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Trojan Horse was a Unicorn: “Grândola deu-nos um porco como patrocínio”

André Lourenço fundou o maior evento do mundo de animação 3D e arte digital há três anos, em Portugal.
André Lourenço fundou o maior evento do mundo de animação 3D e arte digital há três anos, em Portugal.

O <a href="https://trojan-unicorn.com/" target="_blank">Trojan Horse was a Unicorn</a> está de partida de Portugal. O evento despediu-se do país onde nasceu na terceira edição, que decorreu entre 15 e 19 de setembro, em Tróia. Entre as razões principais para a despedida está, garante o fundador André Lourenço, o facto de Portugal não perceber o evento e... contas feitas, não ajudar à sua realização.

“O THU nunca teve grande projeção em Portugal, as pessoas não entendem a nossa área, e assumem-nos como um festival de cinema. Não percebem, de todo, o impacto da nossa indústria e acima de tudo do nosso projecto, o THU”, esclarece André Lourenço, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Prova desse desinteresse é o feedback que André recolheu para um evento que custou 600 mil euros, 40% cobertos pela bilheteira (o restante foi assegurado por patrocinadores internacionais): segundo conta, o pedido de ajuda foi passado do Turismo de Portugal para o Turismo do Alentejo, uma vez que o mesmo acontece em Tróia.

Leia mais: 8 razões para não perder o evento que traz Hollywood a Portugal

Por sua vez, o Turismo do Alentejo não considerou estratégico o apoio ao evento, cuja assistência conta com 90% de estrangeiros, vindos de 59 países. “Grândola deu-nos um porco como patrocínio. Achei que não chegaria, agradeci e disse que para 900 pessoas era pouco. Ofereceram dois”, conta André.

O THU foi considerado o melhor evento do mundo dentro da sua indústria. Entre os nomes trazidos por André a Portugal, nos últimos três anos, estão o embaixador Scott Ross (trabalhou com George Lucas e co-fundou a Digital Domain, uma das empresas de referência na indústria publicitária), Andrew Jones (vencedor do Óscar para Efeitos Visuais com o filme Avatar e responsável pelos efeitos visuais de Titanic), Syd Mead (criador do universo de ficção de Blade Runner) e Sven Martin (responsável pelos efeitos visuais da série Game of Thrones). Este ano, o programa contou com Paul Briggs, autor do filme de animação Frozen..

Os bilhetes estavam esgotados desde março, cerca de meio ano antes do evento. Estiveram por Tróia meios de comunicação relevantes, desde o New York Times ao The Guardian, Hollywood Reporter e Monocle.

Este ano, além do evento, muitas empresas internacionais escolheram Portugal para contratar: a Disney e a Blizzard aproveitaram o evento e vieram à procura de talento, tornando o THU uma das maiores feiras de recrutamento desta indústria.

Leia mais: Esta semana, Hollywood encontra-se em Tróia

Num evento que traz a Portugal centenas de estrangeiros, muitos opinion leaders, numa marca que tornou referência mundial sendo chamada a estar presente pelo mundo inteiro, 50 nacionalidades on site, e já 47 nacionalidades online ( com Australia a estar entre os paises que mais compram online), e temos a Câmara Municipal de Grândola a dar um porco como patrocínio, Setúbal e Lisboa a dizerem que o THU não interessa, e o Turismo a dizer que não tem dinheiro…”, analisa.

Por isso, André está entre quatro propostas: agora vai viajar aos países e tentar perceber para onde parte o THU, já no próximo ano. “Financeiramente o evento está bem, esgotámos, temos ótimos patrocinadores internacionais e uma comunidade fantástica. Mas também temos pedidos de vários países para receberem o nosso evento, que entendem o nosso trabalho e a mais-valia na economia e turismo. O nosso país não entende e, por isso, vamos sair de Portugal no próximo ano“, conclui André.

O Dinheiro Vivo tentou contactar o Turismo do Alentejo mas até ao momento não foi possível obter resposta. Já o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredoafirma que a escolha de eventos que o Turismo de Portugal escolhe patrocinar é criteriosa e sempre em linha com o objetivo de comunicar Portugal como um destino de forma coerente.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, a propósito das críticas apontadas por André Lourenço, fundador do Trojan Horse was a Unicorn, João Cotrim de Figueiredo falou do processo de escolha de eventos que o Turismo de Portugal apoia e dos critérios de seleção. “A escolha parte normalmente de uma candidatura que todos os organizadores de eventos podem fazer. Nesse processo, o Turismo de Portugal tem dois critérios de seleção fundamentais: tratar-se de um evento que represente um número interessante de dormidas ou uma proposta que se enquadre na estratégia de Portugal para comunicar-se enquanto destino”, explicou ao Dinheiro Vivo.

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