Criativos no Mundo

“Portugal neste momento não é o mercado ideal para deixar fluir as ideias”

André Sousa Moreira. diretor de arte da Tapsa Y&R
André Sousa Moreira. diretor de arte da Tapsa Y&R

André Sousa Moreira rumou há cerca de dois anos para Espanha. Passou pela Lola de Madrid. Aos 25 anos é diretor de arte da Tapsa Young & Rubican. É um criativo no mundo.

Há cerca de dois anos, André Sousa Moreira pegou na mala, no gato Lucas e rumou a Madrid. Juntou-se à Lola Lowe & Partners em Madrid para trabalhar marcas da Mattel, Magnum ou Corneto.

Começou na Leo Burnett Lisboa, passou pela Brandia Central onde trabalhou como brand designer. O “bichinho da publicidade cresceu quando participei pela primeira vez nos Young Lions, ganhando assim o primeiro lugar, o que me deu a possibilidade de ir representar Portugal a Cannes”, conta o criativo. Regressa a este palco já estava em Madrid, com o trabalho na categoria de Imprensa,  “Há coisas que foram feitas para estar juntas”, fazendo dupla com Foi novamente representar Portugal em Cannes na competição dos jovens criativos. Em Imprensa, Miguel Sousa, da Lola.

Campanha de Imprensa para o Young Lions

Atualmente, é diretor de arte da Tapsa Young & Rubican onde trabalha contas como Opel, Movistar España e Telefónica. Tem 25 anos. Em três anos de trabalho já trabalhou cerca de 30 marcas.

Estás há dois anos em Espanha. Como é que  tudo aconteceu?

Estava a trabalhar há quatro meses como brand designer na Brandia Central em Lisboa, e tinha acabado de chegar de Cannes depois de representar Portugal na competição dos Young Lions, quando recebi o convite de ir para a Lola/ Lowe & Partners em Madrid para trabalhar a conta de Mattel Europa e Cornetto. Levei para Madrid o meu gato. Chama-se Lucas.

Representaste Portugal no Young Lions. Sentes que foi esta plataforma que deu a exposição necessária para a tua carreira internacional?

Trabalhava há apenas oito meses na área de publicidade e ter tido a possibilidade de ir ao festival de Cannes claramente ajudou. É o sítio de referência para tomar contacto com criativos de todo o mundo e de te expores como criativo.

Como é que tem sido a adaptação? ‘Portunhol’ ajuda ou sendo diretor de arte por vezes tens mesmo de fazer o desenho?

Creio que caímos muitas vezes no erro de pensar que por sermos países vizinhos  a cultura é idêntica, mas não é bem assim. Horários diferentes, a música, a cultura de rua, as conversas, é bastante distinto…No início foi complicado, pois achava que espanhol era mais fácil de entender e falar. Mas com o tempo adaptei-me.

Do teu período em Espanha tens alguma campanha/trabalho que, pelo impacto ou gosto pessoal, destaques?

Tenho algumas, como o livro para a revista de futebol “LIBERO”. Um livro que serve para ajudar os fanáticos do futebol a escolher o nome para o seu filho, baseado em futebol.

O design de packaging de Rum “Ron Draper”. Um rum dirigido a todos os publicitários (este foi considerado pela Lurzers Archive como um dos melhores design de packaging do mundo)

Ron Draper: o packaging foi destacado pela Luzer's Archive

Muitos criativos têm seguido para uma carreira no exterior. Como olhas para este êxodo criativo?

Portugal neste momento não é o mercado ideal para deixar fluir as ideias (com muita pena minha). Não há budget, as marcas têm mais dificuldade em aceitar ideias diferentes. Estão habituados a um “tipo” de publicidade já bastante marcado em Portugal e como sempre funcionou, preferem seguir por ai. É normal que os portugueses se sintam atraídos por uma carreira criativa no exterior.

Sentes algum sinal de que poderá abrandar o ritmo das saídas? Ou o facto da criatividade feita por portugueses em agências internacionais estar a ter cada vez maior visibilidade nos festivais internacionais, aliado à quebra dos budgets das marcas, é um canto da sereia difícil de resistir?

Cada vez é mais difícil resistir à possibilidade de uma carreira no exterior. Há muitos portugueses com uma carreira internacional que dão provas de que no exterior se pode fazer trabalho mais criativo e apelativo para marcas de renome internacional, o que é  difícil acontecer neste momento num mercado como o de Portugal. As marcas continuam com medo de apostar em ideias “loucas”, e no exterior muitas marcas (e agências) dão-nos liberdade total na hora de pensar e de executar, permitindo-nos assim experimentar novos caminhos. Uma carreira no exterior é uma experiência que se recomenda porque expande os nossos horizontes (a nível pessoal e profissional).

Regressar é um objetivo ou depois de Espanha ou próximo destino é…

Para já não penso voltar mas nunca se sabe o que o futuro nos aguarda, mas claro, penso voltar a Portugal um dia.

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