Euro2016

Vitória de Portugal gera retorno de 609 milhões

O Estádio Carlsberg na Praça do Comércio, Lisboa, tem sido um dos pontos mais procurados pelos adeptos para ver os jogos da seleção e este sábado deve registar nova enchente para a final. Fotografia:  Pedro Rocha / Global Imagens
O Estádio Carlsberg na Praça do Comércio, Lisboa, tem sido um dos pontos mais procurados pelos adeptos para ver os jogos da seleção e este sábado deve registar nova enchente para a final. Fotografia: Pedro Rocha / Global Imagens

Estudo do IPAM estima em mais de 332 milhões de euros o impacto total na economia do percurso da seleção após a fase de grupos.

Se Portugal vencer este domingo a França e se tornar o novo campeão europeu de futebol, a economia nacional sairá também vencedora. Um estudo do IPAM – The Marketing School garante mesmo que o impacto económico da vitória se traduz em qualquer coisa como 609 milhões de euros, dos quais 213 milhões se referem, apenas, à presença e à vitória nas meias-finais e na final.

Elaborado pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, o estudo calculava em 438 milhões de euros o impacto económico caso Portugal não tivesse passado a fase de grupos. Destes, 161 milhões resultavam do acompanhamento do Euro sem a seleção nacional.

Portugal campeão europeu vale, então, os tais 609 milhões acumulados, valor que tem em conta indicadores de impacto vários, como os prémios de jogo, as vendas de merchandising, as viagens de avião, a publicidade, bem como as apostas online, a venda de jornais e a pay-tv.

Obviamente, o consumo na restauração e o consumo em casa em dias de jogos é, também, contabilizado, bem como as vendas de televisores. As marcas e as cadeias de retalho aproveitam o momento alto que é o Campeonato Europeu para aumentar o esforço promocional e maximizar vendas, sobretudo dos televisores de maiores dimensões e nos modelos tecnologicamente mais avançados e com maior definição. E os resultados não se fazem esperar, com as vendas a duplicar neste período.

As bebidas, e em especial as cervejas, são outro dos setores com grande dinamismo nestas alturas. Aliás, como recorda o economista João Duque, as empresas cervejeiras assumem que, por si, poderia haver campeonato do mundo e da Europa todos os anos. “Embora, do ponto de vista das cervejeiras globais, era muito melhor ter um França-Alemanha na final do que um França-Portugal”, diz o economista.

Duque reconhece não ter dados para estimar impactos económicos do Euro, mas admite que “tudo ajuda a marca Portugal, mete-a na cabeça das pessoas”. Quanto a isso levar a um aumento do turismo, é outra coisa: “Portugal está na moda, mas são as companhias como a Ryanair e a easyJet que põem os países na moda”, lembra. O Euro e uma eventual vitória portuguesa é sempre “um catalisador, é mais uma coisa a ajudar a manter a marca Portugal em alta”.

Números é coisa que a Unicer também não dá, recordando que o verão é, por natureza, uma época “particularmente importante” para o consumo de bebidas e em especial cervejas. E isso resulta de uma conjugação de vários fatores. A começar pela maior predisposição das pessoas para saírem de casa e conviver com família e amigos, “com um impulso importante para o canal de vendas da hotelaria e restauração, muito relevante” na atividade da empresa. Por outro lado, há as férias e o aumento do fluxo turístico a incrementar vendas. E há, também, “a concentração de grandes eventos, como os festivais de música ou, claro, o campeonato europeu de futebol, da qual a nossa marca Carlsberg é a cerveja oficial”, refere fonte da Unicer, sublinhando que o facto de Portugal continuar em competição tem ajudado a “impulsionar mais momentos de convívio, beneficiando o consumo”. Em resumo, “o consumo interno tem mostrado uma tendência positiva e estes meses são determinantes para as vendas.”

O presidente da PRO.VAR – Promover e Inovar a Restauração Nacional, reconhece que este é um setor que “sai altamente favorecido” com a presença de Portugal na final, admitindo que haverá “um aumento substancial” do volume de negócios de tudo o que são cafés, snack-bars e restaurantes. Os que têm televisão, claro. “O futebol tem um efeito importante a nível económico, porque as pessoas gostam de se rodear da família ou dos amigos para ver os jogos e festejar. E, claro, a soma de vitórias aumenta o impulso de consumo, mas não há forma de quantificar o efeito Euro”, diz Daniel Serra.

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, concorda, mas lembra que há o reverso da medalha: “Claro que em dias de jogos aumenta o consumo de cerveja, de refrigerantes, de aperitivos. Mas, em contrapartida, os restaurantes que não têm televisão ficam a zeros.”

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