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Smartphones muito caros (já) não convencem consumidores

REUTERS / Sergio Perez
REUTERS / Sergio Perez

Mercado global derrapou num trimestre em que as grandes vencedoras foram a Xiaomi e a Huawei

As novidades nos topos de gama continuam a empurrar as tendências do mercado de smartphones, mas os consumidores parecem menos dispostos a abrirem os cordões à bolsa para terem os últimos modelos. É o que dizem os analistas da consultora IDC, que fez as contas às remessas de smartphones do primeiro trimestre e divulgou uma quebra de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Os fabricantes enviaram para as lojas um total de 334,3 milhões de smartphones, menos 10 milhões que em 2017.

Há vários motivos por detrás deste abrandamento. Um deles foi o recuo do mercado chinês, que pela primeira vez em cinco anos registou um volume inferior a 100 milhões de unidades. É um sinal de maturidade, segundo explica a analista Melissa Chau, porque já não há tantos consumidores a converterem-se de telemóveis tradicionais para smartphones pela primeira vez. Isto significa que, mesmo que haja utilizadores a fazerem upgrade para modelos melhores (e mais caros), o número total de vendas desce.

“Apesar de novos topos de gama da Samsung e da Huawei, em paralelo ao primeiro trimestre completo de vendas do iPhone X, os consumidores pareceram relutantes em gastar muito dinheiro nos últimos e melhores dispositivos do mercado”, explica o analista Anthony Scarsella, diretor de pesquisa do Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker da IDC. “A abundância de ultra topos de gama com preços elevados, que foram lançados nos últimos 12 a 18 meses, provavelmente parou o ciclo de substituição no curto prazo.”

Os concorrentes mais sonantes nesta categoria durante o primeiro trimestre foram o Galaxy S9 da Samsung, que pode ser adquirido a partir de 850 euros, e o iPhone X, que está à venda por 1180 euros (os iPhone 8 Plus também andam acima dos 890 euros). “Parece que os consumidores não estão dispostos a gastar este tipo de dinheiro por um novo aparelho que traz upgrades mínimos em relação ao seu dispositivo atual”, diz o analista. Scarsella avisa que a solução para a segunda metade do ano será oferecer “aparelhos premium mais em conta.”

Isto não significa, no entanto, que estes topos de gama sejam um flop. Mesmo com volumes mais modestos de vendas, os preços elevados contribuem para um aumento do preço médio de venda e, por isso, para a rentabilidade das marcas. No caso do S9, como não apanhou o trimestre inteiro, é expectável que venha a dar um impulso mais significativo ao preço médio de venda da Samsung no segundo trimestre. Já em termos de iPhone X, apesar do abrandamento das encomendas de componentes, a Apple diz que foi o seu telemóvel mais popular entre os oito disponíveis.

De notar que a IDC previu no final do ano passado que a grande tendência do futuro será o predomínio dos phablets, dispositivos com ecrãs de grandes dimensões que não chegam a ser tablets. Na altura, a consultora considerou que os consumidores estariam dispostos a pagar mais por estes aparelhos. Como refere o analista, será necessário ter em conta o efeito de prolongamento da vida útil dos dispositivos, isto é, os consumidores demoram cada vez mais tempo a comprarem um novo smartphone precisamente porque pagaram um preço mais elevado pelo último.

A grande surpresa do ranking

Este comportamento dos consumidores levou a dinâmicas interessantes no ranking de maiores fabricantes mundiais. A Samsung retomou a liderança, como era esperado, mas caiu 2,4%: vendeu 78,2 milhões de smartphones, menos dois milhões que em 2017. Garantiu uma quota de mercado líder de 23,4%, com as séries A e J, que têm preços mais em conta, a representarem os maiores volumes de vendas da empresa.

No que toca à Apple, houve um crescimento minimal de 2,8% (a empresa disse que era de 2,9%) para 52,2 milhões de unidades, o que ainda assim permitiu melhorar a quota de 14,7% para 15,6%.Estas são as habituais empresas de topo, que dividem entre elas mais de um terço do mercado global.

Em terceiro encontra-se a Huawei, que obteve números sólidos – uma subida de 13,8% para 39,3 milhões e uma quota recorde de 11,8%. A IDC sublinha que a marca chinesa está a crescer na Europa, principalmente em Espanha, Alemanha e Itália. São mercados onde as versões Lite dos seus smartphones estão a ter sucesso e há boas perspetivas para as versões premium. O P20 Pro, com um preço de 899 euros, já chegou às lojas depois do final do primeiro trimestre.

A grande surpresa, no entanto, foi o desempenho da Xiaomi, que deu um salto de 87,8% para 28 milhões de smartphones, duplicando a quota para 8,4%. Foi a primeira vez que vendeu mais fora da China que no mercado doméstico, algo que poucas empresas da região conseguiram fazer. A sua estratégia de vendas online e a força na Índia, já o seu segundo maior mercado, explicam esta performance.

O resto do mercado foi mais ou menos inconsequente. A chinesa Oppo caiu 7,5%, refletindo o abrandamento do mercado doméstico, e as outras fabricantes afundaram 18,5% no seu conjunto.

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