iPhone 5

Porque é que a Apple já está a testar o iPhone 5S?

Patente foi pedida nos Estados Unidos
Patente foi pedida nos Estados Unidos

Um mês e meio depois de
estrear o iPhone 5 nas lojas, surgiram os primeiros indícios de que
a Apple tem a próxima versão do smartphone quase pronta e a iniciar
testes de produção. A notícia levantou sobrolhos, especialmente
porque a empresa surpreendeu os fãs ao revelar o iPad 4 em outubro.

Ninguém esperava um novo tablet em 2012, visto que o iPad 3 tinha
sido lançado em março. Muitos consumidores sentiram-se enganados,
por terem comprado recentemente um iPad de terceira geração. Agora,
quem comprar um iPhone 5 saberá que um melhor está em produção. O
que se passa com a Apple? Porque é que os rumores do próximo
produto começam cada vez mais cedo? Está a mudar a sua estratégia?

O analista da Informa
Telecoms, David McQueen, suspeita que a Apple pode estar a pensar
nisso. “Pergunto-me se a Apple estará a perceber que renovações
uma vez por ano não são sustentáveis, num mercado de smartphones
que cresce rapidamente e onde o timing é essencial.” A Apple,
ao contrário das outras marcas, habituou o mercado a fazer poucos
lançamentos por ano. Enquanto uma Nokia, BlackBerry ou Samsung
lançam 10 modelos novo num ano, a Apple lança um. Entre o iPhone 4
e o iPhone 4S passaram 14 meses, um período que os analistas
consideraram excessivo e que prejudicou as vendas da empresa. Mas o
contrário, ou seja, espaços mais curtos entre cada nova versão,
não é necessariamente vantajoso.

Olhando para os números do
terceiro trimestre de 2012, as vendas do iPhone 4S ficaram abaixo do
esperado, algo que os especialistas atribuíram à iminência do
lançamento do iPhone 5. É um investimento substancial (o iPhone 5
custa em Portugal cerca de 700 euros) e os consumidores querem ter a
certeza que têm o último grito. David McQueen não acredita que os
fãs da Apple fiquem zangados por haver novidades mais cedo que o
previsto, até porque muitas vezes não se percebe logo se há
diferenças substanciais entre um modelo e outro (a Apple tem
apostado em alternar iPhones revolucionários com melhorias
incrementais).

“A característica mais proeminente da Apple
sempre foi o design, que teve mudanças incrementais nas últimas
iterações, incluindo o tamanho do ecrã, peso e espessura”,
indica. “O problema para os consumidores seria se a experiência
de utilização no iTunes ou aplicações ficasse pior no hardware
mais antigo a seguir a cada novo lançamento, mais que chegar ao
mercado com um ciclo de vida mais curto.”

Existe a possibilidade de a
Apple ter cada vez menos controlo sobre as fugas de informação, que
costumam vir dos parceiros asiáticos que fornecem componentes e têm
acesso aos planos da empresa com muita antecedência. David McQueen
diz, no entanto, que a Apple “não se pode dar ao luxo de
esperar mais doze meses para implementar a tecnologia de ponta nos
seus aparelhos, e talvez um novo iPhone tão cedo após o iPhone 5
tenha a ver com isso.”

O analista sugere que a marca está a
tentar garantir que as últimas tecnologias 4G/LTE, de ecrã e processadores
estão todas nos seus aparelhos mais recentes. “E pode estar a
melhorar rapidamente a sua própria tecnologia, em especial
processadores e ecrãs, mais depressa que o tempo de lançamento dos
aparelhos. Foi por isso que lançou um novo iPad versão 4 em outubro
após apenas sete meses depois do iPad versão 3”, acrescenta o
analista.

Já Francisco Jerónimo,
diretor europeu de pesquisa de dispositivos móveis da consultora
IDC, afirma que estes rumores são irrelevantes para as vendas e
estratégia da Apple.

“O impacto é
nulo”, comenta. “A Apple tem consciência que o lançamento
num prazo recente iria prejudicar as vendas, e portanto não se
espera que venha a ser lançado qualquer telefone nos próximos
meses.” O analista lembra que todas as empresas começam a
trabalhar nos produtos com muita antecedência, “mas na prática
os consumidores sabem que se estiverem sempre à espera do último
modelo nunca iriam comprar um telefone.” Francisco Jerónimo
afirma que o impacto dos rumores “só é real quando o
lançamento do novo modelo estiver a semanas de distância.”

O analista da Informa
Telecoms também ressalta que “ao longo de um ano, o volume de
vendas não é tão bom como poderia ser nos dois trimestres que
antecedem o lançamento de um novo iPhone, visto que os clientes
esperam pelo novo modelo.” Isto significa que a Apple fez as
contas e está a tentar “suavizar a procura em todos os
trimestres, apesar de as vendas nas primeiras semanas de qualquer
lançamento serem fenomenais.”

Há ainda que lembrar
a influência da rival Samsung, que lidera o mercado de smartphones e
de telemóveis. A marca sul-coreana lançou o blockbuster Galaxy S3
em maio e em setembro já corriam rumores sobre o S4, com lançamento
possível no Mobile World Congress, em fevereiro. Sendo normal que a
Samsung lance vários smartphones por ano, não é tão habitual a
renovação de um topo de gama em tão pouco tempo.

Francisco Jerónimo
não vê aqui grande ligação. Garante que não é relevante e que o
que importa é saber se o lançamento do próximo modelo se manterá
nas mesmas alturas do ano, ou seja, a nova versão do Samsung Galaxy
lançada em maio/junho e o novo iPhone em setembro/outubro. “Este
ano, a Samsung beneficiou bastante por se ter antecipado no
lançamento do seu flagship device. Teve vários meses de vendas
quase sem concorrência e neste momento já ajustou o preço para
continuar a competir com os vários modelos lançados pelos diversos
fabricantes, principalmente a Apple”, analisa Francisco
Jerónimo. “Espera-se que a Samsung antecipe o lançamento do S4
para inícios do segundo trimestre e a Apple mude o lançamento do
novo iPhone de Setembro para finais de Junho, com vista a reduzir a
lacuna entre o lançamento do S4 e diminuir o impacto de um eventual
novo sucesso da Samsung.”

Por seu lado, David
McQueen diz que a Apple “precisa de se assegurar que tem um
produto líder da indústria sempre disponível no mercado, e se isso
signifca lançar produtos mais regularmente que uma vez por ano então
é o que fará.” Além disso, remata, “o sucesso inegável
do Samsung S3 pode ter sido o catalisador da nova estratégia.”

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