Novo smartphone chega este mês

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Num antigo centro de pesquisa da Nokia, em Helsínquia, 90 pessoas
trabalham numa nova marca de smartphones. Chama-se Jolla
(pronuncia-se Yóla) e baseia-se no sistema operativo open-source
MeeGo, que a Nokia desenvolveu e abandonou quando decidiu aderir ao
Windows Phone. O primeiro smartphone da marca foi lançado na
Finlândia há três dias e recebido como o renascimento da
tecnologia nacional.

Agora, Portugal será o segundo país a vender o smartphone, que
custa 399 euros e estará disponível online já no”início de
dezembro. Carlos Horta e Costa (ex-presidente dos CTT), José Horta e
Costa e Pedro Marques são os responsáveis pela entrada da empresa
em Portugal.

Veja aqui como funciona o novo smartphone Jolla

“Sabemos que os portugueses são “early adopters”, têm
queda para as novas tecnologias. E sabíamos que a Nokia tinha aqui
uma boa reputação”, explica o CEO da Jolla, Tomi Pienimäki, numa
entrevista ao Dinheiro Vivo. Finlândia e Portugal serão os únicos
países com o smartphone até ao início de 2014, altura em que serão
anunciados os próximos mercados europeus. Depois, a Jolla vai entrar
na China.

O smartphone tem um toque claramente finlandês. Todo o design e
desenvolvimento de software foi feito por ex-empregados da Nokia, que
decidiram reescrever o MeeGo e transformá-lo num sistema operativo
totalmente novo: o Sailfish. Os únicos botões do telefone são
ligar/desligar e controlo de volume, tudo o resto é feito através
de gestos. Não há nada assim na indústria, e essa é a intenção.
A Jolla quer atrair os consumidores que estão cansados de um mercado
demasiado polarizado, no Android e no iPhone, e apelar ao sentido de
diferenciação.

“Percebemos que há uma grande vontade nos consumidores de ter
novos sistemas operativos”, indica Pedro Marques, ex-gestor de
marketing da Nokia e cofundador da Smarteki9, a empresa que vai
distribuir o Jolla em Portugal. “Os consumidores não querem ficar
parados num sistema operativo que é dominante. O Sailfish acelera e
inova nessa área.”

O sistema é compatível com as aplicações Android e permite ao
utilizador descarregar qualquer loja de apps, sendo que vem já
pré-instalada a Yandex Store, com um universo de 85 mil aplicações.
A Jolla também tem a sua própria loja, que está agora a arrancar.
“É mais fácil de utilizar. Não há botões, tem multitarefa,
oferece uma experiência única, que acho que é mais fácil que
qualquer outro sistema operativo. E claro, é a mais recente, é
moderna”, diz o CEO. No que respeita ao hardware, não fica nada a
desejar: ecrã tátil de 4,5 polegadas (com Gorilla Glass 2),
processador Qualcomm dual-core, câmara traseira de oito megapixeis e
frontal de dois megapixeis. A marca garante que a bateria tem maior
duração que os melhores smartphones do mercado, mesmo com
utilização intensiva. “As pessoas procuram novas experiências. A
maioria dos telefones Android são parecidos e a experiência é
semelhante. Nós oferecemos uma experiência de utilizador
inovadora”, resume Tomi Peinimäki.

O smartphone já custou pelo menos 10 milhões de euros,
financiado por investidores privados finlandeses e de outros países,
inicialmente, e agora com investimento institucional. Porque tem uma
estrutura de custos baixa, tanto ao nível interno como na produção
(subcontratada a parceiros asiáticos), a expectativa é de que o
break-even seja rapidamente atingido. Portugal será, na verdade, um
dos primeiros mercados de teste da Jolla, que na Finlândia está a
ter tremendo sucesso por ser encarada como uma nova Nokia. “Não
precisamos de volumes muito grandes para chegar ao break-even.
Queremos chegar a um milhão de telefones vendidos por ano”, revela
o CEO.

A grande inovação

À primeira vista, o design do Jolla não se destaca
extraordinariamente das centenas de modelos que existem no mercado.
Mas a grande diferenciação deste smartphone está naquilo a que a
marca chama “the other half.””É a possibilidade de trocar a
capa traseira, que tem um chip integrado e transmite informação ao
telemóvel. “Tem uma identificação única e quando se coloca no
telefone, este vai à internet e descarrega o pacote de software que
está ligado a essa identificação. Em teoria, podemos construir um
telefone individual para cada pessoa”, diz o CEO.

“O que é fácil de fazer é as marcas usarem isso. Uma capa
com as cores e os símbolos de um clube de futebol, com aplicações,
a conta do Twitter, a homepage, os sons…”.

É aqui que a portuguesa Smarteki9 entra. Depois de lançadas as
vendas online, a empresa vai procurar um mix de
parceiros para impulsionar o smartphone no mercado, incluindo
operadoras móveis, cadeias de retalho e empresas interessadas em
usar o conceito “the other half” com o seu branding.

Veja aqui o site da Smarteki9

“O que nós queremos é que os consumidores tenham a
oportunidade de eles próprios serem parte do sistema, e também os
operadores”, sintetiza Pedro Marques. Os executivos portugueses
estão particularmente confiantes no papel que o modelo poderá ter
nas ofertas 4Play, ao qual “acrescenta ainda mais valor.”

Da Europa para o mundo

Depois de escolhidos os países europeus onde a Jolla entrará em
2014, segue-se a China. “É um mercado enorme e temos lá uma
grande vantagem, simplesmente por não sermos americanos”, frisa
Tomi. Precisamente os Estados Unidos são um mercado fora dos seus
planos – a própria Nokia nunca conseguiu vingar por lá. Na China é
o oposto: quem não consegue ter sucesso é a Apple. Mas Tomi
ressalva: “a quota de mercado não é de todo um objetivo. O
objetivo é garantir que o telefone é bom. Se for bom, haverá
procura.”

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