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“Programa do Santander trouxe muita visibilidade à Universidade do Porto”

Após a entrega dos Certificados Santander Universidades, bolseiros e responsáveis juntaram-se para imortalizar o momento. Ao centro, Marcos Soares Ribeiro (esq.), do Santander Universidades, e Feyo de Azevedo, reitor da U.Porto. FOTO: Santander Universidades
Após a entrega dos Certificados Santander Universidades, bolseiros e responsáveis juntaram-se para imortalizar o momento. Ao centro, Marcos Soares Ribeiro (esq.), do Santander Universidades, e Feyo de Azevedo, reitor da U.Porto. FOTO: Santander Universidades

Cerimónia de entrega de certificados a bolseiros dos países ibero-americanos sublinha o interesse da região como destino e origem de intercâmbio

Foram mais de 200 – 60 mais, para se ser preciso – os estudantes, docentes e investigadores da Universidade do Porto que no passado dia 15 de junho receberam os seus certificados por terem sido, este ano letivo, bolseiros nesta instituição ao abrigo do Programa de Mobilidade Santander Universidades. Em comum tinham o destino e a proveniência do seu intercâmbio: todos eles foram para, ou vieram de, países ibero-americanos. Algo que antigamente era difícil e que este programa de mobilidade veio colmatar, garante a responsável por esta área daquela universidade. Entre os estudantes, a opinião é unânime: este programa obriga a sair da zona de conforto, que é o continente de origem, e ajuda a ter uma posição mais global perante o curso que se está a tirar.

“Os programas de intercâmbio, nomeadamente os europeus, estão muito vocacionados para o apoio às mobilidades no contexto da Europa ou zonas de geográficas muito definidas”, explicou Bárbara Costa, diretora dos Serviços de Relações Internacionais da Universidade do Porto. Por esta razão, “a América Latina não tem sido uma prioridade dentro desses programas”.

Esta era a realidade, na Universidade do Porto, até há 10 anos. De lá para cá, a parceria firmada com o Santander abriu a esta instituição nortenha as portas do intercâmbio ibero-americano. “O programa Santander veio, de uma forma muito clara, colmatar esta questão”, garantiu Bárbara Costa, que sublinhou: “A mais-valia do Programa Santander Universidades é a abertura de oportunidades para a realização de mobilidade de estudantes, investigadores e docentes da Universidade do Porto em instituições parceiras na América Latina”.

Logo desde o início, diz a responsável, o interesse demonstrado pelo programa foi muito e tem vindo a crescer. “A procura é manifestamente superior à oferta”, garante. E a título de exemplo, refere os números deste ano. “Só para ter uma noção do elevado interesse que isto desperta, este ano, para cerca de 4o bolsas, tivemos mais de 100 candidaturas”, revelou.

De acordo com os números oficiais do programa, no ano letivo de 2017/2018, a Universidade do Porto enviou para congéneres suas em países ibero-americanos – “com preferência ostensiva pelo Brasil” – 40 bolsistas, tendo recebido 220 da mesma região. Desde 2008, já beneficiaram da mobilidade do Programa Santander Universidades 403 bolsistas que frequentavam esta instituição de ensino superior e rumaram ao estrangeiro e aproximadamente 2.200 estudantes, investigadores e docentes ibero-americanos que vieram até à U.Porto.

Os bolsistas deste ano, receberam na passada sexta-feira os Certificados Santander Universidades, numa cerimónia que teve lugar no Salão Nobre do Edifício da Reitoria e contou com a presença do reitor cessante (ver abaixo), Sebastião Feyo de Azevedo, e do diretor-coordenador do Santander Universidades, Marcos Soares Ribeiro.

Embora os bolsistas sejam os mais diretos beneficiários do programa de mobilidade Santander Universidades, as suas mais-valias não se ficam por aqui, como fez questão de sublinhar Bárbara Costa. “O programa trouxe muita visibilidade à Universidade do Porto, aumentou a sua a zona de influência e torna a U.Porto mais apelativa, por ser uma das instituições que dele beneficia”, garantiu a responsável.

Apreciação positiva de bolseiros “in” e “out”

No caso da U.Porto, as bolsas de mobilidade do Santander Universidades permitiram o intercâmbio de estudantes por um semestre. O valor atribuído foi 2.300 euros, depositadas nas contas dos bolseiros, que geriram esse montante como lhes pareceu melhor. Quer tenham partido da U.Porto (bolseiros “In”), quer tenham vindo de fora para estudar nesta universidade nortenha (bolseiros “out”), as apreciações dos que passaram por este programa de mobilidade não podiam ser mais positivas.

João Tomé Pilão, foi da U.Porto a Florianópolis para passar um semestre a estudar Direito. FOTO: J.Pilão

João Tomé Pilão, foi da U.Porto a Florianópolis para passar um semestre a estudar Direito. FOTO: J.Pilão

João Tomé Pilão, um estudante de 21 anos do 3º ano de Direito na Universidade do Porto, foi um dos que este ano conquistou uma bolsa de intercâmbio Santander. A recomendação de outros que já dele haviam beneficiado foi o ponto de partida para a sua candidatura. João Pilão rumou ao Brasil e passou seis meses – entre agosto e janeiro – a estudar Direito na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.

“Foi uma experiência enriquecedora em três vertentes: a nível pessoal, pela saída da zona de conforto a que estamos habituados – estar noutro continente é completamente diferente; a nível profissional, no sentido em que tive oportunidade de integrar uma empresa júnior de direito sedeada na faculdade; e a nível académico, devido à diferença entre os ensinos do Direito”, resumiu João Pilão.

A respeito desta última vertente, o estudante concretizou que “o que caracteriza o ensino do Direito no Brasil é uma grande vertente prática”. Segundo João Pilão, o intercâmbio Santander deu para comparar sistemas de ensino diferentes e perceber quão grande “é a sobrecarga teórica de um curso de Direito em Portugal”. Além disso, há também a experiência que ganhou em termos do que esperar futuramente da prática da advocacia e da avaliação no curso. “A partir do momento em que os alunos saem das aulas de manhã e, à tarde, vão estagiar para escritórios dentro da própria faculdade e são avaliados nesse estágio, temos aqui uma componente de avaliação muito mais prática e justa”, disse.

Além disso, a constante resolução de casos práticos à luz do direito brasileiro e do português – algo em que muitos professores insistiam, conta – teve como resultado, segundo diz, que “este programa ajudou a ter uma posição mais global perante o curso que está a tirar”.

Guilherme do Carmo Penido é estudante de Engenharia Mecânica na Faculdade Pitágoras, em Belo Horizonte, e terminou a sua bolsa de mobilidade na U. Porto em junho. FOTO: G.Penido

Guilherme do Carmo Penido é estudante de Engenharia Mecânica na Faculdade Pitágoras, em Belo Horizonte, e terminou a sua bolsa de mobilidade na U. Porto em junho. FOTO: G.Penido

Em sentido contrário, Guilherme do Carmo Penido, estudante do 4º ano de Engenharia Mecânica, de 29 anos, foi um dos bolseiros “in” deste ano letivo – veio do Brasil frequentar um semestre, entre fevereiro e junho, na Universidade do Porto.

“Foi uma grande experiência, com uma nova metodologia de ensino – eu não conhecia a separação entre aulas teóricas e práticas”, conta Guilherme Penido, explicando que, “no Brasil existe um modelo que é integrado”. Por causa desta diferença, o futuro engenheiro teve “muitas dificuldades com a separação de conteúdos”, admite, mas não hesita em reconhecer o valor acrescentado que lhe trouxe o intercâmbio Santander Universidades.

Embora considere que “o modelo do Brasil, de certa forma, facilita o entendimento do aluno” – porque, em Portugal, nem sempre as aulas são próximas, com cadeiras que têm aulas teóricas às segundas e práticas às sextas, diz –, na U.Porto foi surpreendido pela profundidade dos conhecimentos teóricos transmitidos

Guilherme Penido leva assim, como mais-valia do programa, o melhor dos dois mundos: tem a experiência prática do ensino brasileiro e predisposição para o estudo da teoria adquirida na U.Porto. “Apesar da minha dificuldade de adaptação, isto vai com certeza favorecer os meus estudos no Brasil”, assegura. “Passei a ter uma outra visão da importância de se aprender a teoria do conteúdo e saber depois aplicá-la na prática – que é o que a faculdade do Porto frisa muito”, explica, acrescentando: “Lá no Brasil, há momentos em que a gente se foca muito em saber resolver e nem sempre há tanto conhecimento teórico como se tem aqui”.

Outra das grandes diferenças entre a vida académica dos dois países que surpreendeu Guilherme foi a dedicação em regime de quase exclusividade aos estudos por parte dos alunos portugueses. “É diferente no Brasil, onde a grande parte dos estudantes trabalha e estuda; e tenta, ali durante a semana, encaixar algum tempo para poder fazer as atividades que os professores deixam para casa”, conta. “Aqui em Portugal há mais tempo disponível – a grande maioria dos estudantes só estuda, pelo que há uma dedicação maior dos portugueses ao curso.”

Assim, as mais-valias que Guilherme leva de seis meses de intercâmbio em Portugal são, além de académicas, pessoais, afirma, referindo-se à cultura portuguesa e à cidade do Porto e à “forma como os estudantes se unem para estudar e poderem interagir sobre os conteúdos”.

“Acredito que a vivência de estudante noutro país gera para qualquer pessoa um crescimento tanto académico e comportamental, como profissional”, afirma, explicando melhor, de seguida, o seu ponto de vista: “Espero que este período em que eu estive aqui, em Portugal, me possa abrir portas profissionais e que a experiência que tive me venha a favorecer numa candidatura profissional”.

U.Porto terá novo reitor já na próxima semana

António Sousa Pereira será o novo reitor a partir de 4ª feira. FOTO: U.Porto

António Sousa Pereira será o novo reitor a partir de 4ª feira. FOTO: U.Porto

A cerimónia de entrega dos Certificados Santander ainda contou com a presença do reitor cessante Sebastião Feyo de Azevedo. Pronta a assumir funções está já a nova equipa reitoral, cuja cerimónia de tomada de posse ocorrerá na próxima quarta-feira, 27 de junho, pelas 11h00, no Salão Nobre da Reitoria.

Eleito no passado mês de Abril, António Sousa Pereira, o ex-diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, que é licenciado, mestre e doutor em Medicina, será o 20.º reitor em 107 anos de história da Universidade do Porto. O responsável máximo estará à frente dos destinos da instituição nortenha durante os próximos 4 anos, até 2022.

 

 

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