Quanto bebem os Portugueses por dia

Cerveja continua a ser a preferida

Durante o ano de 2012, foram consumidos quase 924 milhões de litros de bebidas alcoólicas em Portugal. Ou seja, por dia, os portugueses beberam 2,5 milhões de litros, um valor que está em queda em relação aos anos anteriores. A cerveja reúne as preferências dos consumidores, com 483 milhões de litros, logo seguida do vinho, com quase 415 milhões.

Segundo dados do Internacional Wine and Spirit Research (IWSR), instituto internacional que analisa dados de consumo em 115 países, Portugal está em 34º lugar da lista dos países onde o consumo é maior, ranking liderado pela China, com 65,9 mil milhões de litros de bebidas alcoólicas consumidas. Em segundo lugar estão os EUA, com 29,4 mil milhões de litros e em terceiro o Brasil, com 14 mil milhões.

Quanto ao consumo per capita, Portugal está em 35º lugar do ranking com 103,5 litros em 2012. Em primeiro lugar está a República Checa, com 212,6 litros por pessoa, enquanto a Irlanda está em segundo (181,1 litros per capita), logo seguida da Áustria (179,6 litros). Ressalve-se que estes valores referem-se aos litros de bebidas alcoólicas na forma em que são consumidas, não sendo contabilizados os litros de álcool puro, o que faz com que muitos dos países do top ten sejam consumidores de cerveja, bebida em que o volume consumido é alto.

Quando comparado com o ano anterior, o volume de bebidas vendidas em 2012 em Portugal desceu 4,9%, e 2,7% em relação aos valores de 2007, havendo anos neste período em que foi ultrapassada a fasquia dos mil milhões de litros. Mário

Moniz Barreto, secretário-geral da Associação Nacional das Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE), explica que esta descida moderada se deve a três fatores: mudança de hábitos de consumo, o aumento de impostos em algumas bebidas e claro, também à atual recessão económica. “Houve uma mudança no paradigma do consumo, em que as pessoas estão mais informadas e conscientes do que são as bebidas alcoólicas e dos seus efeitos, preocupam-se com a sua saúde e praticam desporto, o que faz com o consumo seja mais regerado e consciente, em menos quantidade e em mais qualidade”, salienta este responsável.

E, se esta é uma mudança sentida em todos os países desenvolvidos, há depois outros fatores nacionais que têm impacto na compra de bebidas alcoólicas, como explica o secretário-geral da ANEBE: “Desde 2012 que tem havido aumentos diferentes no Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA) consoante a bebida, a cerveja tem tido subidas de 1%, enquanto as bebidas espirituosas tiveram aumentos de 7 e 5%”, o que levou a que neste último segmento houvesse, em alguns casos, “subidas do preço final ao consumidor”. Com 25 milhões de litros consumidos em 2012, o setor das bebidas espirituosas registou uma queda de 7%, quando comparado com os valores do ano anterior, e de 3,5%, em relação a 2007.

A recessão económica é também um dos motivos deste menor consumo, pois “com menor disponibilidade financeira, os produtos que não sejam de primeira necessidade são escolhas de consumo que ficam adiadas”, refere Mário Moniz Barreto. Segundo este responsável, o que “tem fornecido algum oxigénio às empresas do setor tem sido o turismo, graças ao qual em momentos específicos do ano o consumo aumenta”, e também devido “à exportação de bebidas alcoólicas para outros mercados”.

Com a crise, é também comum haver “transferência de consumos, devido ao preço”, salienta. E isto mesmo mostra os dados do IWSR, que fazem uma projeção para 2018 do mercado português: é que embora o consumo registe uma ligeira subida – 1,1% para 984 milhões de litros, haverá uma transferência do vinho para a cerveja, já que o primeiro registará uma pequena queda 0,1% e o segundo uma subida de 2,1%. Já as bebidas espirituosas perdem também 0,1%.

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