Tecnologia

Google aposta na segurança para fazer mexer negócio da cloud

Thomas Kurian assumiu o cargo de CEO da Google Cloud este ano. Foto: Direitos Reservados
Thomas Kurian assumiu o cargo de CEO da Google Cloud este ano. Foto: Direitos Reservados

No maior evento da Google Cloud na Europa, a tecnológica delineou a estratégia para alavancar o negócio no Velho Continente, focando atenções na segurança e na privacidade.

Sob a batuta do veterano Thomas Kurian, fresco no lugar de CEO, a empresa da Alphabet fez questão de mostrar no evento de Londres que está preparada para a “guerra da cloud” com um conjunto crescente de funcionalidades, em que a inteligência artificial e a segurança servem de cartas na manga. Já não se trata apenas de armazenamento de informação na cloud – a Google quer também atacar alguns dos desafios dos clientes empresariais, desde a área de contact center até ao desenvolvimento de aplicações, recorrendo a uma rede estratégica de parceiros. “Milhares de googlers trabalham todos os dias para desenvolver novos produtos. Desenvolvemos esta plataforma para que possam pintar a transformação da vossa empresa”, explicou Thomas Kurian, que assumiu o cargo de CEO da Google Cloud no início deste ano.

Kurian não é apenas mais um nome na indústria tecnológica: após 22 anos na norte-americana Oracle, aceitou o desafio de traçar o rumo de negócio da Google Cloud, uma área com potencial de crescimento para as receitas da Alphabet. Num ano, Kurian fez várias contratações estratégicas – um dos exemplos é a contratação de Chris Ciauri, vindo da fabricante de software Salesforce, para assumir o cargo de presidente para a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Chris Ciauri acredita que “os grandes investimentos feitos na organização estão ligados à construção do músculo que permita chegar ao mercado com opções para resolver problemas dos clientes”. No cargo desde setembro, o presidente da região EMEA reforça que será esse “músculo” de soluções diferenciadas a ter potencial para mudar a posição da Google no mercado da cloud. Atualmente, a empresa ocupa o terceiro lugar entre os fornecedores de serviços de infraestrutura de cloud, sendo ultrapassada pela Amazon Web Services e pela Microsoft Azure. “Acreditamos que estamos bem posicionados para liderar esse mercado – mesmo que não estejamos a liderar hoje. Há oportunidade para virar o jogo a nosso favor e para tornarmo-nos líderes.”

Para Ciauri, fatores como “as capacidades de machine learning e inteligência artificial, que são vistos como os melhores da indústria”, assumem-se como pontos-chave para o mundo da cloud.

Já sobre o mercado português, que diz manter “debaixo de olho”, o presidente da Google Cloud para a EMEA destaca as oportunidades a nível de talento – algo aliciante para a empresa. “É um mercado interessante da perspetiva de talento, um sítio onde muita gente quer estar, para criar hubs de talento. Acho que vão ver-nos a olhar cada vez mais para Portugal como um mercado onde queremos fazer algumas iniciativas ligadas a competências e a alavancar algum do talento do mercado.”

Segurança para a Europa

No evento deste ano, além de vários estudos de caso sobre as parcerias com clientes de vários setores, as principais atenções foram dedicadas justamente à privacidade e às soluções de segurança, à boleia do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, nascido na Europa. “A nossa missão é a de construir a cloud de maior confiança”, explica Suzanne Frey, vice-presidente da área de engenharia da Google, reforçando que o compromisso de segurança e conformidade com as normas regulatórias são “propostas diferenciadoras” da tecnológica. Para Frey, é algo que neste momento representa um ato de confiança”, sublinhou, antes de apresentar as novidades para a área de encriptação e segurança, descritas como um “compromisso para os clientes europeus”.

As novidades para a privacidade incluem a disponibilização de chaves de encriptação ou a possibilidade de escolha de armazenamento de dados especificamente na Europa. No panorama da segurança, servem de exemplo as soluções de segurança de centro de comando. Mesmo com o discurso da privacidade afinado para a Europa, Suzanne Frey defende que não são só estes clientes atentos à segurança. “Sabemos que a Europa, enquanto fundadora do RGPD, elevou a fasquia para a privacidade, mas é uma certeza que estamos a transmitir esta mensagem a nível global.”

*A jornalista viajou para Londres a convite da Google

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