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Roomba. Península ibérica é o melhor mercado da iRobot

Fotografia: Reuters
Fotografia: Reuters

Estivemos na sede da empresa que criou os aspiradores robóticos Roomba, em Boston.

A adesão que a iRobot conseguiu em Portugal e Espanha com os aspiradores robóticos Roomba não tem paralelo em nenhum outro mercado mundial. Embora a empresa não avance números concretos de vendas, o diretor de operações Christian Cerda disse ao Dinheiro Vivo que a penetração da Roomba na península ibérica é um caso único.

“A Ibéria é um mercado onde temos grande penetração, a maior que temos a nível mundial”, explicou o executivo em entrevista na sede da empresa, em Boston. Em termos geográficos, os mercados europeus mais relevantes são os suspeitos do costume: Alemanha e França. No entanto, a iRobot não tem nestes países o mesmo sucesso do que em Portugal e Espanha. Cerda diz que a quota flutua entre 3% e 8%, conforme os mercados, sendo que Portugal e Espanha estão no topo dessa escala. Porquê?

“Porque a iRobot funciona. É muito difícil fazer que um robô de consumo funcione em casa”, atira. “É muito difícil replicar um ser humano. Temos coisas espalhadas pelas casas, diferentes divisões, escadas, cadeiras, mesas, e é aí que os 25 anos de experiência em robótica contam.”

O entusiasmo de portugueses e espanhóis pelo aspirador mostra um potencial na Europa que a empresa quer concretizar. Um dos primeiros passos foi a aquisição do distribuidor europeu Robopolis, que comprou por 141 milhões de dólares no final de julho. O distribuidor tinha comprado o negócio à Cleverhouse em Portugal no ano passado, passando a concentrar as operações europeias. Só em 2016, o negócio proveniente da Robopolis representou 50% do total de receitas da iRobot na EMEA.

“Definitivamente somos o melhor robô de consumo que existe e provavelmente o único que funciona de forma satisfatória para o consumidor”, garante Cerda. Os resultados mundiais do segundo trimestre de 2017 são encorajadores: um aumento de 23% das receitas para 183 milhões de dólares e um salto de 65% nos lucros para 7,9 milhões.

No entanto, a iRobot não está na posição que quer. Christian Cerda diz que a empresa enfrenta três desafios principais na Europa, e um deles é aumentar a quota de mercado da Roomba. “Hoje em dia temos uma penetração entre 3% e 7% ou 8%, dependendo dos mercados. E este é um produto que deveria estar na maioria dos lares, a nível mundial.”

Uma das barreiras que é preciso quebrar é a da credibilidade: muitos consumidores acham que o produto é demasiado bom para ser verdade. A solução, diz Cerda, é reforçar a distribuição e promover o boca-a–boca. A maioria dos consumidores ainda opta por aspiradores tradicionais, apesar de já haver dezenas de marcas a tentarem replicar o que a iRobot criou em 2002 – a Roomba. Algumas com bastante sucesso; a Dyson, por exemplo, capitaliza na popularidade que tem na Alemanha. Outros players são a ILIFE, a Neato Robotics ou a Samsung.

O que vimos na sede da empresa em Boston, perto do MIT, é que a equipa de engenharia está focada em manter a diferenciação em relação à concorrência. Esse esforço é visível nas inovações dos últimos modelos, em especial a conectividade wi-fi, a app móvel e a câmara com processamento visual, capaz de criar um mapa da casa do consumidor.

“A coisa mais excitante em que a iRobot está a trabalhar agora é tecnologia para fazer a ponte entre a inteligência artificial e a ação física. Muitas empresas estão a criar excelente inteligência artificial, nós temos uma longa história a produzir robôs que são fisicamente competentes”, explica o cofundador e CEO da empresa, Colin Angle. A ideia é dar ao robô a capacidade de perceber que há uma divisão chamada “cozinha”, que há sítios onde as coisas são arrumadas e há objetos em casa que podem ser agarrados, ligados ou desligados. “Isto fará que a inteligência artificial que torna os nossos computadores realmente inteligentes possa dar poder aos robôs para serem mais úteis nas nossas vidas.”

A ideia envolve usar os mapas que a Roomba cria de cada casa para alimentar aplicações de empresas parceiras. Algumas notícias alertaram que a iRobot queria vender os dados domésticos dos utilizadores a empresas como a Google, mas o conceito não é esse. Chris Jones, diretor de tecnologia, esclarece: a intenção é trabalhar de perto com o consumidor, que terá de dar a sua permissão para a utilização das informações, num sistema de opt-in. A ideia é “que o consumidor possa decidir se estes dados podem ser usados noutras aplicações para lhe dar mais funcionalidades em casa”, frisa. “Mas tem de se fazer isso sempre com o seu consentimento e entendimento.”

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