South by southwest

Startup Portugal promove Hub Criativo do Beato no Texas

João Afonso, da Startup Portugal, Ana Margarida Figueiredo, da Câmara Municipal de Lisboa, Maria Miguel Ferreira, diretora da Startup Portugal, e Pedro Fortuna, CTO da Jscrambler (da esq. para a dir.), no stand português do SXSW
João Afonso, da Startup Portugal, Ana Margarida Figueiredo, da Câmara Municipal de Lisboa, Maria Miguel Ferreira, diretora da Startup Portugal, e Pedro Fortuna, CTO da Jscrambler (da esq. para a dir.), no stand português do SXSW

Stand português no festival South by Southwest promove startups, música nacional, teatro e empreendorismo

Ainda não abriu, mas a antecipação do que vai ser o Hub Criativo do Beato já está a transformar os bairros circundantes e a Startup Portugal quer aproveitar o momento para promover o empreendimento lá fora. Durante o festival South by Southwest, que decorre em Austin, Texas, a Startup Portugal organizou um painel de debate sobre a forma como os ecossistemas de startups estão a mudar os cenários urbanos e económicos das cidades. O painel foi liderado pela diretora Maria Miguel Ferreira, a responsável de empreendedorismo da Câmara Municipal de Lisboa Ana Margarida Figueiredo, o fundador da Tech Open Air em Berlim, Niko Woischnik, e o publisher da DIY Magazine Ruper Vereker.

“O Hub Criativo do Beato é provavelmente o maior hub de inovação e de tecnologia da Europa que existe neste momento”, diz ao Dinheiro Vivo Maria Miguel Ferreira. “Ainda não arrancou e já está a introduzir uma mudança absolutamente inacreditável nos bairros de Marvila e do Beato em Lisboa.” A diretora da Startup Portugal sublinha que as mudanças são visíveis: “a grande quantidade de artistas que se mudaram para lá, os novos projetos que abriram, desde fábricas de cerveja artesanal a gabinetes de arquitetos, estrangeiros que estão a reabilitar, os próprios fundos imobiliários internacionais estão de olho naqueles bairros porque perceberam que vai nascer ali qualquer coisa de novo”, referiu. “A Mercedes anunciou que vai transferir-se para lá e a Factory, que é a incubadora de Berlim, vai abrir um dos seus próximos hubs da Europa. “Há uma expectativa em relação ao que se vai passar nesta zona da cidade e tem tudo a ver com as comunidades empreendedoras.”

No painel, procurou-se discutir de que forma estas comunidades empreendedoras estão a transformar as paisagens sociais, económicas e imobiliárias das cidades um pouco por toda a Europa. “A ideia é discutir de que forma estas comunidades conseguem fazer parte mais da solução do que problema”, frisa Maria Miguel Ferreira. “Colocar em contraste a questão da gentrificação com as de integração de novas comunidades em zonas mais problemáticas das cidades.”

O painel foi um dos destaques da presença portuguesa no South by Southwest, que este ano é bem ambiciosa. A Startup Portugal tem um espaço no trade show do festival que alberga não só startups inovadoras, como a Jscrambler, Didimo, Loqr, Collector e Imaginary Cloud, mas também a plataforma Made of Lisboa da CML, o Teatro Circo, a Agência que promove o festival de curtas de Vila do Conde e a Why Portugal, que dinamiza a exportação de música nacional.

“Não investimos o mesmo que investem projetos como o Brasil ou a La French Tech porque não acreditamos que o tamanho do stand se traduza em mais leads e contactos”, explica a diretora da Startup Portugal. “Somos muito mais a favor de organizar eventos paralelos com investidores e com parceiros locais e envolvendo outras comunidades, como fizemos com Berlim e com Londres [no painel]. Achamos que isso tem muito mais impacto na multiplicação de contactos que propriamente a exposição de marca e o tamanho do stand.”

Embora a Startup Portugal não seja neófita no SXSW, no ano passado não teve um espaço no trade show, o que reflete o maior investimento que está a ser feito nas missões internacionais este ano. “É importante estar e que as pessoas tenham Portugal no top of mind quando pensam em parceiros na Europa”, diz a responsável. Por exemplo, a presença na edição do ano passado, com um painel que apresentava Portugal como “porta de entrada na Europa”, levou ao contacto com uma agência digital britânica que planeia mudar-se para o Porto. À luz do Brexit, o fundador da agência quer aproveitar os incentivos dados às empresas estrangeiras que se relocalizarem para Portugal.

Mais dinheiro para startups

A exposição do país, para a qual o Web Summit contribuiu decisivamente, está também a atrair maiores volumes de capital de risco – essenciais para fazer crescer o ecossistema de empreendedorismo. “Neste momento existe muito mais capital de risco do que existiu no passado”, diz Maria Miguel Ferreira, “e tem havido maior capacidade de captação de investimento estrangeiro.”

A Jscrambler, que desenvolve soluções de cibersegurança focadas em javascript, recebeu no início do mês uma injeção de 2,3 milhões de dólares da Sonae IM e da Portugal Ventures. A empresa está em Austin sobretudo para se promover, já que praticamente só fatura no mercado internacional. “Prospeção de clientes é o principal objetivo”, diz ao Dinheiro Vivo o diretor de tecnologia, Pedro Fortuna. “Vimos para ver quem está cá, as pessoas que vêm para desfrutar do evento e são potenciais clientes.”

Pelo lado da Câmara Municipal de Lisboa, o foco está na atração de talento. “Com a saída da crise estamos a atrair uma série de grandes empresas para Portugal. Elas precisam de contratar e as universidades portuguesas não dão vazão”, explica Ana Margarida Figueiredo. “Para não perdermos esta onda queremos atrair talento deste pessoal tech, tais como os developers.” A CML levou para Austin a plataforma Made of Lisboa, que funciona como dinamizadora do ecossistema empreendedor da capital e já conta quase 500 empresas registadas.

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