Vítor Martins

Reforma-se o jornalista mais antigo do Diário de Notícias

Vítor Martins

Vítor Martins está no DN desde 1976. Uma carreira inteira dedicada à edição de Economia deste jornal – na última década através do Dinheiro Vivo. Este texto é de despedida, mas sobretudo de homenagem a um grande profissional. E revela uma outra grande paixão temática além da Economia, e que também chegou a editar.

Foram mais de 46 anos no grupo, onde entrou como estagiário aos 16, tendo-se tornado profissional dois anos depois, a 1 de janeiro de 1976. Neste fim de mês, o Vítor Martins, o mais antigo jornalista do Diário de Notícias, reforma-se de uma carreira inteira ao serviço da edição de Economia deste jornal – na última década através do Dinheiro Vivo.

Porque é facto raro nos dias que correm, mas sobretudo pelo profissionalismo, empenho, rigor e dedicação que teve até ao último dia em funções, aqui lhe fazemos a merecida homenagem, agradecendo em equipa – como ele sempre trabalhou, tornando-se parte do ADN destas marcas, bem como fiel companheiro de todos quantos trabalharam lado a lado com ele – tudo quanto fez pelo Diário de Notícias e pelo Dinheiro Vivo.

Neste fim de ciclo, agradecemos-lhe estes 46 anos extraordinários, desejando que possa agora fazer, por muitos e bons anos, tudo quanto até agora lhe foi faltando tempo para cumprir. As maiores felicidades ao Vítor, e que os próximos 46 anos sejam pelo menos tão notáveis quanto estes!

Para memória futura, aqui fica um pedaço da história do Vítor nestes anos, cortesia do atual diretor do DN, Leonídio Paulo Ferreira.

O executivo dos bichos

Por Leonídio Paulo Ferreira

Mudança de direção no DN em 2007, João Marcelino a promover-me a editor-executivo e uma vaga na equipa da chefia de redação por preencher. O Vítor Martins acabou por ser a escolha, afinal já nos conhecíamos há 15 anos, desde que eu vim estagiar no jornal. Ele já cá estava e alguns a brincar até diziam que ele tinha cá estado sempre.

Foi uma sorte para mim que o hipertrabalhador Vítor, que sempre tinha estado ligado à economia, estivesse numas funções de editor online imaginadas pelo diretor de saída e que nunca chegaram a avançar. Juntou-se logo assim ao João Céu e Silva e ao Nuno Azinheira como editor-executivo adjunto e, claro, com a supervisão da área que sempre foi a sua, a economia, mesmo que nas páginas do jornal, ou no ecrã da edição online, o nome alternasse entre aquela, Bolsa, Negócios ou Dinheiro, consoante o gosto das direções.

Calhou-me fazer dupla ao fim de semana com ele na edição do jornal, o que significava que de 15 em 15 dias tínhamos de assegurar o batente entre as 10 ou 11 da manhã e a meia-noite. Um dos diretores fazia a primeira página, à chefia de redação cabia definir os temas do dia na reunião matinal e depois, ao longo do dia, garantir que tudo estava pronto para ir sendo enviado para a gráfica. Como chefe, tentei que o Vítor se fosse embora por volta das nove da noite, que fazia eu a ponta final. Mas ele ia ficando sempre até ao fim, resmungão mas solidário, sempre atento ao que se podia ir ainda melhorando, fosse uma fotografia, fosse um título.

Lá consegui fazer um acordo com ele, para não estarmos quase 30 horas a trabalhar na soma do sábado e do domingo: um dos dias, eu vinha só depois de almoço, no outro era ele. E depois ficávamos juntos até a última página ser enviada, às vezes já depois da meia-noite. Quando nos despedíamos, uma diferença era óbvia, o estado de arrumação da secretária. A minha ao nível do aceitável, talvez um jornal velho por arrumar e um bloco de notas fora do lugar; a do Vítor impecável, com tudo arrumadinho e até o tampo da mesa limpo com um paninho embebido em álcool (aqui a memória pode estar a trair-me -seria só água? Não creio).

Durou esta nossa parceria uns bons meses, até que o João Marcelino insistiu comigo que mesmo mantendo o cargo o Vítor tinha de ir chefiar em exclusivo a secção de economia. O DN precisava dele nessa função e muito, argumentou o diretor. Tive de aceitar e pensar num outro nome para completar a equipa de quatro. Mas como essa mudança do Vítor coincidiu com uma remodelação nas edições impressas de fim de semana, com criação de algumas secções novas, além da economia ele tinha de ter outra área sob responsabilidade direta: as páginas de Bichos, uma dupla que saía, salvo erro, aos domingos. De tanto nos falar dos seus camaleões bebés, que criava em casa, o Vítor Martins, homem desde sempre visto como um especialista em economia, ganhou por uns tempos a designação deliciosa, quase uma alcunha, de Executivo dos Bichos. Não acredito que isso o incomodasse, basta lembrar o carinho com que preparava infografias sobre fauna diversa e pedia aos correspondentes artigos sobre algum animal que tivesse protagonismo na sua região, dos roazes de Setúbal às cagarras do arquipélago da Madeira. Escrever sobre camaleões, isso, tinha de ser ele.

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