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Abusos nos dados privados pode custar ao Facebook entre 3 a 5 mil milhões

Facebook's founder and CEO Mark Zuckerberg reacts as he speaks at the Viva Tech start-up and technology summit in Paris, France, May 24, 2018. REUTERS/Charles Platiau - RC11ABE16B10
Facebook's founder and CEO Mark Zuckerberg reacts as he speaks at the Viva Tech start-up and technology summit in Paris, France, May 24, 2018. REUTERS/Charles Platiau - RC11ABE16B10

A prioridade, disse Mark Zuckerberg, é construir uma plataforma social orientada para a privacidade

Vozes de críticos não chegam ao céu do Facebook, pelo menos enquanto Mark Zuckerberg for o rei-sol da rede social. Nos primeiros três meses de 2019, as receitas da empresa deram um salto confortável de 26% para 15,07 mil milhões de dólares (13,42 mil milhões de euros), um incremento acima do esperado pelos analistas, e os números de utilizadores voltaram a aumentar.

Ao mesmo tempo, Mark Zuckerberg disse que o foco central da empresa nos próximos cinco anos será construir uma plataforma social focada na privacidade e andar pelo menos um ano em consulta com especialistas, governos e reguladores.

Enquanto isso não acontece, a rede tem agora 1,56 mil milhões de utilizadores diários e 2,38 mil milhões de utilizadores mensais, o que constitui uma subida de 8% nos dois indicadores. Boas notícias para Zuckerberg, que conseguiu navegar a tempestade gerada no ano passado pela Cambridge Analytica e a perda temporária de utilizadores em especial na Europa, após a entrada em vigor do RGPD.

O mais interessante do primeiro trimestre, no entanto, é que o relatório inclui um parágrafo estonteante, que explica o rombo de 51% nos lucros: o Facebook estima um custo de 3 a 5 mil milhões de dólares com a investigação do regulador FTC (Federal Trade Commission) acerca das suas práticas com os dados dos utilizadores. “O problema continua por resolver, e não há garantias sobre o momento e as condições de qualquer resolução final”, admitiu a empresa.

Apesar disto, Wall Street gostou do que viu no papel e ouviu da boca de Mark Zuckerberg, que se prestou à habitual conferência com analistas após a apresentação dos resultados. Nas trocas fora-de-horas, as ações do Facebook chegaram a valorizar 9%, flutuando depois em torno dos 7,7% de valorização, com os investidores entusiasmados pelas perspetivas de negócio e agradados com o aumento das receitas.

Em particular, o entusiasmo focou-se no sucesso das “Stories” nas principais plataformas da marca – Facebook, Instagram e WhatsApp. O formato de mensagens efémeras, inspirado no Snapchat, tem já 500 milhões de utilizadores por dia.

Na conferência com os analistas, Zuckerberg disse que o trimestre foi “muito forte” e falou dos bons resultados das Stories, mas não fugiu aos pontos controversos que têm rodeado a empresa. O seu foco, referiu, é agora construir um futuro orientado para a privacidade na rede social e trabalhar de forma colaborativa para “endereçar questões importantes em torno da internet.”

Estas questões são vitais para o futuro da empresa. Entre a investigação da FTC, os candidatos às próximas presidenciais que pedem uma revolução na regulação de Silicon Valley e as viagens de Zuckerberg a Washington, para dar explicações ao congresso, a empresa sabe que muito irá mudar. Há várias investigações em curso nos Estados Unidos e múltiplos países, e se todas resultarem em multas – devido à forma negligente como o Facebook lidou com brechas e abusos de dados privados – é possível que os custos atinjam níveis nunca vistos numa empresa de tecnologia.

Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, a número dois da empresa, optaram por frisar que modificaram a gestão do Facebook e têm agora outras prioridades. Uma delas é o redirecionamento dos utilizadores para serviços privados, numa tentativa de restabelecer confiança digital.

O CEO disse na call que “todos precisamos de comunicar de forma privada” e que existem “ainda mais oportunidades” com uma plataforma focada na privacidade. É uma ideia diametralmente diferente da estratégia que levou à ascensão do Facebook como maior rede social do mundo.

Esta nova plataforma privada que a empresa está a construir inclui encriptação, maior efemeridade da informação e atenção aos locais onde os dados serão armazenados. “A realidade é que quaisquer impactos [no negócio] serão de longo prazo e ainda não sabemos como isto vai resultar”, disse Zuckerberg. O CEO acrescentou que não crê que estas mudanças tenham resultados muito negativos no negócio, e disse que a tendência é para as plataformas mais privadas substituírem as plataformas públicas. Na Índia, por exemplo, a subida do WhatsApp (plataforma de comunicação privada) canibalizou as redes públicas.

Todavia, Zuckerberg sublinhou que o padrão um pouco por todo o mundo é que as pessoas querem usar os dois tipos de redes – públicas e privadas. “Por isso, acredito que construir esta plataforma privada é muito mais oportunidade que risco”, afirmou.

Muito interessante foi o CEO ter dito que o objetivo é construir a plataforma social privada mais popular na maioria dos países. Mais ainda: disse acreditar, agora, que o apertar da regulação governamental será bom para toda a gente.

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