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O que fazer quando nos foge o amor?

José Pedro Sousa
José Pedro Sousa

José Pedro Sousa é realizador mas escreveu um livro sobre o que é isso de ver fugir o amor. A purga teve direito a ilustrações de Pascal Ferreira. O lançamento de A Emoção Zero é já no dia 10, no Porto.

Viu o amor fazer as malas. Recolheu-se. Fez o luto. Num mês de rajada este homem da imagem escreveu um livro: A Emoção Zero. No dia 10 o realizador (agora no papel de escritor) José Pedro Sousa lança a segunda edição, com ilustrações de Pascal Ferreira. Vai ser no Porto, na Galeria Miss’opo, às 22h.

Realizador da Ministério dos Filmes, criador de campanhas como a Baleia (Optimus) ou Manifesto da Amizade (Super Bock), José Pedro Sousa tem dificuldade em definir este projeto muito pessoal a que deu o nome  A Emoção Zero. “O Pascal diz que é uma carta a uma Mulher-futuro, mas é talvez, em primeira instância, um livro de viagem”, diz ao Dinheiro Vivo. “Uma viagem a um lugar para onde somos atirados quando perdemos. É um lugar de luto, onde eu nunca tinha estado desta maneira tão violenta e profunda, e que me fez olhar para tudo de maneira diferente, como se até então fosse vítima de um tipo de cegueira, da vida aos Blues”, descreve. “O livro surge como uma resposta ao medo que provoca a consciência de estar nesse lugar, sem fuga possível e sem ajuda à mão”, continua.

Escreveu o livro de rajada durante um mês, um processo que descreve como uma “manobra de purga e sobrevivência”. Depois foram meses a editar, a dar-lhe forma, sentido. A Emoção Zero acaba por se dividir em duas partes: “A minha consciência do lugar onde fiquei, que descobri que é transversal a muita gente, e a necessidade de escrever tudo o que estava a viver e a sentir para uma futura Mulher. Clarificando. “Tive a consciência que tudo aquilo iria passar, e que um dia, com alguém de novo ao meu lado, achei que seria importante essa futura mulher saber o que eu senti e vivi nessa situação de extremo, porque há coisas que se revelam sobre nós só em família com esses momentos de violência.”

O ilustrador Pascal Ferreira surge numa segunda fase, numa versão 2.0 do primeiro livro, enriquecido com mais textos escritos nesse período de purga. “Conheci o Pascal nas eternas clínicas de reabilitação emocional que são as ruas do Porto, nas casas de alterne musical, escuras como os cabelos das mulheres da Sé”, conta José Pedro Sousa. “Eu a começar o tratamento, ele a sair; Ambos enterrados no vício das formas, da Música, e da vida”.

emocao zero

“Como criador sou convencido, egocêntrico e déspota, em parceria com o Pascal, talvez por sermos parecidos no ataque e no uivo, num fenómeno clássico da Física, anulamos essa energia do criar sozinhos e as coisas aconteceram”, reforça. “Tive a necessidade de chamar outro criador, com outra visão sobre o livro, para ver se transformava o objecto noutra coisa. Foi no fundo uma experiência, pois dei total liberdade de interpretação ao Pascal, que funcionou muitíssimo bem”, considera.

Um livro, páginas em papel, letras para purgar uma emoção, foi a escolha de um homem que fez da imagem a sua vida. “Estou a tentar respeitar a tradição; estou concentrado no filho agora; A árvore e o livro já estão”, diz. Mas o livro é uma espécie de um regresso a um velho amor, que a vida separou. “Ter caído aqui assim na publicidade foi quase um acidente; Aquelas coisas da encruzilhada; se naquele dia não tivesse ido almoçar com quem me fez o pedido para vir, teria seguido a carreira académica, e por consequência, as palavras”, diz. “Porque essas estavam lá no inicio, como de certeza, estarão lá no fim. É a minha fantasia. Velho, perigoso, armado de caçadeira armado de caçadeira e gramática tipo homem do Renascimento, a norte, no bosque”, afirma.

Escrever um livro é um ideia que há muito o acompanha, “como uma dor que chega com a mudança do tempo”. Mesmo depois que fez o acordo com o Diabo nunca abandonou esse projeto. “Depois eu e o Diabo cansamo-nos um do outro e, desde então, a minha vida tem sido um clássico dos anos 50, até ter batido de frente, ao desfazer da curva, quando o nevoeiro me fez confundir a miúda com uma mulher, o vazio pelo espanto”.

Depois de bater, “há quem compre um Porsche, eu escrevi um livro”. “A minha Mãe está super orgulhosa de mim e eu, ao espelho, também”.

A Emoção Zero é uma edição de autor com 252 páginas divididas em 38 capítulos com 40 ilustrações.

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