Solidariedade

Dez finalistas competem pelos três Prémios de Voluntariado Universitário 2018

Os voluntários da Aldeia Feliz fazem rastreios junto de idosos e referenciam situações de risco.  FOTO: DR/Aldeia Feliz
Os voluntários da Aldeia Feliz fazem rastreios junto de idosos e referenciam situações de risco. FOTO: DR/Aldeia Feliz

Os vencedores serão anunciados no próximo dia 5 de dezembro, numa cerimónia que vai decorrer na sede do Banco Santander

Falta apenas uma semana para se saber quem serão os grandes vencedores dos Prémios de Voluntariado Universitário, iniciativa do programa Santander Universidades. No dia 5 de dezembro, numa cerimónia que vai decorrer no auditório da sede do Banco Santander, em Lisboa, às 15h00 serão revelados e entregues os três principais prémios previstos juntamente com o PVU Comunicação, para o projeto que melhor soube “vender” a sua ideia. Nesta última etapa competem pelos troféus dez finalistas, de entre os mais de 50 projetos candidatos de todo o país e ilhas. Do auxílio à terceira idade, ao apoio a crianças carenciadas e passando pela capacitação da mulher, as iniciativas do jovens voluntários universitários dão respostas a uma multiplicidade de problemas sociais. Eis aqui um breve perfil dos finalistas desta ano.

 

Trazer felicidade às aldeias

Um dos projetos finalistas já existe há 4 anos e foi uma ideia do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM) para fazer face à problemática do envelhecimento e do isolamento da população do país. Denominado Aldeia Feliz, os voluntários deste projeto fazem um acompanhamento das condições de saúde e de vida dos idosos da região. Como explica o seu responsável, Gonçalo Cunha, a sua atividade implica rastreios cardiovasculares e a avaliação de indicadores como a glicemia, as medidas antropométricas, a autonomia no seu quotidiano ou na toma de medicamentos, entre outros. Além disso, a sua atividade “valoriza muito a discussão e referenciação das situações de risco encontradas junto das entidades competentes (câmaras municipais, centros de saúde e lares de idosos) de modo a melhorar as condições de vida das populações”, diz o responsável. “Acima de tudo, o nosso projeto diferencia-se dos outros porque permite fazer ‘Aldeias (mais) Felizes’”, afirma Gonçalo Cunha.

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Dar aos jovens superpoderes

A Escola de Superpoderes é outro dos projetos finalistas dos PVU 2019. Da iniciativa do Movimento Transformers, que tem âmbito nacional mas, neste concurso, concorre como projeto da Universidade do Porto, onde começou, esta “escola” sui generis tem como “missão aumentar o envolvimento das pessoas nas suas comunidades através dos seus superpoderes”, explicou Joana Moreira, responsável do projeto. “Em traços simples, há mentores voluntários que dão aulas semanais de diferentes talentos (culinária, futebol, kickboxing, remo, surf, expressão musical, teatro, meditação, fotografia, etc) a grupos de aprendizes, essencialmente crianças e jovens em risco e seniores isolados”, acrescentou. Mas depois há o retorno. “Esses grupos de aprendizes, ao longo do ano, devem identificar um problema social e resolver esse problema através da atividade que receberam (payback)”. Com sede no Porto, a Escola de Superpoderes já existe em 22 municípios do país e tem 50 voluntários e 500 aprendizes em regime regular.

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Há um lugar para todos

Também a concorrer por um lugar no pódio final dos PVU 2019 está O Meu Lugar no Mundo, um projeto de intervenção social das faculdades de Economia da Universidade do Porto (FEP) e da Católica do Porto que trabalha com mais de 40 crianças do Bonfim, no Porto, provenientes de contextos vulneráveis. “A sua missão é simples: permitir aos pequenos sonhar mundos maiores”, diz Teresa Soares, responsável do projeto. Os seus voluntário “orientam o estudo de cada criança, focando-se em estimular a sua autonomia”, mas apostam também na educação não formal, dinamizando “atividades como dança, debates, programação, visitas a faculdades, entre outras, que permitem abrir horizontes e treinar competências”, explica Teresa Soares. “O foco está sempre em empoderar e tornar cada pequeno senhor do seu futuro: mostrar que cada um pode ser quem quiser, independentemente da situação da qual partiu”, rematou a responsável.

Voluntários que unem gerações

Debruçado sobre a problemática da exclusão social dos idosos, o projeto Gerações Unidas é um projeto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A sua missão é “proporcionar [aos idosos] momentos de companhia, conversa, conforto e ajudar nas tarefas mais básicas, como as compras diárias, a ministração de medicação, o acompanhamento a consultas ou deslocações à farmácia”, explicou a responsável, Daniela Chaves. Num concelho como o de Vila Real, em que, segundo avança Daniela Chaves, “o índice de dependência de idosos (i.e., idosos por 100 pessoas em idade ativa) tem vindo a aumentar, sendo que em 2015 era de 28,6% e em 2017 de 30,1% (dados Pordata)”, o Gerações Unidas não podia vir mais a propósito. “Acreditamos que este projeto será uma mais-valia para a comunidade académica bem como para os beneficiários e permitirá unir gerações”, conclui.

Arte por uma boa causa

E se as obras e trabalhos artísticos das universidades servissem para “alimentar” boas causas sociais. Foi isso mesmo que se propôs a fazer o Instituto Politécnico de Portalegre. “O projeto 8 Hours Overtime for a Good Cause materializa-se numa iniciativa de voluntariado, formada por professores e alunos dos cursos de Design de Comunicação, Design e Animação Multimédia, e de Administração de Publicidade e Marketing, do Instituto Politécnico de Portalegre”, informa Josélia Pedro, professora do instituto e responsável do projeto. “Durante oito horas, os voluntários doam trabalho criativo a instituições de solidariedade e apoio social, locais, contribuindo para a renovação da identidade visual, das estratégias de comunicação e do reposicionamento social destas Instituições”, explica a docente. “O projeto contribui ainda para a dinamização da prática da responsabilidade social, junto dos alunos das áreas criativas, consolidando a importância dos problemas sociais como uma área de intervenção”, salienta Josélia Pedro.

Capacitar mulheres refugiadas

O problema dos refugiados em Portugal também não escapou aos projetos concorrentes aos PVU 2019. No caso do projeto Amal Soap, da Universidade Nova de Lisboa, o objetivo é ajudar a integrar e a capacitar mulheres sírias, aproveitando um atividade tradicional sua. “O Amal Soap pretende contar uma história – Amal é Esperança em Árabe – através de um produto enraizado na cultura Síria, capacitando e empoderando mulheres deste país a viver em Portugal”, explica Benedita Contreras, responsável do projeto. “Baseado no conceito de social business, as nossas atividades são a produção e venda de sabonetes feitos pelas artesãs, inspirados na receita tradicional de Aleppo”, diz. “Estas atividades irão contribuir para a estabilidade financeira e para a integração destas mulheres e das suas famílias”, conclui Benedita Contreras.

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Integrar com música

Outro dos finalistas é um projeto feito para promover a inclusão social e o desenvolvimento de competências pessoais, mas, desta vez, através da educação musical de crianças e famílias de bairros carenciados. A Escola de Música: Pequenos Acordes, “consiste numa escola de iniciação à música junto de uma faixa etária entre os 8 aos 16 anos, que culminará com uma apresentação ao público”, explica Daniel Diaz, magíster da Augustuna – Tuna Académica da Universidade do Minho, de quem partiu a iniciativa. O objetivo é atuar junto das “crianças de forma a promover um envolvimento mais próximo e mais acessível à música popular portuguesa”, explica o responsável. “Para nós, enquanto instituição, é também uma forma de ‘dar um pouco’ do que somos e continuar a ser uma organização que se sente uma embaixatriz da cultura e arte bracarense”, avança. Considerando que esta “é também uma excelente forma de criar alguns laços sociais com as comunidades locais”, diz Daniel Diaz: “Do nosso conhecimento, não existe nenhuma atividade semelhante proporcionada por um grupo com as nossas características a nível local ou nacional”.

“Incluir” os sem abrigo

Combater a exclusão social, só que dos sem abrigo, é também o objetivo de outro projeto finalista dos PVU 2019, desta feita da Escola Superior de Saúde Santa Maria (ESSSM), no Porto. “O projeto vintAGEING Fénix, visa o empoderamento de pessoas quase sem vinculação social, designadamente sem abrigo, que recorrem, diariamente, à Porta Solidária para usufruírem de uma refeição quente”, informa José Manuel Silva, presidente do Conselho de Direção da ESSSM e responsável do projeto. A essas pessoas, “propomos um atendimento de enfermagem, como forma de estabelecermos um laço socializador, e, a partir do primeiro contacto – onde traçamos sumariamente o percurso de cada pessoa e realizamos rastreios básicos –, procuramos encaminhá-las para as entidades oficiais de saúde ou para um projeto de ressocialização pessoal e profissional”, explica o responsável.

Ajudar com justiça

O acesso à justiça e, sobretudo, a forma de alcançar bom e dedicado aconselhamento é também um problema para muitas famílias com poucos meios. Para responder a esta carência, alunos de várias faculdades de Direito – da Universidade de Lisboa, da Universidade Católica e da Universidade do Porto – uniram-se e criaram a Pro Bono. “Promovemos a prestação voluntária de apoio jurídico a pessoas carenciadas – como complemento ao sistema público de acesso ao direito – que sejam indicadas por instituições de solidariedade, e que, de outra forma, não conseguiriam fazer face aos seus problemas jurídicos”, explica Marta Leite, responsável do projeto. Além disso, “a Pro Bono colabora com diferentes instituições de solidariedade social em ações de formação, inquéritos, guias de aconselhamento, sessões de esclarecimento, entre outras iniciativas que foram desenvolvidas”, avança. Para cumprir a sua missão, a Pro Bono conta como seus parceiros com “juristas, advogados, estudantes e faculdades de Direito”, diz. “Com um sector jurídico coeso na sua resposta cívica, pretende-se contribuir para uma justiça mais humana”, conclui Marta Leite.

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Pão a quem dele precisa

“O SolidarISA nasceu em 2011 e, desde então, tem o objetivo de fornecer alimentos a quem mais precisa, pondo em prática os conhecimentos dos alunos do Instituto Superior de Agronomia (ISA)”, explica Maria Dias, uma das responsáveis do projeto. Ao serviço deste projeto estão, além do trabalho e tempo dos estudantes, a terra e a maquinaria disponibilizada pelo ISA, sublinha. Para Maria Dias, este é um projeto win-win: ganham todos a quem chegam os alimentos e ganham os alunos, que colocar os conhecimentos teóricos em prática, em conjunto professores e investigadores. “Desde o início do projeto já foram doados mais de 50.000 euros em bens alimentares, através da produção de couves, alfaces, couve-brócolo, cebolas, grão-de-bico (em seco ou posteriormente enlatado) e trigo duro que será transformado em esparguete”, referiu Maria Dias. “A nossa intenção é que este projeto ganhe continuidade ao longo dos anos, envolvendo os alunos e toda a comunidade escolar do ISA, para dar de comer a quem mais necessita”, concluiu.

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E o melhor comunicador é…

A concorrer pelo PVU Comunicação estão este ano também 10 finalistas. Isto é, têm direito a prémio os projetos que melhor souberam comunicar a sua ideia e realizar o seu vídeo de apresentação. Entre eles estão cinco projetos que também figuram na corrida aos troféus das três principais categoria dos PVU. São eles a Aldeia Feliz, o SolidarISA, a Escola de Superpoderes, o Amal Soap e o Pro Bono. Se qualquer um deles conseguir conquistar este galardão somará mais 1.000 euros aos 3.000 previstos para cada um dos prémios principais.

Os restantes projetos finalistas são o Ahead, que luta contra o insucesso escolar de crianças desfavorecidas; o VO.U Rodar Cultura, que leva várias formas de arte até pessoas dela privadas, combatendo assim o isolamento e a exclusão; o Medicina Vai, que transmite o conhecimento de primeiros socorros e cuidados de saúde à população; o Medicina Mais Perto – Ilhas, que realiza atividades de promoção da saúde e prevenção da doença: e por fim o NASA, que aposta numa multiplicidade de atividades, como o apoio escolar, aos sem-abrigo e aos idosos, para operar a inclusão social.

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