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W3C quer criar botão que funcione em todos os sites nos pagamentos online

Fotografia:   REUTERS/Kacper Pempel
Fotografia: REUTERS/Kacper Pempel

O consórcio está a trabalhar num formato único que facilite a utilização e aumente a segurança nas transações

Quando a Amazon surgiu, nos anos 1990, patenteou o processo de compra online com um botão apenas. Era um conceito revolucionário no segmento nascente do comércio eletrónico: a possibilidade de comprar num clique, sem ter de passar pelo processo de check out onde tantos consumidores desistem. Talvez isso explique o sucesso gigantesco da retalhista e a dificuldade de tantos outros.

Quem faz compras em vários sites sabe que terá de preencher um formulário final que pede informações diferentes, demora vários minutos e não é nada amigo do utilizador em ecrãs como o do smartphone.

Portanto, a ideia de ter um formato standard, uma espécie de botão universal que funcione em todos os sites, é ambiciosa e excitante para qualquer indústria. É nisso que está a trabalhar o W3C (World Wide Web Consortium), o organismo que trabalha nos standards da web.

“O W3C não olhou para isso com grande atenção nos primeiros anos [da web], porque o foco era muito mais partilhar informação e menos o lado de negócio das coisas”, explica ao Dinheiro Vivo Jeff Jaffe, CEO do W3C. “Mas, neste momento, é claro que o lado de negócio é muito importante e o facto de os pagamentos na web terem tanta ausência de estandardização contribui para os problemas de segurança”, sublinha.

Há cerca de um ano, o organismo decidiu que era preciso ter uma abordagem standard para os pagamentos via browser, e começou a trabalhar nisso. O resultado será visível já em 2016: até ao final do ano, vários navegadores comprometeram-se a ter isto implementado. “Isso vai ajudar à utilização e também ajudará do ponto de vista de segurança. Quando a transação é extremamente bem gerida, porque há um formato simples e standard para a mesma no navegador, as probabilidades de problemas de segurança são mais baixas do que quando está tudo desorganizado”, afirma o responsável.

A especificação ainda está a ser desenvolvida, mas a ideia é que, quando o consumidor compra alguma coisa, o seu navegador já tenha informação de quais os cartões que usa e possa negociar com o retalhista em seu nome qual o melhor meio de pagamento. “Com o tempo, essa conexão pode ser muito mais desenvolvida, com mais valor acrescentado.” O navegador irá armazenar os dados do utilizador, que só tem de a digitar uma vez. Depois, o processo de compra é facilitado e acelerado, até se chegar a este “botão único.”

Este trabalho foi um dos que estiveram em destaque no encontro anual do W3C, em setembro, que neste ano foi organizado em Lisboa. Jeff Jaffe revela que foi um dos maiores de sempre em número de participantes, empatado apenas com a edição de 2015. “Há muito interesse no que se passa, que tem sido impulsionado pelo impacto da web, não apenas na sociedade mas também em indústrias específicas.”

O plano de padronização dos pagamentos está intimamente relacionado com o problema da segurança online, que é neste momento o maior foco da organização. O próximo passo é uma especificação que pretende levar os cibernautas a usar autenticação em dois passos, deixando de usar palavras-passe. “São intrinsecamente inseguras”, declara Jaffe. Neste método que o W3C quer implementar de forma global, o utilizador recorre a um aparelho que tenha sempre consigo, normalmente o smartphone, para completar o processo de autenticação.

“É um processo em duas fases. A fase número um é conseguir as implementações nos principais navegadores web, porque sem isso nada vai acontecer. E há um desenvolvimento social que tem de acontecer, quando as pessoas se sentirem confortáveis a usar isso como forma de proteger a sua segurança”, frisa o responsável. Alguns navegadores terão isto implementado no fim do ano. Jaffe aposta sobretudo no impulso dado pelos sites de grandes empresas, em especial financeiras, que guardam informação com valor associado. “A combinação de problemas de segurança com sites e grandes empresas a quererem que a informação dos utilizadores esteja protegida irá fazer que a implementação seja mais rápida do que muitos esperam.”

Com 70 pessoas e um orçamento anual de dez milhões de dólares, o W3C também está envolvido noutras frentes. Uma é a criação conjunta de standards de livros eletrónicos com a International Digital Publishing Forum (IDPF), outra é o desenvolvimento de uma interface de programação para conteúdos televisivos em streaming.

“A tecnologia web continua a de-senvolver-se a um ritmo estonteante. O que acho que mudou nos últimos dez anos é o foco da web, da partilha de informação para ser uma infraestrutura vital para os negócios”, indica o executivo. “O que estamos a ver hoje em várias indústrias é confiarem de forma muito mais profunda na web para ser o seu mecanismo principal de distribuição. Não estamos apenas a promover filmes, estamos a distribui-los pela web.”

Ou seja, nunca foi tão importante garantir a standardização. “Essa colisão entre necessidades de negócio e a web exige novos requisitos e está a impulsionar a inovação e a aumentar o nível de qualidade da infraestrutura.” Algo que teria sido difícil imaginar há 25 anos, quando Tim Berners-Lee – que esteve na conferência em Lisboa – criou a world wide web.

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