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Thyssenkrupp investe em hologramas e IoT na velha indústria dos elevadores

Foto: REUTERS/Beck Diefenbach
Foto: REUTERS/Beck Diefenbach

Empresa alemã comprou quase 60 óculos HoloLens à Microsoft e vai usar sensores para prever falhas nos elevadores

No final do ano passado, o responsável mundial de comunicação da thyssenkrupp Elevator, o português Luis Ramos passou uns dias no Rio de Janeiro. Estava no 14º piso de um edifício com 16 andares e três elevadores.

“Chegou a um ponto em que só funcionava um elevador. Demorava 15 minutos a sair do prédio”, conta ao Dinheiro Vivo. Esta indústria, que vale 40 mil milhões de euros por ano, tem uma certeza incontornável: qualquer elevador vai dar problemas e parar.

“O standard mundial é que um elevador quatro a cinco vezes por ano, às vezes seis, para e tem que ser reparado. É muito”, sublinha Luis Ramos. A thyssenkrupp sabe que não vai conseguir eliminar as falhas, mas agora tem um plano para as prever e resolver de forma mais rápida. É por isso que está a investir fortemente nos óculos holográficos da Microsoft, HoloLens, e em Internet das Coisas (IoT).

Em ambos os casos, a fabricante de elevadores está a trabalhar com a Microsoft. Esta semana, anunciou um plano para levar a tecnologia de hologramas aos seus técnicos de reparação e manutenção. Os HoloLens são uns óculos de “realidade mista”, que introduzem hologramas no mundo real.

Foram anunciados em janeiro do ano passado e, por enquanto, estão apenas disponíveis para parceiros e programadores. Cada unidade custa 3000 dólares e a thyssenkrupp comprou perto de 60, segundo revelou ao Dinheiro Vivo o vice presidente executivo de engenharia e I&D da empresa, Fabio Speggiorin.

“Agora a ideia é começar a adquirir mais. Vamos testar todos os conceitos antes de avançar. O investimento é alto, mas com certeza vale a pena: a gente viu os benefícios aqui nos Estados Unidos.”

O projeto começou em novembro de 2015 e começou por ser aplicado no mercado norte-americano, com os 71 elevadores do One World Trade Center, em Nova Iorque, a servirem de bandeira. Foi neste mítico edifício, à porta do memorial do 11 de setembro, que as empresas anunciaram a parceria e mostrou os HoloLens com a aplicação desenvolvida para a thyssenkrupp.

Hologramas no mundo real

A versão que o Dinheiro Vivo testou é a primeira, dedicada a clientes empresariais da Microsoft. Os óculos não são propriamente leves (pesam 579 gramas), mas estão desenhados de forma ergonómica, que torna o uso confortável por longos períodos.

Ao contrário dos Google Glass, o espaço de visualização é grande. As lentes são transparentes, pelo que os hologramas ficam sobrepostos ao que está realmente à nossa frente. Têm uma unidade de processamento própria e funcionam como um computador com Windows 10.

É possível, por exemplo, acionar a assistente digital Cortana com comandos de voz e entrar no navegador Edge. Os dedos servem como rato, havendo dois gestos de controlo que são fáceis de aprender. No caso da aplicação desenvolvida pela thyssenkrupp, é possível ver o esquema interno do elevador numa representação 3D.

“Muitas vezes, o técnico não traz o manual correto”, explica Fabio Speggiorin. “Com esse equipamento, tem tudo disponível à vista. Consegue ir buscar o manual, o diagrama, e se precisar auxílio remotamente, inicia uma chamada de Skype e vai ter alguém disponível na manutenção.”

O especialista, que pode estar num país diferente, verá exatamente o que o técnico no local vê e irá guiar a sua ação. Ao mesmo tempo, o técnico tem as mãos livres para trabalhar e pode ir dando comandos de voz para fazer pesquisas e encomendar componentes.

No mundo inteiro, a thyssenkrupp tem 24 mil técnicos de manutenção e reparação. A ideia é ter um HoloLens por edifício. Em Portugal, onde a empresa alemã tem 450 trabalhadores, 130 são técnicos. “Para avançar com um investimento deste tipo, tivemos de fazer muitas experiências e verificar se realmente ia ser-nos útil. Estamos a verificar quase sempre reduções na ordem de quatro vezes no tempo de execução.” Ou seja, o elevador estará novamente operacional em muito menos tempo.

Internet dos Elevadores

O passo seguinte é evitar que o elevador avarie, pelo que a thyssenkrupp começou a investir num processo a que chama de “manutenção preditiva.”

Consiste na aplicação de sensores no controlador do elevador, que regista o uso de energia por cada componente. Esses dados são enviados para a plataforma de computação na nuvem da Microsoft, Azure, e analisados por um algoritmo de machine learning.

“Através das flutuações de energia que cada componente utiliza, consegue perceber-se como está o ciclo de vida desse componente”, explica Luis Ramos, “dando uma estimativa do tempo de vida remanescente.” Este projeto chama-se MAX e começou em 2014.

“A nossa ideia é, até ao final de 2017, ter 180 mil elevadores já conectados com isto, e depois continuar a subir.” O executivo indica que “Portugal vai beneficiar do rollout em Espanha”, onde a thyssenkrupp tem fábricas e centros de desenvolvimento.

As vantagens são óbvias: conseguir passar da reação à previsão. “O técnico começa a receber alertas e consegue corrigir falhas antes de acontecerem.” Um avanço crítico numa indústria com 12 milhões de elevadores em todo o mundo, que transportam quase mil milhões de pessoas todos os dias.

 

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