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Wearables de pulso disparam 29% com Xiaomi à frente da Apple

Xiaomi Mi Band
Xiaomi

Vendas de pulseiras de fitness e relógios inteligentes estão em alta e a marca chinesa foi a que mais vendeu no segundo trimestre

A utilização de pulseiras e relógios para monitorizar o exercício físico, ver notificações e fazer pagamentos tornou-se mais popular no segundo trimestre de 2019, com uma subida de 28,8% das vendas para 34,2 milhões de unidades. Os dados acabados de publicar pela consultora IDC mostram que a Xiaomi é a marca mais popular neste mercado de wearables de pulso, com 17,3% de quota e um total de 5,9 milhões de unidades vendidas.

A razão do sucesso é a pulseira Mi Band 4, cujo preço baixo (59 euros na Mi Store Portugal) garantiu um grande impulso nas vendas. O crescimento homólogo da Xiaomi foi de 42,2%, muito superior aos 7% de incremento registados pela Apple com o Watch.

“A empresa foca-se quase exclusivamente nas pulseiras e tem usado o baixo custo para atrair novos utilizadores para o seu ecossistema de produtos”, analisa a IDC. “A China continua a ser o mercado mais ativo para os produtos da Xiaomi, embora a expansão para fora seja uma prioridade.”

A segunda posição da Apple não quer dizer, no entanto, que a marca tenha tido um mau desempenho no trimestre. Com 5,1 milhões de Apple Watches vendidos e 14,8% de quota, a empresa continua a liderar o segmento de relógios inteligentes e está à frente em termos de volume de negócios gerados – porque o preço médio do seu relógio é muito elevado, 448 dólares no trimestre. No evento desta terça-feira, foi anunciado o novo modelo, Series 5, e a IDC acredita que isso “deverá ajudar a empresa a manter a sua posição de liderança no mercado de relógios inteligentes.” A consultora prevê que um aumento das remessas do Watch na ordem dos 10,8% no final de 2019 e uma quota de 38,9%, na liderança do mercado.

Curiosamente, os maiores índices de crescimento foram obtidos pela Samsung e pela Huawei, que tiveram um trimestre estelar.

Porque é que o mercado sobe?

Este vai ser o terceiro ano consecutivo de quebra das vendas de smartphones, mas nos wearables de pulso o sentido é inverso. Segundo o analista Jitesh Ubrani, tal deve-se a uma aposta ganha na monitorização da condição física. “A saúde está agora na linha da frente destes dispositivos, uma vez que as marcas começaram a oferecer dados concretos e medidas prescritivas para os utilizadores”, explicou. E além da saúde, uma das funcionalidades mais atrativas é a capacidade de fazer pagamentos, sendo que dois dos wearables de pulso mais usados já incluem NFC, como é o caso do Apple Watch. Muitos dos outros usam códigos QR para completar as transações.

A melhoria destes produtos justifica que se tenham tornado mais apelativos, mas o analista Ramon T. Llamas também indica que uma parte importante é a experiência. “Olhar para dados como notificações, estatísticas de fitness, e até olhar para as horas são os casos de uso mais populares, mas poder interagir com o dispositivo através de assistentes inteligentes, navegar facilmente com a moldura inteligente dos relógios Samsung, ou ligar-se a aplicações e dispositivos domésticos eleva a utilidade dos wearables de pulso”, analisou. Colocando em cima disto um mercado de aplicações específicas para smartwatches, “o valor destes dispositivos aumenta ainda mais.”

Samsung e Huawei são as que mais crescem

A Huawei é a marca que se segue a fechar o pódio, com uma quota de 14,1% e 4,8 milhões de unidades vendidas. É um desempenho fulgurante da marca chinesa, uma vez que a subida homóloga foi de 175,7%. No entanto, avisa a IDC, os problemas no negócio dos smartphones poderá pôr este segmento em causa, já que há uma integração muito próxima entre os dispositivos. Isso explica que a Huawei tenha investido mais no mercado chinês que na expansão internacional no trimestre, ao contrário do que vinha acontecendo.

Em termos de taxas de crescimento, a Samsung foi a que mais se destacou, com uma subida de 195,1% para 3,2 milhões de unidades. Ainda assim, está em quinto, atrás da Fitbit – a pioneira deste mercado. A IDC comenta que a Samsung cresceu muito porque as novas pulseiras Galaxy Fit foram bem recebidas e o relógio Galaxy Watch é popular. O mesmo não sucedeu com a Fitbit, cujo segmento de relógios retrocedeu porque o novo Versa Lite não teve sucesso. No total, a marca original de pulseiras de fitness cresceu 32% para 3,5 milhões de unidades, graças maioritariamente às novas pulseiras Inspire.

Feitas as contas para 2019, o mercado deverá atingir 152,7 milhões de unidades vendidas. Num horizonte a quatro anos, nota a IDC, o crescimento será alavancado pelos relógios inteligentes, já que as pulseiras vão estagnar ou mesmo cair em popularidade.

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