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Phablets vão engolir mercado de smartphones

EPA/JEROME FAVRE
EPA/JEROME FAVRE

Em breve, os dispositivos com ecrãs de dimensão igual ou superior a 5,5 polegadas serão os mais vendidos em todo o mundo

Se as contas da IDC estiverem certas, aquilo que era impensável até há pouco tempo passará a ser a norma do mercado. A consultora prevê que as vendas de phablets, os smartphones com ecrãs entre 5,5 e 7 polegadas, ultrapassem as dos dispositivos de tamanho “normal” já em 2019. Enquanto os phablets apresentam taxas de crescimento explosivas, mesmo com preços elevados, as vendas de smartphones abaixo de 5,5 polegadas irão cair.

A Samsung e a Apple serão beneficiadas com esta tendência, mas todas as fabricantes sentirão o seu impacto. O analista Anthony Scarsella diz mesmo que 2017 marca o nascimento de uma nova era de “smartphones ultra topo de gama”, com ecrãs de grandes dimensões e preços a condizer.

“Os últimos flagships da Samsung, Apple, Google, LG e outras empurraram o topo de gama para lá dos 850 dólares pela primeira vez”, nota o responsável da IDC. “Apesar deste aumento dos preços, os consumidores parecem estar dispostos a engolirem o custo só para terem o melhor e mais recente dispositivo nos seus bolsos.” Ou seja, preços que seriam considerados demasiado elevados para chegar às massas parecem agora ser sustentáveis. “Embora muitos consumidores não consigam comprar estes aparelhos em mercados onde o preço é mais importante, programas de financiamento combinados com políticas de troca estão a torná-los mais acessíveis em vários mercados”, explica Scarsella.

Isto levará o preço médio de venda dos smartphones a subir de 282 dólares em 2016 para 317 dólares em 2021.

Phablets tornam-se a norma

As taxas de crescimento não deixam margem para dúvidas: enquanto as vendas de smartphones vão cair 7,4% por ano até 2021, o segmento de phablets vai disparar 18,1%, atingindo mil milhões de unidades nessa altura. Para se ter uma noção do que isto representa, em 2017 o mercado global (todos os tamanhos) será de 1,5 mil milhões de unidades, dos quais 611 milhões são phablets. Em menos de dois anos, estes dispositivos irão dominar o mercado.

É uma evolução notável das preferências dos utilizadores, impulsionada pelo sucesso dos phablets da Samsung e outras fabricantes Android, em especial chinesas. Aliás, a China é a grande responsável por esta loucura com os phablets, crescendo a um ritmo anual de 12,6%.

“Em 2012, os phablets representavam apenas 1% das remessas de smartphones e agora, poucos anos mais tarde, estão a aproximar-se de 50% do mercado”, nota Ryan Reith, vice presidente dos relatórios trimestrais da IDC sobre o mercado móvel. O analista sublinha que estamos a assistir a uma rápida transição para smartphones sem rebordos, o que permitirá alargar o espaço útil do ecrã sem aumentar o tamanho total do dispositivo.

Porque é que os consumidores preferem agora smartphones tão grandes, que quando surgiram só entusiasmaram um nicho do mercado? Ryan Reith explica: “Os utilizadores estão a consumir mais entretenimento em vídeo, jogos, redes sociais e outras aplicações que usam muitos dados nos seus smartphones, tornando o tamanho e tipo de ecrã um fator crítico na hora de comprar um telefone.”

Boas notícias para a Apple

A tendência vai beneficiar, e muito, a Apple. A fabricante chegou aos phablets em 2014, quando lançou o iPhone 6 Plus, e acaba de lançar agora o iPhone X, que custa mais de mil euros. A IDC espera que tanto os modelos Plus quanto o X representem 41,2% do volume de remessas da empresa em 2017. No próximo ano, já serão os iPhones mais vendidos – 50% ou mais do total de vendas da marca. Talvez por isso mesmo tenham começado a surgir rumores de que a Apple planeia lançar iPhones com ecrãs de tamanho ainda maior em 2018, o que levará os números a níveis mais elevados.

Depois de um 2016 fraco, em que as remessas de iPhones caíram 7%, isto significa que a Apple regressará ao crescimento em 2017 (2,7%), e terá um incremento muito maior em 2018 (8,1%). As vendas de iPhones já tinham surpreendido no quarto trimestre fiscal, entre julho e setembro, mesmo sem o impacto do lançamento dos novos modelos (e com a IDC a notar vendas pouco interessantes do iPhone 8). Tudo aponta para que o trimestre do Natal seja mais doce para a fabricante, sendo que a plataforma iOS deverá captar 14,8% do mercado mundial, com 220,5 milhões de iPhones vendidos.

Será um crescimento de 2,4% face a 2016, que não faz mossa no domínio do Android. O sistema operativo da Google terá 85,1% de quota global em 2017, apenas dois pontos percentuais abaixo do ano passado. Serão vendidos 1,268 mil milhões de smartphones Android, com algumas mudanças no segmento; a IDC nota que as fabricantes com mais experiência estão a sentir uma “pressão intensa” por parte de novas marcas, que têm grande controlo de inventário e criaram estratégias inovadoras de ataque ao mercado.

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