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“Um custo (e atraso) excessivo do 5G vai limitar Portugal”, alerta a Ericsson

Crédito: Ericsson
Crédito: Ericsson

Ericsson admite estar preparada para massificar 5G em Portugal “já amanhã”, mas admite preocupação com atrasos devido à pandemia. “O país tem tudo a ganhar em não ficar para trás no 5G”.

Quando é que Portugal terá 5G de uma forma comercial e com vantagens claras face ao 3G e 4G que já existem? A Ericsson Portugal não tem uma resposta para isto, até pelos atrasos provocados pela pandemia. No entanto, alerta as autoridades do País que a quinta geração de redes móveis (5G) deve começar a ser implementada “o mais rápido possível” com a “libertação do espectro e do leilão de frequências”.

Quem o diz é Luís Muchacho, diretor de pré-venda de redes da Ericsson, numa videoconferência de imprensa esta semana onde estivemos presentes. Apesar dos atrasos “justificados” provocados pela pandemia, a Ericsson Portugal “está completamente pronta para lançar em Portugal o 5G” e espera pelos novos prazos que terão de ser definidos pelas autoridades reguladoras – Autoridade Nacional das Comunicações e Governo. “Estamos preparados para o 5G já amanhã”, admite mesmo o responsável que quer o processo a ser retomado “o mais depressa possível”.

E que áreas do 5G podem fazer a diferença para o país? Luís Muchacho acredita que o 5G vai trazer “vantagens claras” na hora de explorar áreas “que não são possíveis hoje, como telemedicina e carros autónomos” que requerem uma baixa latência que ainda não existe. E mesmo que em tempos de pandemia não tenham havido problemas de maior no acesso às redes móveis – na verdade, em teletrabalho foram as redes de casa que foram mais sobrecarregadas -, as videoconferências fiáveis e sem paragens também têm algo a ganhar com o 5G.

O responsável faz ainda um apelo: que o 5G não tenha um custo incomportável numa altura em que o dinheiro, devido à pandemia, escasseia ainda mais do que antes do novo coronavírus. “O espectro deve ser gerido de forma racional e olhando para o momento atual, deve ser valorizado mas, por outro lado, há um potencial catalisador e mobilizador da economia portuguesa que deve fazer os responsáveis pelo processo a não colocarem um custo excessivo para não limitar o 5G a apenas algumas zonas restritas”, explica Luís Muchacho.

Outro dos participantes no evento, Nuno Roso, líder de serviços digitais da Ericsson Portugal, admite que tem recebido do Governo “sinais encorajadores para o retomar do processo”. “Acreditamos que essa discussão tem que ser feita e tem que avançar para a frente”, admite, acrescentando que depois de muitas experiências feitas com os operadores de telecomunicações “chega a um ponto em que, sem a disponibilização de mais infraestrutura, do ponto de vista das frequências”, não é possível avançar mais e de forma real.

Duas fases no 5G em Portugal

Luís Muchacho complementa explicando que o potencial imediato do 5G em Portugal passa pelas cidades, dando maior capacidade às redes urbanas que estão a precisar de cada vez de maior volume de dados, mas também nas zonas rurais. “Nesse caso será possível, através de duas faixas de frequências, ter uma delas a fazer a diferença na cobertura deficiente que existe agora em muitas zonas rurais ou de interior”, admite. Aí pode entrar em ação o chamado Dynamic Spectrum Sharing, uma tecnologia da Ericsson comercialmente à venda desde o início do ano e que permite usar tanto 4G e 5G na mesma banda e antena, através de um upgrade de software.

Nesse caso já se poderá ver maior utilização de serviços com realidade aumentada ou virtual, com os operadores a terem de usar soluções criativas para criar pacotes de novos serviços (como ver jogos de futebol ou jogar videojogos em realidade virtual) que o 5G permite. “É o exemplo sul-coreano, onde de forma criativa criaram pacotes premium com 5G trazem também novos serviços que acrescentam valor direto”, admite.

Numa segunda fase, o diretor de pré-venda de redes da Ericsson admite que será “libertado” o potencial do 5G de alto débito e baixa latência na chamada indústria 4.0 e nas indústrias críticas (onde está a telemedicina). Nuno Roso acrescenta que há, no entanto, um caminho mais rápido para a indústria beneficiar da capacidade do 5G em vez de redes internas que usem cabos, “será o de criar redes privadas de 5G para as indústrias e não esperar, assim, por uma cobertura abrangente”.

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