South by southwest

Startup Portugal promove Hub Criativo do Beato no Texas

Maria Miguel Ferreira, terceira da esquerda para a direita, na missão da Startup Portugal ao SXSW em Austin, Texas
Maria Miguel Ferreira, terceira da esquerda para a direita, na missão da Startup Portugal ao SXSW em Austin, Texas

Stand português no festival South by Southwest promove startups, música nacional, teatro e empreendorismo

Ainda não abriu, mas a antecipação do que vai ser o Hub Criativo do Beato já está a transformar os bairros circundantes e a Startup Portugal quer aproveitar o momento para promover o empreendimento lá fora. Durante o festival South by Southwest, que decorre em Austin, Texas, a Startup Portugal organizou um painel de debate sobre a forma como os ecossistemas de startups estão a mudar os cenários urbanos e económicos das cidades. O painel foi liderado pela diretora Maria Miguel Ferreira, a responsável de empreendedorismo da Câmara Municipal de Lisboa Ana Margarida Figueiredo, o fundador da Tech Open Air em Berlim, Niko Woischnik, e o publisher da DIY Magazine Ruper Vereker.

“O Hub Criativo do Beato é provavelmente o maior hub de inovação e de tecnologia da Europa que existe neste momento”, diz ao Dinheiro Vivo Maria Miguel Ferreira. “Ainda não arrancou e já está a introduzir uma mudança absolutamente inacreditável nos bairros de Marvila e do Beato em Lisboa.” A diretora da Startup Portugal sublinha que as mudanças são visíveis: “a grande quantidade de artistas que se mudaram para lá, os novos projetos que abriram, desde fábricas de cerveja artesanal a gabinetes de arquitetos, estrangeiros que estão a reabilitar, os próprios fundos imobiliários internacionais estão de olho naqueles bairros porque perceberam que vai nascer ali qualquer coisa de novo”, referiu. “A Mercedes anunciou que vai transferir-se para lá e a Factory, que é a incubadora de Berlim, vai abrir um dos seus próximos hubs da Europa. “Há uma expectativa em relação ao que se vai passar nesta zona da cidade e tem tudo a ver com as comunidades empreendedoras.”

No painel, procurou-se discutir de que forma estas comunidades empreendedoras estão a transformar as paisagens sociais, económicas e imobiliárias das cidades um pouco por toda a Europa. “A ideia é discutir de que forma estas comunidades conseguem fazer parte mais da solução do que problema”, frisa Maria Miguel Ferreira. “Colocar em contraste a questão da gentrificação com as de integração de novas comunidades em zonas mais problemáticas das cidades.”

O painel foi um dos destaques da presença portuguesa no South by Southwest, que este ano é bem ambiciosa. A Startup Portugal tem um espaço no trade show do festival que alberga não só startups inovadoras, como a Jscrambler, Didimo, Loqr, Collector e Imaginary Cloud, mas também a plataforma Made of Lisboa da CML, o Teatro Circo, a Agência que promove o festival de curtas de Vila do Conde e a Why Portugal, que dinamiza a exportação de música nacional.

“Não investimos o mesmo que investem projetos como o Brasil ou a La French Tech porque não acreditamos que o tamanho do stand se traduza em mais leads e contactos”, explica a diretora da Startup Portugal. “Somos muito mais a favor de organizar eventos paralelos com investidores e com parceiros locais e envolvendo outras comunidades, como fizemos com Berlim e com Londres [no painel]. Achamos que isso tem muito mais impacto na multiplicação de contactos que propriamente a exposição de marca e o tamanho do stand.”

Embora a Startup Portugal não seja neófita no SXSW, no ano passado não teve um espaço no trade show, o que reflete o maior investimento que está a ser feito nas missões internacionais este ano. “É importante estar e que as pessoas tenham Portugal no top of mind quando pensam em parceiros na Europa”, diz a responsável. Por exemplo, a presença na edição do ano passado, com um painel que apresentava Portugal como “porta de entrada na Europa”, levou ao contacto com uma agência digital britânica que planeia mudar-se para o Porto. À luz do Brexit, o fundador da agência quer aproveitar os incentivos dados às empresas estrangeiras que se relocalizarem para Portugal.

Mais dinheiro para startups

A exposição do país, para a qual o Web Summit contribuiu decisivamente, está também a atrair maiores volumes de capital de risco – essenciais para fazer crescer o ecossistema de empreendedorismo. “Neste momento existe muito mais capital de risco do que existiu no passado”, diz Maria Miguel Ferreira, “e tem havido maior capacidade de captação de investimento estrangeiro.”

A Jscrambler, que desenvolve soluções de cibersegurança focadas em javascript, recebeu no início do mês uma injeção de 2,3 milhões de dólares da Sonae IM e da Portugal Ventures. A empresa está em Austin sobretudo para se promover, já que praticamente só fatura no mercado internacional. “Prospeção de clientes é o principal objetivo”, diz ao Dinheiro Vivo o diretor de tecnologia, Pedro Fortuna. “Vimos para ver quem está cá, as pessoas que vêm para desfrutar do evento e são potenciais clientes.”

Pelo lado da Câmara Municipal de Lisboa, o foco está na atração de talento. “Com a saída da crise estamos a atrair uma série de grandes empresas para Portugal. Elas precisam de contratar e as universidades portuguesas não dão vazão”, explica Ana Margarida Figueiredo. “Para não perdermos esta onda queremos atrair talento deste pessoal tech, tais como os developers.” A CML levou para Austin a plataforma Made of Lisboa, que funciona como dinamizadora do ecossistema empreendedor da capital e já conta quase 500 empresas registadas.

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