Canábis

Quem é o consumidor de canábis legal? Gosta de ciência e tem ansiedade

Canábis no Congresso Mundial e Exposição de Negócios da Canábis, em Los Angeles
Canábis no Congresso Mundial e Exposição de Negócios da Canábis, em Los Angeles Ana Rita Guerra

O mercado mundial de canábis legal vai gerar um volume de negócios de 12 mil milhões de euros em 2019, segundo as contas do Brightfield Group, com os Estados Unidos a representarem 83% destas vendas. Foi precisamente aqui que a consultora especializada em erva fez uma análise ao “novo” consumidor de canábis legal, numa altura em que 33 estados dos EUA já legalizaram o consumo da erva (22 só medicinal, os restantes medicinal e recreativo).

A pesquisa do Brightfield Group tem uma abrangência notável, porque 85% dos consumidores de canábis inquiridos deram-lhe acesso aos feeds das suas redes sociais, nomeadamente Instagram Facebook e Twitter. Isto, explicou a diretora de serviços de cliente do Brightfield Group, Claire Kaufmann, permitiu-lhes criar uma imagem detalhada de quem são estes consumidores e do que gostam para lá da canábis.

A responsável, que falava no Congresso Mundial e Exposição de Negócios da Canábis este fim de semana em Los Angeles, explicou que há três grupos em destaque: a mãe que usa microdoses, o novato que nunca tinha consumido marijuana antes da legalização e o idoso com problemas de saúde.

Em termos de género, há mais mulheres a consumirem canábis neste novo mercado legal, mas por pouca margem: 51% contra 48,5% de consumidores masculinos. Uma percentagem considerável, indicou Claire Kaufmann, identifica-se como LGBTQ+, 17%.

A maioria (57%) tem menos de 40 anos e quase metade, 46%, consomem cinco ou mais vezes por semana. Isto significa que os produtos de canábis, apenas com CBD (canabidiol) ou com CBD e THC (tetraidrocanabinol, a substância com efeitos psicotrópicos) já entrou na rotina destes consumidores, notou Kaufmann.

A parte curiosa deste perfil é a análise dos interesses. Uma grande porção dos consumidores inquiridos gosta de ler tudo o que é ciência e tem um grande apreço pela NASA, a agência espacial norte-americana. Também adoram, em geral, as séries animadas “The Simpsons” e “Futurama”.

Os novos consumidores de canábis têm mais estudos que o que se pensava anteriormente, com 70% a deterem algum grau de ensino superior.

No geral, não são consumidores convencidos pela fidelidade a marcas, mostrando-se mais sensíveis às variações de preços. E um dos motivos pelos quais usam canábis é a ansiedade: apesar de quererem projetar uma imagem relaxada, são pessoas ansiosas, que usam canábis para se acalmarem. Entender esta dualidade pode ser de grande valor para as marcas que querem endereçar este segmento, considerou Kaufmann.

No estudo do Brightfield Group, é feita uma análise ainda mais detalhada ao grupo das mulheres, por se destacarem nalguns pontos do perfil geral. Por exemplo, são mais fiéis às marcas que apreciam e gastam mais dinheiro de cada vez que vão a um dispensário de canábis. No entanto, fazem-no menos vezes que os compradores masculinos, que gastam menos mas vão mais vezes. São indicadores interessantes para as marcas que queiram direcionar o seu marketing ao segmento feminino. Além disso, metade tem crianças em casa e 63% tem menos de 40 anos. Gostam, no geral de Jennifer Hudson e Ellen DeGeneres, o canal The Food Network e a loja de produtos cosméticos Bath and Body Works.

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