E3 2018

PlayStation. “Portugal é um mercado exemplar”

Na apresentação da PlayStation na E3 2018, houve uma réplica de Norman Reedus para aguçar a curiosidade em torno do jogo "Death Stranding"/Ana Rita Guerra
Na apresentação da PlayStation na E3 2018, houve uma réplica de Norman Reedus para aguçar a curiosidade em torno do jogo "Death Stranding"/Ana Rita Guerra

Liliana Laporte, diretora geral da Sony Interactive Entertainment para o mercado ibérico, revela que a PlayStation 4 voltou a bater recorde de vendas

As estimativas apontam para que a PlayStation 4 detenha uma quota de mercado em torno dos 80% em Portugal, uma das mais elevadas do mundo. A Sony e a GfK deixaram de confirmar números, mas as evidências apontam para um domínio total da consola, que no último ano bateu o recorde de crescimento. Segundo disse ao Dinheiro Vivo a diretora geral da Sony Interactive Entertainment para o mercado ibérico Liliana Laporte, as vendas de PlayStation 4 em 2017 foram “ainda melhores” que as do ano anterior, que já tinha batido o recorde.

“Foi muito bom”, adjetivou a responsável, durante uma conversa na feira de entretenimento eletrónico E3, em Los Angeles. Como se justifica esta resiliência, quase quatro anos e meio depois do lançamento original? “À medida que avança o ciclo de vida da consola, consegue-se criar mais coisas a nível local, mais compromisso com a comunidade”, explicou a executiva. A prevalência da PlayStation no mercado português não é alheia ao investimento da Sony na localização da estratégia, o que passa por dobrar os jogos em português, apoiar estúdios de desenvolvimento de jogos e adaptar as campanhas ao sabor nacional.

Os números traduzem o resultado das iniciativas. “Houve um aumento do peso de Portugal dentro da Europa”, revelou Laporte. “Chama a atenção dentro da Europa e a nível mundial. Portugal é um mercado exemplar e a equipa é muito valorizada.”

Apesar de não haver números regionais, os dados globais indicam que a PS4 ganhou a guerra das consolas, com 73,6 milhões de unidades vendidas até 31 de dezembro de 2017. A Microsoft não atualizou números de vendas da Xbox One, mas as estimativas apontam para um total em torno dos 30 milhões de unidades. Atrás vem a Nintendo, que conseguiu com a Switch o sucesso que lhe escapou na Wii U: vendeu 17,8 milhões de consolas até 31 de março (fim do seu ano fiscal), tornando-se num sério concorrente pelo segundo lugar do mercado.

A portuguesa Liliana Laporte lidera a Sony Interactive Entertainment Ibéria e territórios do Mediterrâneo

A portuguesa Liliana Laporte lidera a Sony Interactive Entertainment Ibéria e territórios do Mediterrâneo

Na verdade, essa é já a composição do território nacional, onde a Nintendo tem maior peso que a Xbox. Para Liliana Laporte, tudo o que faça crescer o mercado de videojogos é positivo, e a responsável elogia mesmo a apresentação que a Microsoft fez na E3. “A conferência da Microsoft foi boa, fiquei contente. A parte de conteúdos foi a boa notícia que deram”, opinou.

Destaques para 2018

Em Portugal, a Sony vai focar os esforços de marketing no título “Spider-Man”, que fechou a conferência na E3 e que domina o stand da marca na feira, com data de lançamento marcada para 7 de setembro.

Além disso, há parcerias estratégicas com títulos de terceiros, nomeadamente FIFA, Red Dead Redemption e Call of Duty.

“Vamos ter muito mais coisas para anunciar, temos algumas surpresas na manga”, prometeu a executiva. Uma das coisas que quer continuar a fazer é dinamizar o ecossistema e incentivar os estúdios portugueses a produzirem conteúdos para a PS4. “Estamos a trabalhar no Out of Line, que ganhou os prémios PlayStation”, refere Laporte, revelando que um dos títulos anunciados esta semana para Playlink é espanhol – foi o vencedor dos prémios PlayStation Talents, Melbits. “Quem sabe se para o ano não vamos conseguir pôr um título português”, aventou. “Continua a ser uma prioridade máxima para nós. A questão da localização passa também por aí, não é só a dobragem em português. É o apoio e atividade local.”

No que toca à E3, Laporte explica que a intenção da Sony foi “fazer uma coisa diferente e ter uma experiência mais intimista com cada um dos jogos que foram mostrados.” O jogo mais falado da apresentação, “The Last of Us Part II”, causou sensação por causa de um beijo entre mulheres e uma grande dose de violência. “Algumas pessoas dizem que foi muito violento em tudo. Há que entender que faz sentido no contexto de uma narrativa”, garante Laporte. “O beijo não foi uma mera provocação.”

Quanto à ausência de menções à PlayStation VR, a executiva afasta a ideia de que tal se deva a um descontentamento com as vendas. “Em termos da companhia estamos bastante satisfeitos com os dois milhões que temos”, frisa; desde novembro de 2016, a Sony vendeu dois milhões de sistema PS VR e 12 milhões de jogos. “O que estamos a fazer é pegar numa tecnologia que tem 18 meses, que é inovadora e onde não há pressa.”

Apesar de não ter havido qualquer referência a novo hardware por parte da Sony, está no ar a ideia de que haverá novidades mais cedo ou mais tarde. A Microsoft confirmou que está a trabalhar na próxima Xbox e Liliana Laporte não acredita nos vaticínios que dão por terminado o reinado das consolas. “Já na época da PS3 se dizia que não ia haver PS4”, recordou. “Eu seria cética em tirar conclusões.”

A responsável portuguesa nota ainda que a competição dos PC de gaming é boa. “Tudo o que tenha a ver com fazer a indústria de videojogos maior é boa notícia”, reitera. “O mercado de videojogos é a indústria de entretenimento que mais fatura, mais que cinema e música, e não é reconhecida como tal”, diz, lamentando que não exista a mesma projeção. Em 2017, a indústria gerou 107 mil milhões de dólares e alcançou 2,2 mil milhões de jogadores.

“No fundo, estamos a falar de uma forma de arte. É uma expressão artística que tem a mais valia de não ser tão passiva. Num videojogo, tu és protagonista”, considera Laporte. “Acho que ainda há muito a fazer ao nível de compreensão e de apoio para esta indústria que gera tanto emprego e tantas horas de felicidade para tanta gente.”

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