“Uma tatuagem é um bocado dos artistas que fica na pessoa para sempre”

Carlos Amorim, tatuador e organizador da InkVibrations
Carlos Amorim, tatuador e organizador da InkVibrations

Há cada vez mais portugueses a aderir às tatuagens. Esta é a convicção de Natacha, relações públicas da<a href="http://www.bad-bones.com/" target="_blank"> Bad Bones Tattoo</a> e de <a href="https://www.facebook.com/pages/Carlos-Amorim-Tattoo/335514023276110?sk=timeline" target="_blank">Carlos Amorim</a>, tatuador, proprietário do <a href="http://familiaamorim.com/" target="_blank">estúdio Família Amorim </a>e um dos organizadores (outro é Theo Pedrada, da <a href="https://www.facebook.com/pedradatattoo?fref=ts" target="_blank">Pedrada Tattoo</a>) da InkVibrations, que decorre desta sexta-feira a domingo, na Sala Tejo do Meo Arena, em Lisboa.<a href="http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/interior.aspx?content_id=4627659" target="_blank"> Ler mais aqui</a>.

Há cerca de 20 anos no Bairro Alto, em Lisboa, Natacha confirma que os “portugueses estão mais virados para as tatuagens porque viajam mais, assimilam mais informação e novos costumes, sobretudo vindos dos EUA – é o american dream, que a mim não me seduz.”

Crua na análise do meio, a relações pública do estúdio onde é estrela o marido e tatuador Fontinha, fala também do contributo dos “programas de televisão sobre o tema, que vieram influenciar muita gente.” É o caso de “Miami Ink, que abriu a mente dos portugueses, no sentido deles perceberem que os tatuadores são pessoas normais, têm filhos, casas, também choram, também têm problemas de saúde e não são fora da lei.”

No entanto, Natacha alerta que houve uma grande exploração comercial do tema, e explifica: “uma rosa que podia custar 100 euros, passa a custar 300”. Para Natacha, o importante era ter sido comunicada informação sobre higiene, cuidados, forma de atendimento.

“Aquele palerma [Ami James], que esteve cá no Rock In Rio [em 2014] não fez nada”, critica, apontando: “as pessoas ficaram muito loucas com ele, mas isso não é arte, nem tatuagem, é só business”, reforça, apesar de admitir que se inspirou no horário de funcionamento dos estúdios norte-americanos. Abre um pouco mais tarde para fechar às 10 da noite.

Situada no n.º 85, da rua do Norte, no Bairro Alto, o estúdio vai resistindo ao encerramento de lojas tradicionais vizinhas que davam colorido ao bairro. Natacha queixa-se desta descaraterização da zona e das rendas altas, que afastaram quem podia querer voltar. “Para pagar uma renda aqui, é preciso trabalhar muito, além dos materiais que são muito caros”, diz.

Em relação à concorrência, Natacha afirma que não tem. “Sair para fora, como nós fomos, ajuda as pessoas a ter a cabeça mais aberta e trabalhar com grandes artistas faz-nos sentir que não somos pequeninos, ainda que ache que pequenino depende da mentalidade de quem quer ser pequenino.”

Quanto à nova geração de tatuadores, na casa dos 20 e poucos anos, Natacha não tem papas na língua: “São péssimos”. E justifica: “Como não sabem fazer mais nada, vão para tatuadores, não sabem desenhar.” É preciso vocação, sim, mas aprender também.”Acham que sabem tudo, não querem explicações, perguntar é uma vergonha para eles. E depois, daí a um ano vão cortar cabelos. Nesta profissão, pensar que já sabemos tudo é estarmos acabados. É preciso ir testando novas técnicas e viajar ajuda”, insiste.

Em relação aos preços que praticam, Natacha não tem dúvidas: “é uma geração que pensa que tatuar é uma forma de fazer dinheiro fácil. E não é”, frisa prontamente, apontando os custos: tintas, agulhas, lixo, IVA, telefone, Internet, tudo… “Há meses que são melhores, meses que são piores. É ir gerindo, a altura do Natal é péssima”, diz, confessando ainda hoje desconhecer a razão.

“Depois há pessoas que acham cara uma tatuagem de 50 euros”, critica indignada. “Um perfume custa 80 euros e gasta-se, uma tatuagem não só dura a vida inteira, como é um bocado de nós, artistas, que fica na pessoa para sempre”, defende Natacha.

Por isso, orgulha-se de escolher o seu cliente, sem descriminar ninguém. “Escolho o meu cliente pelo meu trabalho, pela forma de atender, pelo que ofereço. E o cliente que me procura, sabe porque o faz. Nós aqui não vamos ao catálogo buscar as coisas, a pessoa diz-nos o que quer e o artista vai fazer na hora”.

E quando recebem alguém, que “muitas vezes chega às escuras, temos de ajudar, pois vêm preocupadas, com medo de perguntar pelas regras de higiene, pelos direitos que têm”, diz.

E no estúdio Bad Bones Tatoo é tudo explicado. Já perguntar é que é mais complicado. Como por exemplo, se a pessoa tem doenças. “A lei não permite que se pergunte se a pessoa é portadora de HIV, se é hepilética, tem esclerose múltipla ou hepatite. As pessoas é que nos dizem voluntariamente”, refere Natacha.

Mas o estúdio vive também dos clientes que o acompanham há muitos anos. “E durante esse tempo percebemos que o português deixou de ter dinheiro, até mesmo os estangeiros, já discutem preços”, diz Natacha. Segundo ela há pessoas que vêm passar o fim-de-semana a Lisboa e aproveitam para se tatuar.

Numa época de maior austeridade até a participação nas convenções tem de ser ponderada. “Antes íamos a duas ou três por mês – Londres, Estolcomo, Itália, Dinamarca ou EUA”, lembra. Agora vai às mais importantes, pois é um investimento que tem de compensar.

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Uma dessa convenções acontece este fim-de-semana no Meo Arena, a InkVibrations. Um dos seu organizadores, o tatuador Carlos Amorim confirma a razão dos portugueses estarem a pintar o corpo. “É algo que sempre existiu em Portugal, só que agora é mais divulgado e já não é visto como algo marginal”, explica.

Defendendo que este é um negócio como outro qualquer, o tatuador aponta preços indicativos: mínimo é 60 euros, a parte mais complexa depende de tatuador para tatuador. E das sessões necessárias. Uma tatuagem mais complexa pode ira aos mil euros.

E quem faz tatuagens? “Todos os tipos de pessoas e extractos sociais, das mais variadas profissões”, responde o tatuador, acrescentando que “hoje em dia os clientes já são mais exigentes, já procuram os tatuadores pelo seu tipo especifico de estilo de tatuagens e características.”

Ver também: Sabe como atuam as agulhas da tatuagem na sua pele?

E se a moda passa, nascerá um novo negócio – por exemplo, de clínicas de remoção de tatuagens? “Pensamos que não”, pois “se nos apercebermos que a pessoa que está a fazer a tatuagem apresenta indecisão, aconselhamos a não fazer”, diz Amorim, convicto de que “quem faz uma tatuagem não pensa em removê-la.”

Ver também: Como é ter tatuagens quando for velho? Muito fixe

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