Porque é que o Facebook escondeu posts dos seus amigos? Para provar que há contágio nas redes sociais

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook

Quando se tem uma base de quase 1,3 mil milhões de utilizadores a exporem as suas emoções numa única rede, é possível conduzir todo o tipo de estudos. E foi o que fez o Facebook, com um estudo publicado no PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America) sobre o "contágio emocional".

O ponto de partida? Os autores queriam saber se ver amigos a partilharem a sua felicidade online gerava ou não um sentimento de pessimismo e de falta, por comparação com a própria vida. O Facebook tinha receio de que, ao sentirem-se infelizes por verem que outros tinham uma vida aparentemente melhor, as pessoas acabassem por evitar entrar na rede social.

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O estudo, “Evidências experimentais de contágio emocional em grande escala através das redes sociais”, foi aprovado em março e está publicado no site da PNAS, o que gerou controvérsia pelos métodos usados. A conclusão é esta:

“Mostramos, através de uma experiência massiva no Facebook, que os estados emocionais podem ser transferidos para outros, através de contágio emocional, levando as pessoas a experimentarem as mesmas emoções sem estarem cientes disso. Fornecemos evidências experimentais de que o contágio emocional ocorre sem a interação direta entre as pessoas (exposição a um amigo que expressa uma emoção é suficiente), e na ausência total de sinais não-verbais.”

Ora isto gerou polémica, no próprio Facebook e noutras redes como o Twitter. Hoje, um dos autores do estudo e membro da equipa científica de dados do Facebook, Adam D. I. Kramer, publicou uma longa justificação defendendo o trabalho.

“A razão pela qual fizemos este estudo é que nos importamos com o impacto emocional do Facebook e as pessoas que usam o nosso produto. Sentimos que era importante investigar a preocupação comum de que ver amigos a publicarem conteúdos positivos leva as pessoas a sentirem-se negativas ou deixadas de parte. Ao mesmo tempo, receávamos que a exposição à negatividade dos amigos poderia levar as pessoas a evitar entrar no Facebook. Não referimos claramente os nossos motivos no estudo”, escreve o especialista.

“No que toca à metodologia, a nossa pesquisa procurou investigar esta questão ao retirar prioridade de forma minimal a uma pequena percentagem de conteúdos no Feed de Notícias (com base em palavras emocionais nas publicações), para um grupo de pessoas (cerca de 0,04% dos utilizadores, ou 1 em cada 2500), por um curto período de tempo (uma semana, no início de 2012).” Ou seja: publicações que teriam naturalmente aparecido no topo do Feed não apareceram. A explicação de Kramer neste ponto é estranha. Ele diz: “Nenhumas publicações foram ‘escondidas’, apenas não apareceram nalgumas porções do Feed.”

A conclusão foi contrária à tal “preocupação comum”: ver certos tipos de emoções positivas encoraja o otimismo, não o retrai.

“Consigo perceber porque é que algumas pessoas têm dúvidas sobre isto, e os meus co-autores e eu lamentamos a forma como o estudo descreve a pesquisa e qualquer ansiedade que tenha causado. Em retroespectiva, os benefícios do estudo podem não ter justificado toda esta ansiedade”, admite Kramer. O responsável também lembra que o estudo foi conduzido no início de 2012 e que o Facebook evoluiu bastante desde então nas suas práticas e métodos internos.

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