Rasteiras nas entrevistas de emprego: Os gestores contam como fazem

Futuro preocupa Pedro Gonçalves
Futuro preocupa Pedro Gonçalves

Uma entrevista de emprego é sempre um momento tenso, em que um candidato a um emprego tenta mostrar que é realmente a pessoa indicada para desempenhar determinada função. Porém, essa tarefa nem sempre é fácil, até porque uma entrevista de emprego, já se sabe, é um momento de tensão e nervosismo.

Há perguntas básicas para uma entrevista deste género, mas quase todos os “entrevistadores” têm as suas estratégias para ver se aquela é a pessoa certa para o trabalho. Pedro Gonçalves, ex-CEO da Soares da Costa, considera que a pergunta “Porque razão quer vir trabalhar para esta empresa?” é fundamental. Para o gestor, a resposta do candidato irá dizer muito sobre a sua motivação e permitirá ao gestor saber se o posto de trabalho é desejado por motivos de carreira ou apenas por recompensas financeiras, por exemplo.

Já Pedro Fontes Falcão, da Atena Capital, tem uma pergunta de eleição curiosa: “Com que personalidade pública se identifica e porquês?”. O gestor explica que com uma questão deste género é possível analisar o candidato em termos, por exemplo, de humildade ou arrogância.

Por outro lado, através da comparação com “alguém conhecido”, o gestor consegue perceber se o candidato está ou não consciente das funções a que se está a candidatar. Além disso, esta pergunta permite “puxar pelo candidato”, confrontando-o com os aspetos positivos e negativos da personalidade em causa.

Fontes Falcão admite que esta “não é uma pergunta fácil”, mas adianta que “permite testar várias características”. Uma delas é a capacidade de correção da análise inicialmente feita a si próprio, depois de perceber que, afinal, nem todos são como José Mourinho, uma das respostas que surge frequentemente.

Por seu lado, Pedro Seabra, presidente da imobiliária CB Richard Ellis, que confessa “não ter talento” para entrevistas de emprego, reconhece a importância de conhecer os novos colaboradores. Apesar de não ter nenhuma pergunta traiçoeira para tentar apanhar os entrevistados em falso, adianta que é importante que todas as pessoas nos cargos diretivos da empresa estejam de acordo com o caráter do novo contratado.

Na consultora financeira Dif Broker, as entrevista de emprego não são frequentes, até pelo tipo de trabalho que se desenvolve na empresa. Neste caso, o consultor Pedro Lino considera fundamental ter conhecimentos específicos de mercados, devido à natureza do trabalho. Contudo, relembra que nem tudo o que vem no currículos é verdade e, muitas vezes, os candidatos apresentam uma carência de conhecimentos da realidade.

Tanto Pedro Lino como Pedro Seabra admitem que nem sempre acertam nos colaboradores que contratam. O consultor financeiro confessa que já teve “experiência desagradáveis”, devido à falta de capacidades que os novos colaboradores demonstravam, contrariamente ao que indicavam nos currículos. Pedro Seabra também teve o mesmo problema. “Já acertei em cheio e já me enganei”, afirma o líder da CBRE.

Mas para Pedro Bidarra, a “tricky question” é “uma metodologia errada”. Segundo o publicitário, o entrevistador não deve procurar “rasteirar” o candidato. Por isso, explica que nas entrevistas que faz baseia-se em informações factuais e numa análise curricular clara e objetiva. De acordo com Bidarra, uma entrevista de trabalho deve antes basear-se nos interesses do candidato na empresas, nos locais onde estudou, nas notas que tirou.

A verdade é que, estando mais ou menos de acordo com as perguntas-rasteira, os gestores ouvidos pelo Dinheiro Vivo são unânimes: é fundamental saber qual a motivação do candidato e quais as suas expetativas para a função que vai desempenhar. A forma de obter a resposta, essa sim, pode variar.

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