O “Siri” do Facebook em versão 007

Foi num carro alugado com três amigas que fiz a curta viagem entre Hollywood Hills e a capela onde me ia casar, em Los Angeles. Ninguém sabia bem o caminho, pelo que a condutora activou a Siri no iPhone e pediu direcções para a capela, sem sequer olhar para o ecrã. Entrei em pânico: "oh lá! E se a Siri não percebeu bem? E se nos leva para o diabo que nos carregue e ficamos enfiadas no trânsito infernal da Interstate 10? Mas ela verificou se estamos a ir para o sítio certo?" Já estava atrasada. Fiquei calada, mas rezei aos santos da Inteligência Artificial para que a Siri não nos deixasse ficar mal. Não deixou, lá chegámos direitinhas ao sítio certo. Até hoje não sei como conseguiu registar bem o local, com a algazarra que ia no carro.

Desde esse dia, em Janeiro, a Microsoft já apresentou a sua versão de assistente digital por voz, Cortana, e o Google Now faz o mesmo para Android. Há outros sistemas semelhantes por aí, como o Amazon Echo, Cubic, Ivee, Wildfire, e por aí fora, pelo que a ideia de o Facebook lançar um “eu também!” me pareceu estranha.

Mas é verdade: entrou em testes na semana passada o M, um assistente virtual que funciona através do Messenger. O que é que Mark Zuckerberg quer com isto? Para quê investir em algo que já existe em vários formatos?

O M tem algumas diferenças de relevo, como o facto de se basear em texto (para já) em vez de voz. Faz sentido, há perguntas e pedidos que não queremos fazer em voz alta; mas também é uma forma de estreitar a relação entre a pessoa e o Facebook, através deste assistente a quem podemos pedir para encomendar flores e procurar um restaurante com vaga para o Dia dos Namorados.

Ainda assim, é muito provável que o sistema evolua para voz, já que a startup que adquiriu no início do ano, Wit.ai, é especialista precisamente em comandos de voz e reconhecimento de linguagem. A outra diferença é que esta Inteligência Artificial é temperada por humanos: um sistema misto em que uma equipa de especialistas intervém e ajuda a melhorar o M.

Como está a ser testado apenas por umas centenas de utilizadores em São Francisco, é difícil dizer qual será a aceitação generalizada, e como o sistema suportará milhões de perguntas em utilização real.

É que também na semana passada, a 24 de Agosto, o Facebook alcançou um marco histórico ao registar mil milhões de pessoas a utilizar o site no mesmo dia. É muita gente. Prova que todas as previsões de declínio estavam erradas: nem a publicidade nem as mudanças nas regras de privacidade diminuíram o apelo da rede social.

Ter ali um assistente virtual a quem se pode confiar mais um pouco da vida pessoal vai dar jeito a muita gente. Já lá se publicam estados de alma, check-ins das férias, fotos dos filhos, idas ao cinema. O plano de Zuckerberg para dominar o mundo vai dar mais um passo. E não, M não é de Mark; aparentemente, o Facebook inspirou-se no mundo de James Bond – os rumores iniciais diziam que a tecnologia se iria chamar Moneypenny. A assistente do chefe de 007, “M”.

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