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Queda da Huawei afeta mercado português de smartphones

Foto: Stringer/Reuters
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Vice-presidente de Dispositivos da IDC EMEA, Francisco Jerónimo, considera que situação da marca chinesa vai tornar-se “dramática”

O mercado português de smartphones caiu 4,4% no terceiro trimestre de 2019, refletindo o impacto negativo da pressão sobre a Huawei, segunda marca mais vendida em Portugal. Segundo explicou ao Dinheiro Vivo o vice-presidente de Dispositivos da IDC EMEA, Francisco Jerónimo, “a queda das vendas da Huawei impactaram o mercado português de smartphones”, já que a marca sofreu uma redução de 2,4% nas vendas.

No total, a Huawei vendeu 186 mil smartphones em Portugal, obtendo 28,8% de quota de mercado. À sua frente ficou a líder de mercado Samsung, que obteve um crescimento expressivo de 15,7%: vendeu 215 mil unidades e garantiu 33% de quota de mercado.

“O bloqueio que os Estados Unidos colocaram à Huawei está a começar a expôr a gravidade da situação em que a empresa se encontra no segmento de smartphones”, afirmou Francisco Jerónimo. O problema levou a empresa a desenvolver o seu próprio sistema operativo, para contornar o fim da cooperação com a Google no Android, e o futuro da sua divisão de smartphones é incerto.

Ainda assim, Francisco Jerónimo ressalvou que a queda foi menor que o que se previa, porque os retalhistas e operadores fizeram grande esforço durante o verão para escoar as unidades que tinham em stock. “Com o imprevisível lançamento de novos produtos com os serviços da Google no futuro, a situação vai tornar-se dramática nos próximos trimestres para a marca chinesa”, explicou o analista.

No global, venderam-se em Portugal 647 mil smartphones, com a TCL a registar o maior crescimento – 35,1% para uma quota de 5,8%. A Xiaomi, em quinto lugar, caiu 0,2% e vendeu apenas 33 mil unidades.

Apple é terceira maior marca em Portugal

Ao contrário do que aconteceu no mercado global, a venda de iPhones em Portugal cresceu ligeiramente em unidades no trimestre, mais 0,6%. É o que a IDC chama de evolução estagnada, mas contrasta com a quebra de quase dois dígitos que o telefone registou em termos de receitas.

“As vendas caíram em valor, mas em termos de unidades a performance foi flat”, descreveu Francisco Jerónimo. “Os preços dos novos produtos mais atrativos e as boas vendas das versões anteriores do iPhone, em particular do iPhone XR, levaram a que as vendas em unidades não tivessem tido uma performance tão negativa”, concluiu.

Os portugueses compraram 67 mil iPhones neste período, o que deu à Apple uma quota de mercado de 10,4%. Em termos dos novos iPhones apresentados em setembro, estes representaram 40% do total de vendas, disse Francisco Jerónimo. O iPhone XR foi o mais vendido do trimestre, seguido do iPhone 11, iPhone 11 Pro Max, iPhone 11 Pro e iPhone 8 a fechar o top 5.

Mercado mundial recuperou

Ao fim de sete trimestres de quebras consecutivas, o mercado mundial de smartphones finalmente inverteu a tendência. As remessas de 358,3 milhões de dispositivos resultaram num pequeno crescimento de 0,8%, um sinal positivo que a IDC atribuiu ao bom desempenho dos mercados emergentes. A Huawei até duplicou as suas vendas na China, enquanto a Samsung colheu os benefícios da colocação da marca rival na lista negra dos Estados Unidos e outros países.

Em termos de quotas, a Samsung lidera com 21,8%, seguida da Huawei com 18,6% e da Apple com 13%. A Xiaomi está em quarto com 9,1% e a Oppo fecha o top 5 com 8,7%.

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