Neste café londrino tudo é gratuito menos o tempo

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É um café, pode servir como escritório, também funciona como clube social e tem uma vertente de centro cultural. O novo café londrino Ziferblat parece ser de difícil classificação, mas a sua abertura, apesar de recente, já está a causar sensação entre a imprensa local.

À entrada, os clientes recolhem um relógio para apontarem o tempo de entrada e saída – o pagamento é feito no final. De resto, tudo é gratuito. Neste café, localizado no bairro de Shoreditch, só se paga o tempo de permanência no espaço, porque a internet, impressora, bebidas e pastelaria não são cobrados.

O conceito foi lançado por Ivan Mitin há dois anos na Rússia e a partir daí já foram inaugurados dez estabelecimentos em Moscovo, São Petersburgo e Kiev, capital da Ucrânia, entre outras cidades.

Tendo em conta o elevado nível de vida de Londres, os preços praticados nem são muito altos. Uma hora custa cerca de 2,20 euros, enquanto um minuto fica por 4 cêntimos.

“Aqui, tudo é grátis, excepto o tempo que aqui passas; e ao pagar pelo tempo, estás a fazer uma doação com o objetivo de desenvolver esta experiência social”, pode-se ler no comunicado divulgado pela empresa.

“Estamos preocupados, primeiro, com o individualismo e a liberdade interior. Providenciamos algo como um refúgio numa cidade de impostores. É como uma casa na árvore para adultos. As pessoas reúnem-se para construir um lugar para si próprias, para serem abertos uns com os outros, para se esconderem dos adultos”, disse Ivan Mitin à revista online Animal.

O dono do Ziferblat conta que não existe nenhuma empresa a patrocinar a cadeia e que tem conseguido expandir as lojas à custa de lucros e de doações.

A revista Time Out de Londres considera que o Ziferblat já é um dos melhores novos locais da cidade. “Podemos estar apenas a uma semana de 2014, mas este tem de ser um candidato à melhor inauguração do ano”, escreveu a publicação em finais de dezembro.

Uma das particularidades do Ziferblat é não existirem empregados. É Ivan Mitin que explica o conceito: “Numa casa de árvore, é impossível jogar jogos de “cliente” e “empregado”, porque cada ser humano é um indivíduo que não pode ser um servo de outro. Não tenho ilusões de que o Ziferblat possa ser a cura para todos os males, mas tentamos lá chegar.”

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