Microsoft Build

Quem tem medo da inteligência artificial? Não é a Microsoft

Satya Nadella conduziu a keynote de abertura no evento anual de programadores Microsoft Build
Satya Nadella conduziu a keynote de abertura no evento anual de programadores Microsoft Build

Empresa anunciou Project Brainwave e uma iniciativa de 25 milhões de dólares para usar IA em soluções que ajudem pessoas com deficiências

Na corrida às melhores soluções de inteligência artificial que domina Silicon Valley, a Microsoft deu um grande salto com as novidades apresentadas no evento anual de programadores, Build. O CEO Satya Nadella fez uma série de anúncios relevantes, que em breve terão efeitos nos produtos usados por empresas e consumidores, e não deixou qualquer dúvida: a empresa quer dominar a próxima era de computação inteligente.

“A Microsoft teve vários sucessos de inteligência artificial nos últimos tempos”, afirmou o executivo, que fez a apresentação de abertura do Microsoft Build ao longo de quase duas horas. Uma das novidades mais sonantes é o lançamento do Project Brainwave, uma plataforma desenhada para correr modelos de deep learning em tempo real na nuvem Azure e nos dispositivos. Nadella chamou-lhe uma infraestrutura “de inteligência artificial distribuída em tempo real.” Representa uma abordagem inovadora, com processadores ultrarrápidos e flexíveis e a possibilidade de correr soluções IA tanto localmente como via servidores Microsoft.

Aquilo que Nadella não se cansou de sublinhar foi a importância de garantir que as novas tecnologias de inteligência artificial são usadas para o bem comum, uma discussão que começa a ser cada vez mais levantada. “Temos de perguntar não apenas o que os computadores podem fazer, mas também o que devem fazer.” É a “ética” na inteligência artificial de que o Facebook falou na semana passada e que a IBM destacou no seu evento Think em Las Vegas há dois meses. O CEO garantiu que a Microsoft tem estas questões presentes no desenvolvimento de ferramentas que irão mudar o mercado de forma substancial num futuro próximo. E para a empresa de Seattle, esse futuro trará uma “computação ubíqua da nuvem até às pontas”, o que requer novos modelos de aplicações distribuídas. “O Azure foi construído como o computador do mundo”, declarou Nadella.

IA para o bem

Esta ideia de usar inteligência artificial para melhorar o mundo será traduzida numa iniciativa de 25 milhões de dólares a cinco anos. A AI for Acessibility, anunciada pelo CEO no final da conferência, vai pôr ferramentas na mão dos programadores para criarem soluções acessíveis dedicadas a ajudar pessoas com deficiências. É algo em que a Microsoft já tem investido, através de soluções de transcrição de discurso falado, reconhecimento visual e texto preditivo.A ideia agora é ir além e criar mais serviços para todo o tipo de deficiências, que afetam áreas-chave (como empregabilidade) na vida de cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Conversar com bots

Já ninguém se lembra das gafes do bot experimental que a Microsoft tinha lançado há dois anos, Tay, porque entretanto a empresa procedeu a uma reimaginação total das ferramentas. Nesta edição da Build foram introduzidos novos updates de relevo, que vão facilitar a criação e teste de bots de conversação a correr em Azure ou nos sistemas das empresas. Segundo disse Nadella, são mais de 100 funcionalidades novas. Há neste momento 30 mil bots ativos que usam as soluções de conversação da Microsoft e vários clientes sonantes, desde a HP e KPMG à Telefónica.

Relevante neste arranque da Build foi também o anúncio de duas parcerias com a Qualcomm e com a DJI. A fabricante de processadores vai trabalhar com a Microsoft para criar um kit de visão IA a correr Azure IoT Edge (que a tecnológica acaba de tornar open source) para soluções de Internet das Coisas em câmaras. No caso da DJI, maior fabricante de drones do mercado, o acordo é desenvolver soluções comerciais para drones nos segmentos de agricultura, construção e segurança pública.

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