é que a ponte entre a NASA e a Europa nestas questões de sustentabilidade e eficiência tem sido feita com a ajuda de uma associação portuguesa, C3P – Centro para a Prevenção da Poluição. É uma organização constituída pelos portugueses do ISQ e pela norte-americana ITB, cujo fundador é o português Carlos Caldas. Agora, 14 anos depois da criação destes workshops anuais, a intenção é alargar a participação, o formato e os temas abordados já a partir de 2017.

“Para o futuro existe o objetivo de alargar quer a participação portuguesa, juntando mais institutos de investigação, mais universidades, mais indústria, como a europeia e americana”, avança ao Dinheiro Vivo Ricardo Rato, responsável do Centro de Inovação Sustentável do ISQ. O responsável português esteve em Pasadena, perto de Los Angeles, para a edição deste ano do workshop – do qual o ISQ foi co-organizador. Apresentou três projetos que o instituto lidera ou em que está envolvido e mostrou, perante uma audiência de especialistas mundiais, porque é que o laboratório nacional é um dos melhores da Europa.

“O ISQ esteve envolvido na preparação do workshop, na definição dos temas com a NASA e a ESA, e apresentou dois trabalhos nossos, oriundos de três projetos europeus que temos”, revela Ricardo Rato. “A visibilidade internacional do ISQ é importante”, acrescenta, sublinhando que as intervenções no workshop mostraram que o laboratório tem “capacidade para fazer desenvolvimento nestas áreas” e “conhecimento consolidado.”

As áreas a que se refere são sustentabilidade, eficiência energética e resiliência. O tema do workshop foi precisamente “Aumentar a resiliência das infraestruturas através de medidas sustentáveis”. Por exemplo: numa situação de terramoto, um edifício pode ter um corte de abastecimento. Para ser mais resiliente, tem de ter produção de energia interna, o que pode ser feito de forma convencional ou usando medidas sustentáveis.

Águas de Portugal

O jargão técnico pode parecer aborrecido, mas os projetos em que o ISQ está envolvido têm contornos fascinantes. O mais interessante é, provavelmente, o Life SWSS – Smart Water Supply System, em que o ISQ é coordenador. Trata-se de um projeto co-financiado a 60% pelo programa LIFE da Comissão Europeia e em parceria com duas empresas do grupo Águas de Portugal (EPAL e Águas do Algarve), Instituto Superior Técnico e a empresa de base tecnológica Hydromod.

“Estamos a construir uma plataforma que vai permitir operar melhor os sistemas de distribuição de água”, resume Ricardo Rato. Estes sistemas de larga escala foram concebidos para distribuir água, mas não foram pensados para o fazer de forma eficiente. A plataforma vai permitir perceber quais serão as necessidades de água das populações para o próximo dia e usará modelos matemáticos para ajustar o sistema, de modo a reduzir o consumo de energia, diminuir as perdas de água e reduzir o custo da operação.

As regiões demonstradoras são Oeste, Centro e Algarve. “Começámos por avaliar os equipamentos e percebemos que havia desvios de eficiência”, indica. O objetivo final é poder avisar as equipas de manutenção para desvios nos padrões e assim corrigir problemas de forma imediata. “A ideia é que no fim saia um produto que incorpore todas estas dimensões. Da parte da Águas de Portugal existe um grande interesse e já há outros sistemas de distribuição a começar o mesmo caminho”, revela.

Outro dos projetos apresentados por Ricardo Rato, Waterwatt, também é sobre eficiência energética de circuitos de distribuição de água, mas na indústria. Faz parte do Horizonte 2020 e recorre à plataforma web Energy Efficiency Evaluation Platform para perceber se os circuitos de água estão eficientes ou não e como podem melhorar. Serão feitos 10 casos de estudo em cinco sectores industriais – aço, metais não ferrosos, indústria química, pasta e papel e indústria alimentar.

O terceiro projeto foi o MOEEBIUS, que tenta responder a um problema comum: porque é que existe um desvio entre a eficiência prevista do edifício e a sua eficiência efetiva? O ISQ está a melhorar os modelos que servem o projeto do edifício e pretende criar uma plataforma que permita perceber se o edifício está como devia e como pode melhorar.

No workshop de Pasadena, onde a NASA tem o JPL – Jet Propulsion Lab – Portugal também foi representado por quatro estudantes, da Universidade do Porto, Minho e Lisboa, que contaram com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) para a participação no evento. ;

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