Sintra vai recuperar Quinta da Ribafria para “Grande Hotel”

Câmara de Sintra tenciona lançar concurso para um "hotel de alta qualidade"
Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra vai promover, a partir de setembro, ações de restauro na Quinta da Ribafria, propriedade do município, que a Câmara pretende concessionar para hotel de luxo, anunciou a autarquia."> Câmara de Sintra tenciona lançar concurso para um "hotel de alta qualidade"

A Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra vai promover, a partir de setembro, ações de restauro na Quinta da Ribafria, propriedade do município, que a Câmara pretende concessionar para hotel de luxo, anunciou a autarquia.

O restauro pela escola municipal “começa em setembro” e, numa primeira fase, vai incidir em quatro estátuas do jardim, duas fontes ornamentadas com guerreiros e nas escadarias e teto de uma sala do palácio, disse hoje à agência Lusa uma fonte da Câmara de Sintra.

Leia também:Câmara de Sintra investe 26 milhões de euros para requalificação do espaço público

A Quinta de Ribafria, adquirida em 2002 pelo município, foi durante anos propriedade do IPSD-Instituto Progresso Social e Democracia (atual Instituto Francisco Sá Carneiro) e funcionou como “retiro” social-democrata durante os Governos de Cavaco Silva.

O presidente da autarquia, Basílio Horta, já anunciou que, depois da recente limpeza da propriedade, a Câmara tenciona lançar concurso para um “hotel de alta qualidade”, assegurando que os jardins serão abertos à população para visitas e espetáculos.

“A ideia é transformar [a Ribafria] num belíssimo Grande Hotel, aproveitando as antigas instalações do IPSD, que devem dar cerca de 30 quartos, e o próprio palácio”, com mais 16 quartos, até um máximo de 50 quartos, admitiu o autarca, em julho, na Assembleia Municipal de Sintra (AMS).

Basílio Horta prometeu então que, “até ao fim do ano”, será possível “ver espetáculos de ópera e de música na Ribafria”, e que a autarquia aposta na recuperação da quinta, mas as “grandes obras” ficarão a cargo do concessionário que vencer o concurso para a sua adaptação em unidade hoteleira de luxo.

“Temos oito hotéis que estão em vias de licenciamento. Cinco poderão ser licenciados este ano e três para o ano”, acrescentou o presidente da Câmara, que prevê, para breve, lançar o concurso para recuperação do Hotel Netto, na vila, e que as obras comecem “este ano ou no primeiro trimestre” de 2015.

“É evidente que a Ribafria precisa de um destino”, afirmou à Lusa o presidente da AMS, Domingos Quintas (PS), que participou, a 19 de julho, numa visita privada de deputados municipais e autarcas da freguesia a “um dos mais emblemáticos monumentos da Renascença sintrense”.

O presidente da Assembleia considerou positiva a recente limpeza da propriedade, mas esta precisa de ser reabilitada e de “um projeto que assegure uma utilização sustentável”.

A histórica quinta no Lourel, cuja casa e torre foram edificadas no século XVI, pertenceu à família Mello e foi vendida em 1988 à Fundação Friedrich Naumann, através do IPSD, devido a condicionalismos para investimentos germânicos no exterior.

A fundação alemã retirou-se de Portugal, na década de 1990, e os dois terrenos que compõem a propriedade, no total de 13,3 hectares, acabaram vendidos a uma sociedade imobiliária de João Vale e Azevedo, ex-dirigente do Benfica.

O IPSD conseguiu a anulação judicial da venda, alegando que Vale e Azevedo tinha efetuado “negócio consigo próprio”, em vez de transferir a quinta para o seu verdadeiro dono, a fundação alemã.

O Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) recusou, em 2001, exercer o direito de preferência sobre a Ribafria – opção legal nos imóveis classificados -, mas a Câmara de Sintra aproveitou para comprar a quinta por 2,1 milhões de euros.

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