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VidCon: todas as formas de fazer dinheiro no YouTube

YouTube na VidCon 2018/Ana Rita Guerra
YouTube na VidCon 2018/Ana Rita Guerra

Premieres, merchandising e assinaturas são as novidades lançadas pela plataforma de vídeo para ajudar os criadores a aumentarem o rendimento

O número de Youtubers que ganham mais de 100 mil dólares aumentou 40% no último ano e a plataforma de vídeos quer ajudar mais criadores a ganharem a vida no site. Depois de um ano conturbado, com polémicas em torno de canais controversos, anunciantes zangados e assédio, o YouTube lançou uma série de novidades desenhadas para aumentar o rendimento dos Youtubers e o envolvimento da comunidade utilizadora. Premieres, Merchandising e Channel Memberships foram anunciadas durante a apresentação da empresa no arranque da VidCon, a maior conferência de vídeo online do mundo.

“A paixão dos criadores e os seus fãs construíram uma economia completamente nova que está a crescer exponencialmente”, afirmou o diretor do YouTube, Neal Mohan, na conferência. “Acreditamos que os criadores devem ter mais formas de fazerem mais dinheiro”, afirmou.

E eis o que vem aí de novo: as subscrições de canais, em que os fãs poderão pagar uma mensalidade pequena (cerca de 5 euros) para terem acesso a conteúdos exclusivos; a criação de merchandising e venda direta no canal, uma funcionalidade que começa com cerca de vinte opções de produtos para os criadores; e a Premieres, uma ferramenta que permitirá transmitir conteúdos pré-gravados como se estivessem ao vivo. Um conceito de estreia inspirado na televisão, cujo intuito é reunir fãs de todo o mundo ao mesmo tempo a consumir o mesmo conteúdo, gerando um potencial enorme de inserção publicitária. “Será como ter uma audiência mundial na mesma sala de cinema”, disse Mohan.

Da cartola o executivo também tirou uma funcionalidade copiada das outras redes sociais, o YouTube Stories, que permitirá aos criadores publicarem pequenos vídeos não editados de forma muito semelhante ao Snapchat, Instagram e Facebook.

Estas novidades não vão chegar a todos os Youtubers, apesar de Mohan ter referido que serão progressivamente disponibilizadas a mais criadores. O YouTube Stories estará disponível mais para o final do ano para quem tem mais de dez mil seguidores. No caso da subscrição de canais, esta ferramenta estará disponível a quem tenha mais de 100 mil seguidores. Os testes iniciais feitos com um pequeno grupo de Youtubers correram bem, disse o executivo, referindo o caso de Mikefalzone, que triplicou as suas receitas, e de Simon and Martina, que em dez dias angariaram mil assinantes.

A funcionalidade que estará disponível para canais mais pequenos é a montra de merchandising, acessível a partir dos dez mil assinantes. A má notícia é que começa apenas nos Estados Unidos, estando prometida uma expansão para outros mercados. O conceito é interessante: o criador tem à escolha cerca de vinte produtos, como t-shirts, canecas e casacos, fornecidos através de uma parceria com a Teespring. Escolhidos os produtos, o criador pode montar uma “prateleira” virtual de merchandising que aparece logo em baixo da descrição do vídeo. Mohan deu o exemplo do Youtuber por detrás de Lucas The Spider, que em 18 dias encaixou um milhão de dólares ao vender 60 mil peluches.

É mais ou menos nesta linha que os canais de música e bandas têm agora integradas informações de concertos e links diretos para a compra de bilhetes. Mohan falou ainda da Famebit, uma empresa que o YouTube comprou em 2016 e que serve para conectar os criadores e as marcas. “Estamos a acrescentar novas ferramentas para tornar mais fácil às marcas medirem o sucesso destas parcerias”, revelou o executivo. Os criadores podem também “monetizar as relações com marcas mantendo-se fieis ao seu estilo e à sua voz.” Nos primeiros três meses de 2018, 50% dos canais integrados na Famebit duplicaram as suas receitas, disse Mohan.

Da controvérsia à reconciliação

O último ano foi difícil para o YouTube, devido a sucessivos escândalos relacionados com conteúdos polémicos, comentários predatórios e a onda de anunciantes que retiraram publicidade da plataforma quando descobriram que os seus anúncios apareciam nestes vídeos ou canais. As mudanças de regras do site levaram a uma quebra de rendimentos com publicidade dos criadores e houve também um investimento em analistas humanos em detrimento dos algoritmos de escrutínio da qualidade dos conteúdos.

Neal Mohan não ignorou o problema. “Estamos a mudar a forma como pensamos no trabalho que fazemos”, disse, referindo que o site está a eliminar spammers, pessoas que se fazem passar por outras e personalidades negativas. “Queremos pôr o foco no bem estar digital”, garantiu o executivo. Mohan garantiu também que o YouTube não está a fazer isto porque é a melhor opção para o seu negócio, “mas sim porque é a coisa certa a fazer.”

Certo é que há muita coisa a mudar na empresa e que a CEO Susan Wojcicki decidiu não estar presente nesta VidCon nem dar a keynote, como é habitual – a executiva trocou a conferência de vídeo pelo festival Cannes Lions, em França. As novas ferramentas para os criadores são a tentativa mais evidente de reconciliação da plataforma com aqueles que a fazem mexer todos os dias.

Esta é a nona edição da VidCon, que decorre em Anaheim, Califórnia até domingo e reúne 25 mil participantes de todo o mundo.

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