empreendedorismo

“Surpreendeu-me a rapidez com que se fazem negócios em Silicon Valley”

A passagem por São Francisco e pelo mundo tecnológico de Silicon Valley fez, para Rita Martins Santos, cofundadora da Toal Ecobebidas, a ponte entre  o projeto que co-idealizou e a sua concretização no mercado. FOTO: DR / Explorer UCoimbra
A passagem por São Francisco e pelo mundo tecnológico de Silicon Valley fez, para Rita Martins Santos, cofundadora da Toal Ecobebidas, a ponte entre o projeto que co-idealizou e a sua concretização no mercado. FOTO: DR / Explorer UCoimbra

Investigadora de Coimbra, vencedora do Programa Explorer do Santander Universidades, “acelerou” o seu negócio durante uma semana na meca da tecnologia

É uma “ponte interessante” entre a idealização dos projetos e a sua concretização real no mercado. Foi mais ou menos assim, que Rita Martins Santos cofundadora do projeto Toal Ecobebidas – o vencedor daquela que foi a 1ª edição do Programa Explorer a decorrer na Universidade de Coimbra –, definiu a semana que passou em Silicon Valley, São Francisco. Na meca tecnológica dos EUA, a investigadora e os 52 outros vencedores do Programa Explorer X de outras tantas universidades de Espanha e da Argentina deram passos para acelerarem as suas ideias de negócio, estabeleceram redes de contactos e sondaram a concorrência. Em cinco dias, terminados a 21 de novembro, a investigadora portuguesa afirma ter sido dotada de ferramentas preciosas e ter ficado surpreendida com “a rapidez com que se fazem negócios em Silicon Valley”.

Anualmente, aos vencedores do Programa Explorer é atribuído um prémio que inclui um bilhete de ida para um membro (apenas) de cada um dos 53 projetos selecionados. No caso do projeto da Universidade de Coimbra, foi a Rita Martins Santos que coube o papel de representar o Toal Ecobebidas no famoso vale tecnológico dos EUA. Aí, visitou empresas emblemáticas, que observou como atuam e se desenvolveram, teve mentoria de especialistas e alargou a sua rede de contactos.

“Pessoalmente, é uma experiência muito enriquecedora no sentido, em que nos proporcionam determinadas ferramentas que nos permitem desenvolver networking e aperfeiçoar a forma como abordamos o outro, que pode ser um possível cliente, um investidor, ou o nosso consumidor”, contou Rita Martins Santos a partir de São Francisco. Mas a rede de contactos não fica por aqui, garante: “Depois há todo o networking que se passa aqui, tanto com os colegas que venceram em Espanha, como com os investidores estabelecidos em Silicon Valley, como com os especialistas que vêm dar mentoria”.

“Relativamente ao projeto, nós já tínhamos noção, desde o início, que a zona de São Francisco e de Silicon Valley não é uma de investimento na área agroalimentar ou do mercado alimentar”, comentou a investigadora.

Os 53 vencedores do Programa Explorer 2018, com Rita Martins Santos à direita (de boina branca), aceleraram os seus projetos em São Francisco. FOTO: DR / Explorer UCoimbra

Os 53 vencedores do Programa Explorer 2018, com Rita Martins Santos à direita (de boina branca), aceleraram os seus projetos em São Francisco. FOTO: DR / Explorer UCoimbra

A ideia de Rita Martins Santos e Daniela Costa, duas investigadoras de Ciências Bioanalíticas da Universidade de Coimbra é simples, mas nunca antes ocorrera a ninguém: aproveitar o produto que sobra da manufatura do queijo, o soro, juntá-lo aos morangos desaproveitados pelo mercado (os tocados ou aqueles cujo calibre não respeita as normas europeias) e criar uma bebida saborosa e sem lactose – a Toal. O potencial deste projeto inovador é tal, que foi considerado a melhor ideia de negócio do Explorer Space da Universidade de Coimbra, onde decorreu pela primeira vez o Programa Explorer, que anda há 9 anos a ser impulsionado em mais de meia centena de universidades espanholas e argentinas pelo Santander Universidades e pelo Centro Internacional Santander Empreendimento (CISE).

O facto de Silicon Valley estar mais vocacionado para as empresas tecnológicas do que para negócios de bebidas, no entanto, não diminuiu a experiência de Rita Martins Santos. “Aqui também se aprendem as ferramentas para se escalar o projeto para outros mercados, nomeadamente o americano”. Além de que, pelos seus contactos, a investigadora já descobriu que, no dia em que a Toal decidir partir para o mercado dos EUA, a zona mais propícia para o investimento de um produto como este é a de Chicago. “Isto foi uma surpresa”, admitiu.

Mas houve mais. “Relativamente ao desenvolvimento de negócios, surpreendeu-me a rapidez com que as coisas aqui se fazem, com que se fazem os negócios. É tudo muito rápido e é tudo numa escala gigantesca, que nós ainda não temos capacidade para abarcar”, afirmou.

Do outro lado da balança, ficou a constatação daqueles fatores de que a investigadora já estava a par. “Tive oportunidade de dar uma vista de olhos à concorrência, aos produtos mais ou menos do tipo do nosso que se fazem aqui, e o que eu pude concluir não foi nada que me surpreendesse – é tal como na União Europeia: há produtos que podem ser concorrência nossa mas não fazem o aproveitamento do soro como nós fazemos”, contou. Ou seja, segundo explicou, não apresentam a vantagem da tecnologia e tratamento do soro aplicado ao Toal, de que não resultam outros resíduos. Isto é algo que “não acontece com as bebidas que são feitas aqui, cuja tecnologia e aproveitamento só permite aproveitar uma parte do soro, enquanto nós fazemos o aproveitamento total do soro”.

A Singularity University, a par de instituições como Apple, Airbnb, Founders Space, Draper University ou a garagem onde nasceu Silicon Valley (HP), foram alguns dos espaços visitados pela explorer de Coimbra, Rita Martins Santos, na sua passagem por Silicon Valley. FOTO: DR/Explorer UCoimbra

A Singularity University, a par de instituições como Apple, Airbnb, Founders Space, Draper University ou a garagem onde nasceu Silicon Valley (HP), foram alguns dos espaços visitados pela explorer de Coimbra, Rita Martins Santos, na sua passagem por Silicon Valley. FOTO: DR/Explorer UCoimbra

Antes de regressar a Portugal, Rita Martins Santos ainda passou por Madrid, pela grande finalíssima do Programa Explorer 2018. Mas depois, resta-lhe arregaçar as mangas e deitar mãos à obra. “A partir daqui, vamos rever algumas coisas que não estão muito corretas ainda, no nosso plano de negócios. Esse vai ser o primeiro passo. Depois vamos tentar fechar as negociações que temos em Portugal e fazer as primeiras vendas. Só então, consoante corra, decidiremos outras coisas”.

A descoberta de Chicago como zona propícia ao projeto Toal Ecobebidas coloca a cidade no radar das duas cofundadoras da marca, mas como algo a considerar a longo prazo. “A curto prazo, o mercado português e o espanhol são os objetivos”, avançou. E para o projeto arrancar definitivamente, Rita Martins Santos diz que só precisa de um financiamento que ronda os 200 mil euros, montante que vai tentar obter entre os contactos já feitos em meses anteriores e aqueles que fez agora, em Silicon Valley.

À despedida, a investigadora de Coimbra faz questão de sublinhar que nunca teria chegado até aqui se não fosse o Programa Explorer. Por isso, para os estudantes que possam estar hesitantes sobre a sua inscrição na edição de 2019 – cujo prazo está em curso até 12 de dezembro –, Rita Martins Santos só tem um conselho: “Se têm uma ideia ou se acham que o mundo do empreendedorismo é um passo a dar, o conselho é não terem medo, arriscarem, interessarem-se pelas coisas, aderir ao Programa Explorer, porque abre uma série de portas, conseguimos travar uma série de contactos e é muito interessante. Está a ser uma experiência muito enriquecedora e nunca imaginei, quando me inscrevi, mas valeu muito a pena”.

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