Ciência aplicada

Tecnologia de ponta do Técnico premiada em “O Futuro é Agora”

Sebastião Beirão pilotou o SR01, o Técnico Solar Boat deste ano que foi renovado e participou no Monaco Challenge graças ao Prémio Santander TecInnov. Com uma bateria de 48V, o SR01 consegue atingir os 47 Km/h. FOTO: DR/TSolarBoat
Sebastião Beirão pilotou o SR01, o Técnico Solar Boat deste ano que foi renovado e participou no Monaco Challenge graças ao Prémio Santander TecInnov. Com uma bateria de 48V, o SR01 consegue atingir os 47 Km/h. FOTO: DR/TSolarBoat

Prémios Santander 2018 distinguiram desde carros elétricos, a barcos solares e a desafios lançados a várias escolas para desenvolver inovação

O futuro é agora e chegou primeiro ao Instituto Superior Técnico (IST), pela mão dos seus alunos. Iniciativas que envolvem o último grito da inovação tecnológica resultaram em grandes melhorias no seu barco solar e bólide de corridas elétrico do IST, que, juntamente com os projetos extracurriculares levados a cabo pela Hackerschool do Técnico e pelo seu Núcleo de Estudantes de Engenharia e Gestão Industrial, conquistaram este ano os Prémios Santander TecInnov e os CA2ECTécnico. Os troféus foram entregues esta quinta-feira, 8 de outubro, no evento “O Futuro é Agora”, que marca o Dia do Santander no IST.

“O Técnico Solar Boat é um projeto desenvolvido por estudantes dos mais variados cursos do IST, onde trabalhamos todos no desenvolvimento de um barco tripulado de competição movido exclusivamente a energia solar”, resumiu Dinis Rodrigues, líder da equipa que já assumiu o projeto para 2018/19. Deste trabalho resultou este ano um SR01 – designação do barco solar, resultante da abreviatura de São Rafael 01 – inteiramente renovado, que no entanto manteve o mesmo nome da versão anterior.

“Não mudou o nome porque nós consideramos que para isso o casco, em si, tem de ser diferente, mas todos os sistemas deste ano foram completamente redesenhados e desenvolvidos – painéis solares, motores, baterias, hydrofoils, coluna de propulsão, foi tudo mudado”, contou o responsável.

Tudo melhorias que, em parte, foram possíveis graças ao Prémio TecInnov, cujo galardão só foi entregue esta quinta-feira. “O valor do prémio foi de 4.000 euros, que aproveitámos para melhorar os sistemas periféricos do barco: comprámos um novo motor para o seu sistema de propulsão, o que nos proporcionou criar um novo sistema de duplo motor. E isto foi algo que nunca ninguém tinha feito nas competições – foi até a tese de mestrado de um colega nosso”, explicou Dinis Rodrigues.

Concebido para ser tripulado por apenas uma pessoa, o piloto que levou o remodelado SR01 a vogar as águas do Monaco Solar & Electric Boat Challenge deste ano, disputado em julho, foi Sebastião Beirão, um dos membros da equipa.

A equipa que em julho levou o SR01 ao Monaco Challenge, antes do jantar de gala do evento. Da esq. para a dta.: João Tomás Vieira, Tomás Dias, Diogo Almeida, Vasco Machado, Tiago Miotto, João Silva, Dinis Rodrigues, Diogo Rodrigues, Basile Belime, Gilles Trincheiras, Alexandre Gonçalves, Pedro Nogueira, David Ribeiro, Diogo Soveral, Miguel Brito, José Guerra, Sebastião Beirão. FOTO: DR/TSolarBoat

A equipa que em julho levou o SR01 ao Monaco Challenge, antes do jantar de gala do evento. Da esq. para a dta.: João Tomás Vieira, Tomás Dias, Diogo Almeida, Vasco Machado, Tiago Miotto, João Silva, Dinis Rodrigues, Diogo Rodrigues, Basile Belime, Gilles Trincheiras, Alexandre Gonçalves, Pedro Nogueira, David Ribeiro, Diogo Soveral, Miguel Brito, José Guerra, Sebastião Beirão. FOTO: DR/TSolarBoat

“Tivemos uns problemas técnicos, antes de irmos para as competições, portanto não conseguimos alcançar a nossa velocidade máxima esperada que era de 47km/h, apenas conseguimos alcançar nossa velocidade de cruzeiro, que é de 25km/h”, contou Dinis Rodrigues. Ainda assim, a tecnologia desenvolvida e introduzida no SR 01 foi de tal monta que a lancha solar do Técnico ficou classificada logo atrás do vencedor do Prémio de Inovação do Monaco Challenge. E só não trouxe um prémio para casa, porque esta categoria da competição prevê apenas a entrega de um troféu.

De resto, o SR01 conquistou o 4.º lugar da prova de sprint, o 6.º da prova de endurance, não participou na prova de slalom devido a falhas técnicas, o que, tudo somado, deu Técnico Solar Boat o 9.º lugar na classificação geral de entre várias dezenas de participantes – alguns dos quais empresas construtoras de barcos que já estão estabelecidas no mercado.

Um carro elétrico nas pistas de corridas

Também o Projeto de Sustentabilidade Energética Móvel (PSEM) bisou este ano a conquista de um Prémio TecInnov, o que lhe permitiu voltar a disputar a final do Greenpower Challenge na pista de Rockingham, no Reino Unido, com o seu bólide elétrico de corridas. “Os 4.000 euros do prémio do Santander foram utilizados para participar no Greenpower Challenge”, disse Diogo Ferreira líder do projeto este ano, que explicou em que este consiste. “O core do nosso projeto é construir um carro elétrico o mais eficiente possível para participarmos no Greenpower, que é uma competição onde todos temos os mesmos motores e as mesmas baterias.”

O resultado é um veículo elétrico de alta eficiência energética e sem emissões poluentes, que este ano foi “promovido” à versão renovada GP17 Evo (de “evolution”, claro). “O carro está projetado para andar durante uma hora a uma velocidade que ronda os 55 km/h, que é uma boa média tendo em conta que as baterias são duas e têm cada uma 12 volts – não têm autonomia para muito mais que isto e temos conseguido bons resultados comparativamente com os nossos concorrentes”.

A equipa que desenvolveu o GP17 Evo, junto ao seu protótipo na pista de Rockingham. Da esq. para a dta.: Tomás Fernandes, Alexandre Chícharo, Diogo Ribeira, Inês Agulheiro, Manuel Henriques, Xavier Ferreira (atrás), Ivan Adrushka (atrás), Lino Pereira, Duarte Malveiro, José Pintor, Alexandre Mendes (atrás), Pedro Marques, Miguel Figueiredo, Diogo Ferreira, João Dias. FOTO: DR/PSEM

A equipa que desenvolveu o GP17 Evo, junto ao seu protótipo na pista de Rockingham. Da esq. para a dta.: Tomás Fernandes, Alexandre Chícharo, Diogo Ribeira, Inês Agulheiro, Manuel Henriques, Xavier Ferreira (atrás), Ivan Adrushka (atrás), Lino Pereira, Duarte Malveiro, José Pintor, Alexandre Mendes (atrás), Pedro Marques, Miguel Figueiredo, Diogo Ferreira, João Dias. FOTO: DR/PSEM

No dia 6 de outubro, em Inglaterra, o GP17 Evo ficou em “7º lugar de entre mais de 35 equipas concorrentes de todo o mundo”, que incluem protótipos desenvolvidos por outras universidades e empresas de renome, como a Jaguar-Land Rover e a Renishaw, explicou Diogo Ferreira

Tripulado por uma pessoa apenas, o piloto que se lançou na pista de Rockingham foi Inês Agulheiro, então líder da equipa, que está agora em processo de saída da equipa porque acabou o curso e vai deixar o IST. O carro que conduziu integrou “melhorias incrementais, nomeadamente na transmissão e na telemetria”. Ou seja, melhorias na “transmissão, ou o que seria a caixa de velocidades do nosso carro, que, neste ano, é um sistema de correia e polias; e na telemetria, que é a maneira que o carro tem de comunicar com as boxes, ou seja, de transmitir todas as informações relativas à temperatura do motor, velocidade a que se está a deslocar, etc., para que nós possamos depois conversar com o piloto e dizer-lhe quais são as ações a tomar”.

Agora Diogo Ferreira e a sua equipa (renovada no início do ano letivo) estão já a construir o novo carro – o GP-19 – e planeiam levar este e o GP-17 Evo às competições da nova temporada.

Atividades extracurriculares que dão prémio

São atividades extracurriculares, que vão bem para além do trabalho normal dos estudantes universitários, mas que valorizam a comunidade académica e geram grande inovação, razão porque conquistaram o concurso Santander CA2ECTécnico 2018. Entre os projetos vencedores deste ano estão os MakerChallenges, levados a cabo pela Hackerschool do Técnico, e duas iniciativas – a Lisbon Case Study Competition e as IV Jornadas de EGI – do Núcleo de Estudantes de Engenharia e Gestão Industrial.

Estudantes desenvolvendo um protótipo para resolver um dado problema durante um HackDay, na Hackerschool. FOTO: DR/Hackschool

Estudantes desenvolvendo um protótipo para resolver um dado problema durante um HackDay, na Hackerschool. FOTO: DR/Hackschool

“Os MakerChallenges são desafios mensais onde os participantes devem apresentar e desenvolver ideias sobre um certo tema com o objetivo de ganhar um prémio”, explicou Francisco Sargento, presidente da Hackerschool. “Cada challenge tem um tema ou problema tecnológico diferente, como Smart Cities, Machine Learning ou até mesmo problemas solidários, como a prevenção e extinção de incêndios”, completou o responsável, explicando que no fim do respetivo mês, cada equipa tem de apresentar uma ideia bem definida e um protótipo relacionado com o tema que são depois avaliados por um júri.

Assim, como Francisco Sargento faz questão de salientar, estes estudantes do Técnico são hackers, não no sentido pior do termo – que está popularizado como “pirata informático” –, mas no sentido de “makers”, que seguem o ideal de “aprender fazendo” (Learn By Doing). E frisa: “O objetivo desta iniciativa [o MakersChallenge] é promover a verdadeira cultura maker no Instituto Superior Técnico, impulsionando a criatividade dos alunos para desenvolver ideias sobre temas atuais e inovadores. Sendo a avaliação sob a forma de um Pitch e uma demonstração, existe uma proximidade dos participantes ao mundo do empreendedorismo e, quem sabe, à formação de uma Startup”.

Exemplo de um trabalho realizado por um protótipo criado durante um HackDay. FOTO:DR/Hackschool

Exemplo de um trabalho realizado por um protótipo criado durante um HackDay. FOTO:DR/Hackschool

Ter recebido o prémio CA2ECTécnico rendeu ao projeto da Hackerschool o valor de 900 euros, montante que “irá reverter para o pagamento dos prémios aos vencedores de cada edição dos MakerChallenges, bem como para mitigar os custos associados à divulgação e logística do evento”, contou Francisco Sargento. Mas disse mais: “Se não tivéssemos recebido o financiamento do Santander através do concurso de apoio às atividades extracurriculares (CA2ECTécnico), não seria de todo possível realizarmos os MakerChallenges, portanto temos que agradecer ao Santander Totta e ao Instituto Superior Técnico por acreditar e financiar a nossa iniciativa e tornar os MakerChallenges possíveis”.

Dois projetos, dois prémios

O Núcleo de Estudantes de Engenharia e Gestão Industrial (NEEGI) concorreu não com um, mas com dois projetos extracurriculares e com ambos conquistou o prémio Santander.

Um deles, o Lisbon Case Study Competition “é uma competição de casos de estudo que tem por objetivo pôr à prova diversas equipas das melhores faculdades de Lisboa”, explicou Sofia Sarmento, coordenadora do NEEGI. Além da competição saudável entre alunos, o evento pretende também expor os estudantes a possíveis empregadores. “São 16 equipas de sete universidades de Engenharia e Gestão, que passam o dia no nosso campus a resolver um caso de estudo, cuja solução apresentam depois perante um painel de jurados constituído por professores, alumni e membros de várias empresas destas áreas”, disse Sofia Sarmento.


“São 16 equipas de sete universidades de Engenharia e Gestão, que passam o dia no nosso campus resolver um caso de estudo”. Sofia Sarmento, coordenadora do NEEGI


 

O segundo projeto do NEEGI merecedor do prémio CA2ECTécnico foram as IV Jornadas de EGI (Engenharia e Gestão Industrial). Trata-se de “um evento de quatro dias, composto por uma feira de emprego e ao mesmo tempo decorrem workshops, palestras, debates e por fim um case study”, disse a jovem responsável. Aberto a qualquer estudante interessado, estas jornadas discutem assuntos atuais que fazem sempre a ponte entre a engenharia e a gestão, afirmou.

No total, por terem sido uns dos vencedores do concurso CA2ECTécnico, os dois projetos receberam 2.800 euros que vão ser inteiramente usados nas próximas edições dos eventos. “Os prémios contribuirão sobretudo para a divulgação, dado que o NEEGI, só por si, não tem propriamente fundos para conseguir montar uma divulgação com brindes e roll ups e cartazes”, a que se junta ainda o financiamento dos coffee breaks, dos incentivos a dar aos participantes e as “lembranças” para os oradores, como forma de “agradecer a presença e de fortificar a relação do núcleo com as empresas”.

Para Sofia Sarmento, a relevância destes prémios Santander está precisamente na forma como eles são usados, uma vez que “acabam por aumentar a dimensão dos eventos do NEEGI e aumentam a visibilidade do próprio núcleo”.

As Jornadas EGI são eventos de quatro dias, que junta a uma feira de emprego , workshops, palestras, debates e, por fim, um case study. FOTO:DR/NEEGI

As Jornadas EGI são eventos de quatro dias, que junta a uma feira de emprego, workshops, palestras, debates e, por fim, um case study. FOTO:DR/NEEGI

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