Ação Social

Boas formas de integração de caloiros dão prémio na UBI

Os novos alunos que chegam à UBI podem ser recebidos com uma iniciativa inédita: um concurso que dá conhecer a Universidade, a cidade e é solidária. Servindo de incentivo, há os prémios monetários. FOTO: UBI
Os novos alunos que chegam à UBI podem ser recebidos com uma iniciativa inédita: um concurso que dá conhecer a Universidade, a cidade e é solidária. Servindo de incentivo, há os prémios monetários. FOTO: UBI

Concurso Integro tem inscrições abertas até 28 de setembro e oferece 1.750 euros em prémios. As iniciativas têm de ter uma vertente solidária

A Universidade da Beira Interior (UBI) tem um projeto inédito para bem receber os seus novos alunos: com as praxes académicas proibidas dentro das suas instalações, os estudantes são desafiados a ser criativos e lançar atividades que lhes deem a conhecer os diversos espaços da academia e a cidade da Covilhã. Esta é já a 3ª edição do Concurso Integro, que este ano deverá visar cerca de 1.000 caloiros. A iniciativa, promovida pela UBI e pela respetiva Associação de Estudantes, conta com o apoio do programa Santander Universidades, que financia os prémios a atribuir aos três melhores projetos.

Além de procurar incutir nos alunos mais velhos práticas de acolhimento do “caloiro” que sejam responsáveis, o Concurso Integro tem também uma vertente solidária, para “devolver à sociedade” aquilo que dela se recebe, como sublinhou João Canavilhas, vice-reitor da UBI paras as áreas do Ensino, da Internacionalização e das Saídas Profissionais. A iniciativa tomou forma em 2016.

“Esta ideia surge um bocadinho como uma reação à praxe normal. Nós verificámos que, durante as primeiras semanas, os alunos eram mobilizados, pelos alunos mais velhos, para integrarem as chamadas atividades de praxe”, conta o responsável da UBI. Ora, como a praxe é proibida dentro das instalações da Universidade, diz, ocorreu-lhe aproveitar toda a rebeldia e energia da juventude e canalizá-la para atividades que juntassem o útil ao agradável.

Razão por que, no regulamento do concurso ficou instituído que o Integro seria uma iniciativa que ocorreria “no âmbito do processo de acolhimento e integração dos alunos, premiando atividades desenvolvidas no início de cada ano letivo, que fomentem o convívio, a diversão, o interconhecimento e a cooperação com a sociedade”.

“A grande mais-valia desta iniciativa, mais do que para a própria universidade, é para os estudantes e para a cidade”, garantiu João Canavilhas. “O nosso objetivo é, por um lado, conseguir que o aluno se sinta bem integrado na universidade que o acolheu, mas por outro lado conseguir também fazer perceber à cidade qual é a importância de ter a universidade na cidade, que vai muito para lá do arrendamento, dos bares e restaurantes que têm os alunos como seus clientes”, explicou.

João Canavilhas é professor na UBI e vice-reitor para as Áreas do Ensino, da Internacionalização e das Saídas Profissionais. FOTO: UBI / João Pedro Silva

João Canavilhas é professor na UBI e vice-reitor para as Áreas do Ensino, da Internacionalização e das Saídas Profissionais. FOTO: UBI / João Pedro Silva

“A ideia é perceber que estes novos alunos vêm juntar-se a uma comunidade que tem, ela própria, muito a dar à universidade. Daí que que nós procuremos que algumas dessas atividades sejam desenvolvidas entre os novos alunos e algumas estruturas locais, como aconteceu em anos anteriores, nomeadamente, com lares de idosos, com associações que se dedicam a apoiar pessoas com algum tipo de deficiência, enfim, tudo o que são associações que procuram apoiar a sociedade”, explicou João Canavilhas.

De acordo com o regulamento, os projetos apresentados têm de cumprir quatro critérios: relevância, originalidade e aplicação da ideia; grau de inclusão dos novos alunos (pelo menos metade da equipa terá de ser composta por “caloiros”); responsabilidade social e solidariedade; e nível de envolvimento dos proponentes na concretização do projeto.

“Um dos pontos que nós achamos que somos diferentes de outras instituições de ensino superior é que nós não estamos aqui para formar técnicos, digamos assim, não estamos aqui para formar médicos, engenheiros, jornalistas, gestores, o que quer que seja; nós estamos aqui para formar cidadãos”, afirmou o vice-reitor.

As iniciativas deverão ser apresentadas pelos diversos núcleos de alunos da UBI (consoante o curso), que deverão enviar as suas propostas de atividade, ocupando um mínimo de três dias, até à data limite de 28 de setembro, para o endereço de e-mail grp@ubi.pt.

Os candidatos têm depois um prazo até dia 17 de outubro para apresentarem “um vídeo de 180 segundos – publicado no YouTube –, que mostre o progresso do projeto desenvolvido e os diversos trabalhos levados a efeito”, como se lê na divulgação feita no site da UBI.

Concorrência da Latada

Mesmo não havendo praxe dentro das instalações da UBI, nada impede que os estudantes organizem as suas folias de receção do caloiro fora destas. E de entre as festividades académicas, o cortejo da “latada” é das mais populares, a mais consumidora do tempo dos estudantes e a maior concorrente do Concurso Integro.

“Esta iniciativa sofre a concorrência da Latada da Praxe, quem é uma espécie de cortejo de carnaval em que eles constroem mesmo carros alegóricos e fazem os fatos”, e cujos preparativos ocupam muito tempo, explicou João Canavilhas. O que não impede que muitos dos jovens estejam envolvidos em ambos os tipos de atividade em simultâneo, afirma.

Apesar disso, “a adesão não tem sido tão grande quanto seria desejável”, lamenta João Canavilhas, que ainda assim sublinha que todos os anos o Integro envolve centenas de estudantes da UBI. Este ano, e de acordo com os níveis de participação das edições anteriores, o vice-reitor prevê que entre 100 e 150 novos alunos participem no concurso, envolvendo os 30 núcleos (cursos) da universidade.

“Muitos deles só concorrem por uma razão específica: por causa do prémio associado”, afirma o responsável. Contando com o apoio do Banco Santander, o Concurso Integro atribui prémios monetários aos três projetos melhores classificados, de acordo com os critérios definidos. O 1º classificado recebe 1.000 euros, ao 2º são entregues 500 euros e 250 ao 3º.

“É importante para eles tentarem ganhar este prémio”, explicou João Canavilhas. Isto porque, pelo que lhe foi dado observar, diz, os estudantes empregam o dinheiro ganho no financiamento da Latada, mas também de outras atividades ao longo do ano, como organização ou participação em conferências.

Depois, ocorre um aspeto interessante, refere o responsável. Muitos dos alunos, ao participarem nas atividades solidárias que o Integro envolve, acabam por ficar sensibilizados, descobrir uma vocação e passam a fazer parte de algumas organizações, nomeadamente de estudantes, que a UBI tem ligadas ao setor social, conta o vice-reitor.

Outra vertente muito positiva que João Canavilhas sublinha é a preparação enquanto pessoa cívica e profissional que o Concurso Integro proporciona. “Neste primeiro contacto eles começam logo a falar com organizações que estão no terreno a apoiar pessoas com mais fragilidades” e esse contacto com o mundo real é precioso, garante.

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