Última moda nos EUA: jantares de amigos para discutir a morte

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“Vamos jantar e falar sobre a morte”, antes que seja tarde demais. Este é o lema da mais recente moda dos Estados Unidos. No último mês, centenas de norte-americanos organizaram, por todo o país, os chamados “death dinners”, criados para acabar com o tabu à volta da temática da morte. Aqui discutem-se questões financeiras e relacionadas com serviços de saúde, a fim de evitar sofrimento desnecessário nos últimos tempos de vida. Este é um assunto que se tem tornado cada vez mais presente na vida dos “baby boomers”, nascidos entre 1946 e 1964, cujos pais, na sua maioria, já faleceram, e que agora se deparam, também eles, com a sua própria mortalidade.

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Cerca de 70% dos adultos norte-americanos não tem um testamento vital, ou seja, um documento que determina as intervenções médicas a que querem ou não ser submetidos caso estejam incapacitados de comunicar, de acordo com dados divulgados pelo Pew Research Center. O mesmo instituto conclui que 30% dos americanos com 65 ou mais anos de idade não tem um testamento onde conste o que deverá acontecer aos seus bens quando falecerem.

“A geração ‘baby boomer’ pôde tomar muitas das suas próprias decisões e viu a sua vontade satisfeita por várias vezes”, considera a diretora do lar de idosos Nathan Adelson Hospice, Carole Fisher, citada pela Bloomberg. Fisher também aderiu aos “death dinners” e, no mês passado, organizou um destes jantares para a sua família e amigos no sul da Califórnia. “Quando falamos sobre morte, percebemos que não temos controlo sobre isso. A única coisa que podemos controlar é comunicar quais são as nossas necessidades e últimos desejos”.

Atualmente, nos Estados Unidos, a maioria dos óbitos ocorre em hospitais ou estabelecimentos médicos, frequentemente depois de intervenções cirúrgicas que implicam o uso de ventiladores, sondas de alimentação ou outros dispositivos de suporte vital.

Já em Portugal, os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a esperança média de vida era, em 2011, de 76,7 anos para os homens e 86,6 anos para as mulheres. A esperança média de vida tem vindo a aumentar desde que há registo destes dados (em 2000, a esperança média era de 72,9 e 79,9 para os homens e para as mulheres, respetivamente). Ainda assim, as doenças prolongadas continuam a ser a maior causa de morte no País: em 2011, segundo o INE, 30,7% dos óbitos foi causado por doenças do aparelho circulatório (hipertensão e doenças cardiovasculares).

O testamento vital só está disponível em Portugal desde agosto de 2012. Desde que a lei entrou em vigor, e até julho deste ano, foram apenas elaborados cerca de cem testamentos vitais em todo o país, segundo dados do Registo Nacional do Testamento Vital (RENTEV).

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