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Netflix interessada em série com atriz portuguesa

Diego Torres Kuri, Maria Feist e Taylor Huff em "Life as a Mermaid"
Diego Torres Kuri, Maria Feist e Taylor Huff em "Life as a Mermaid"

Maria Feist é uma das protagonistas de “Life as a Mermaid”, série que se tornou viral no YouTube

O que começou como um canal no YouTube é agora uma série viral que a Netflix poderá comprar já nos próximos meses. “Life as a Mermaid”, uma história fantástica sobre duas sereias que vão viver para Malibu, está a receber um patrocínio da Netflix de centenas de milhares de dólares para a produção da quarta temporada. Uma das protagonistas é a atriz portuguesa Maria Feist, que está em Hollywood há três anos a singrar no teatro e produções independentes.

“A Netflix vai dar-nos dinheiro, um dos estúdios e ajuda com câmaras. Disseram que se conseguirmos que a quarta temporada seja tão boa como tem estado a ser e receba mais seguidores e atenção, eles compram no final”, adianta Maria Feist ao Dinheiro Vivo. “Ou então continuamos para uma quinta temporada até termos o suficiente para comprarem.” Esse nível que a Netflix pede é meio milhão de visualizações por episódio no YouTube, algo que já aconteceu com alguns; por exemplo, o episódio 7 da temporada 3, The Sunken House, está perto de atingir um milhão.

A maioria ronda os 100-300 mil, o que ainda assim é um feito: a série começou como um projeto totalmente independente e sem qualquer orçamento de marketing. Tudo o que conseguiram até agora foi com partilhas nas redes sociais e um efeito “boca em boca”, com particular incidência no público juvenil.

“Temos muita miudagem a ver a série”, confirma Maria Feist, recordando alguns incidentes de popularidade que não esperava. Um deles aconteceu em Malibu, quando grupos de crianças reconheceram o elenco e obrigaram à paragem das filmagens para interagirem com os atores. “Temos pais que nos escrever a dizer que os filhos adoram a série”, conta.

Maria interpreta o papel de Natalie, uma estudante universitária que se torna amiga das sereias Madison e Valerie. Foi convidada para entrar na produção pela diretora e criadora Julia Alexa Miller, em 2015, quando tudo não passava de um projeto sem orçamento nem salário. “A primeira temporada foi voluntariado, um grupo de amigos”, diz Maria, sorrindo. À medida que começou a ganhar tração, surgiu uma parceria com o YouTube, que os deixou filmar no YouTube Space LA, e apareceu uma mão cheia de marcas a quererem fazer product placement. No final de 2017 começaram a sair os primeiros itens de merchandising. “Tudo isto saiu de trabalho independente, do trabalho de equipa de muita gente.”

As filmagens para a quarta temporada, que já conta com a ajuda da Netflix, começaram em dezembro. Todos os episódios anteriores estão disponíveis gratuitamente no YouTube e é muito clara a evolução do show, tanto ao nível da história e cenários como dos efeitos especiais e a duração de cada um. No início, tinham apenas quatro minutos. Depois passaram para dez e na próxima temporada, que terá 15 episódios, já vão para vinte minutos.

Maria Feist sublinha que a grande explosão de popularidade aconteceu nos últimos quatro episódios da segunda temporada, ainda sem grande explicação. “Acho que é a época das sereias agora. Eles gostam muito do mitológico, adoram efeitos especiais e tudo o que seja fantasia”, sugere.

Por detrás desta magia das sereias, há um objetivo claro de Julia Alexa Miller: chamar a atenção para a conservação e limpeza dos oceanos. “Temos imensos fãs que trabalham a ajudar o ambiente, que é realmente a mensagem da série”, explica Maria. A história tem um humor familiar, sem ser paternalista, desenvolvida por uma equipa de jovens escritores saídos da Columbia College Hollywood, onde Miller se formou. O elenco aproveita as redes sociais para lançar desafios ambientais aos fãs – por exemplo, enviarem fotos com as suas garrafas recicláveis ou passarem uma tarde a limpar a praia. “É um movimento que começou”, diz Maria, ela própria agora uma campeã da reciclagem.

Carreira incipiente

A jovem atriz, prima dos Irmãos Feist, está também envolvida em vários outros projetos: dois filmes independentes que irão para um festival de cinema em São Francisco, a peça The Taming of the Shrew com a companhia Shakespeare by the Sea, que entrou em cena em dezembro, e a peça Shakespeare in Love com a companhia South Coast Repertory, que acaba de estrear. Pelo meio, tornou-se modelo da agência Mix Models. “Às vezes durmo duas horas por noite”, conta, apontando para o copo de café americano como um dos seus truques. “Agora durmo mais sestas do que uma noite inteira. As minhas noites são self-tapping para conseguir fazer audições para outras coisas.”

É um caso atípico para jovens atrizes em Hollywood, que normalmente têm mais dificuldade em conseguir trabalhos tão diversos. O preço a pagar, além de dormir pouco, é que não vai a Portugal há ano e meio. “Se for, ou perco trabalho ou perco dinheiro”, diz. E este é o momento em que o seu futuro na indústria está a ser definido.

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