Operadores de outdoor preocupados com compra da Cemusa pela JC Decaux

Operadores de outdoor preocupados com compra da Cemusa pela JC Decaux
Operadores de outdoor preocupados com compra da Cemusa pela JC Decaux

Diminuição da concorrência com o inevitável aumento dos preços é a principal consequência da compra da Cemusa pela JC Decaux. Um "perigo real", defendem os restantes operadores de mercado, ouvidos pelo Dinheiro Vivo.

“O outdoor é um meio importante, é
fundamental que nele possa existir escolha e que o mercado funcione,
tanto mais que a curto médio prazo, numa série de câmaras
municipais, vai ser iniciado um processo de concurso para renovação
das licenças de outdoor, nomeadamente em Lisboa, e, como é
evidente, é salutar que exista concorrência”, alerta Manuel
Falcão, director Geral da Nova Expressão.

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Também a Associação
Portuguesa de Anunciantes (APAN), montra-se preocupada e apreensiva,
considerando o nível de concentração implicado. Ou seja, a empresa francesa de mobiliário urbano e publicidade exterior anunciou a compra da operadora de
publicidade exterior espanhola Cemusa por 80 milhões de euros, dando origem a um operador com cerca de 70% do mercado.

A JCDecaux tem
uma quota de 50% do mercado de publicidade exterior,
enquanto a Cemusa e a MOP são responsáveis por uma fatia de 22%. Só nos mupis,
a JCDecaux concentra metade do mercado, a Cemusa 35% e a MOP
15%.

O processo está atualmente a ser avaliado pela Autoridade da Concorrência, que anunciará esta quinta-feira se decidirá atribuir remédios a este negócio.

Entretanto, a APAN acredita
que “uma estrutura de mercado apenas com dois operadores não é saudável
em nenhum setor da economia, sabendo que esta operação irá
representar o acréscimo de peso negocial, já que são os
anunciantes os principais clientes da JCDecaux.”

Simultaneamente, “coloca-se também uma questão de concorrência, tendo em conta que a
MOP não tem capacidade de resposta para toda a procura, logo, não
pode ser encarada como uma alternativa”, acrescenta a representante dos anunciantes.

Enquanto isso, Vitor Rosa, presidente Associação
Portuguesa de Empresas de Publicidade Exterior, que agrupa os operadores mais
pequenos, alerta para a situação que, a ser aprovada pela Autoridade da Concorrência, configura um “monopólio”.

“O que sabemos por experiência própria é que esta é mais uma situação para destruir as Pequenas e médias empresas (PME) do sector”, defende Vitor Rosa. “Já basta verificar que a JC Decaux tem mais posições em Lisboa do que em Paris”, nota o responsável, lembrando que a situação tem origem num concurso efetuado há alguns anos, que obrigou a “Câmara de Lisboa a indemnizar a empresa com posições na cidade para não ter que pagar milhões.”

A JC Decaux ficou assim, em Lisboa, defende Vitor Rosa, com “um número de painéis exorbitantes e as PME ficam prejudicadas”, tanto que “em alguns casos “eles oferecem posições”, aos anunciantes. “Vão ter-nos à perna”, sintetiza Vitor Rosa, para reforçar que a “associação vai defender os interesse dos seus associados até ao limite.”

Quem também fala em situação de monopólio é o CEO da MOP, Vasco Perestrelo, que acredita que “a Autoridade da
Concorrência verá a concentração com a mesma preocupação de
todos os demais intervenientes neste setor de atividade (anunciantes,
agências de meios, demais operadores, câmaras municipais/concedentes, etc.).”

Para este responsável, caso fosse concretizado esta operação, “sem um
conjunto de remédios substanciais, causaria graves entraves à
concorrência efetiva no mercado da publicidade exterior dado que não
se preveem quaisquer eficiências possíveis da concentração.”

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