Solidariedade

Sucesso dos PVU 2018 cativa mais fundos para os prémios do próximo ano

Inês Oom de Sousa, administradora do Santander e membro do júri dos PVU 2018, revelou durante o seu discurso a possível disponibilização de maiores fundos financeiros para este prémios em 2019. FOTO Leonardo Negrão / Global Imagens
Inês Oom de Sousa, administradora do Santander e membro do júri dos PVU 2018, revelou durante o seu discurso a possível disponibilização de maiores fundos financeiros para este prémios em 2019. FOTO Leonardo Negrão / Global Imagens

Projetos de universidades do Norte conquistaram maioria dos Prémios de Voluntariado Universitário deste ano. U.Porto e UTAD foram IES +Voluntárias

Os Prémios de Voluntariado Universitário (PVU) vão ter novidades e “mais plafond” na sua edição de 2019. A revelação foi feita por Inês Oom de Sousa ao encerrar a cerimónia de entrega dos PVU 2018, que decorreu esta quarta-feira, 5 de dezembro, na sede do banco, em Lisboa. A administradora do Banco Santander Portugal e membro do júri do concurso admitiu a dificuldade crescente em escolher apenas três vencedores, daí a necessidade de fazer crescer os prémios. Os estudantes e universidades do Norte do país foram os grandes campeões da 3.ª edição dos PVU, que atribuiu ainda troféus ao Politécnico de Portalegre e à Nova de Lisboa. Também a recém-criada categoria de PVU para universidades, os IES +Voluntária, ficou na mão de instituições nortenhas.

“Todos os anos, quando lançamos este prémio [de Voluntariado Universitário] tentamos sempre que tenha alguma novidade”, confessa ao Dinheiro Vivo Inês Oom de Sousa, um dia depois da entrega dos galardões deste ano. Este ano, a novidade foi a criação de PVU não para projetos, mas para as universidades com mais projetos candidatos. Para 2019, ainda não está pensado exatamente qual será a dita novidade, admite a responsável, até porque só em janeiro a equipa que opera nos bastidores dos PVU vai começar a pensar na próxima edição. Mas “queríamos que fosse uma coisa diferente”, avança.

Para já, ficou a promessa de mais meios financeiros canalizados para os PVU 2019. “Não sei se será, especificamente, mais prémios ou se o montante será maior para cada um deles, mas seguramente, gostaria que o apoio fosse diferente”, disse.Na base desta decisão está a dificuldade, devido à qualidade e mérito dos concorrentes, encontrada pelo júri deste ano, presidido pela socióloga Cristina Louro, em optar por 10 projetos finalistas e, no final, por apenas três vencedores. “Foi muito difícil escolher todos os projetos”, disse Inês Oom de Sousa. “Este ano tivemos uma variedade muito grande e todos eles tocaram nos vários âmbitos de atuação”, desde a educação, à inserção social, ao apoio aos idosos, à saúde e às crianças. “Isso, para nós, foi uma novidade muito grande, ver o desenvolvimento que as universidades fazem e o incentivo que elas dão aos jovens, que, cada vez mais, estão a criar este tipo de projetos em todas as áreas, sem se focarem apenas numa delas”, sublinhou a responsável.

António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, viu a instituição que dirige inscrever 17 projetos nos PVU 2018 e, por isso, recebeu o prémio IES +Voluntária. Foto: Leonardo Negrão / Global Imagens

António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, viu a instituição que dirige inscrever 17 projetos nos PVU 2018 e, por isso, recebeu o prémio IES +Voluntária. Foto: Leonardo Negrão / Global Imagens

No passado dia 5 de dezembro o processo chegou ao fim num evento que durou o dia inteiro e que incluiu, além da entrega dos prémios, workshops, debates e exibição de reportagens sobre voluntariado. Este ano, das cinco categorias que compuseram os PVU, a Universidade do Porto arrecadou três, duas delas em conjunto ou ex-aequo com a Católica da Invicta e com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Nas categorias principais, ao pódio dos PVU 2018 subiram, a par de um projeto da U.Porto, os do Instituto Politécnico de Portalegre e da Nova de Lisboa.

Na hora do anúncio dos prémios houve palmas, risos e até lágrimas, à medida que os responsáveis de cada projeto iam sendo chamados ao palco. O primeiro prémio a ser revelado foi o PVU Comunicação, eleito por votação online de entre os 10 projetos que o júri considerou serem os que melhor souberam comunicar a sua atividade, nomeadamente através do seu vídeo de candidatura.

Com 12.461 votos, representando 38% do total escrutinado, o vencedor foi o Núcleo de Ação Social da Associação de Estudantes (ou NASA) da Faculdade de Farmácia da Universidade Porto com um conjunto de quatro projetos de ação social voluntária que leva cabo em diversas áreas. “O nosso projeto é o NASA e nós temos quatro valências: o apoio escolar a crianças; o apoio ao idoso, associando-nos a lares da cidade do Porto; o Vitamina Alegria, que visa a promoção da saúde através de formações nas instituições apoiadas pela NASA; e temos o Apoio ao Sem-Abrigo”, explicou Marta Oliveira, uma das responsáveis do projeto, já depois de ter recebido o prémio. Os seus mais de 100 voluntários, disse, melhoram a qualidade de vida de quem precisa, “levando uma refeição com alegria, ensinando, brincando, fazendo rastreios que promovam a prevenção na saúde, entre tantas outras atividades”.

Mariana Oliveira e Marta Oliveira, estudantes de Farmá cia da U.Porto e responsáveis do projeto NASA, com o troféu do PVU Comunicação 2018. FOTO: Leonardo Negrão /Global Imagens

Mariana Oliveira e Marta Oliveira, estudantes de Farmá cia da U.Porto e responsáveis do projeto NASA, com o troféu do PVU Comunicação 2018. FOTO: Leonardo Negrão /Global Imagens

Com a conquista deste prémio, o NASA arrecada o valor de 1.000 euros. “O nosso orçamento é bastante limitado”, disse Mariana Oliveira, outra das responsáveis do projeto. “Este prémio permite-nos ter novas iniciativas, melhorar as que já temos e complementar, numa parte mais prática, as palestras que gostamos de dar e que são tão significativas para o nosso percurso académico e para chegarmos a mais pessoas”, avançou.

De seguida foram reveladas as universidades merecedoras do troféu IES +Voluntária, devido ao elevado número de candidaturas aos PVU 2018. As vencedoras foram a Universidade do Porto, grande recordista com 17 projetos de alunos seus a concorrerem as estes prémios, ex-aequo com a UTAD, que viu cinco projetos seus serem inscritos nos PVU 2018.

“Este prémio representa o reconhecer do trabalho que tem sido feito”, afirmou António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, após ter aceite o prémio IES +Voluntária em nome da instituição que rege. “É um sinal de que estamos a formar cidadãos de corpo inteiro e não apenas cidadãos tecnicamente competentes”, disse. Isto, depois de ter sublinhado que os 17 projetos que concorreram “são de certeza muito menos do que aqueles que estão em desenvolvimento na universidade”, que nascem da iniciativa individual os estudantes mas que são apoiados pelas direções das faculdades e pela reitoria.

Em nome da UTAD, para aceitar o prémio IES +Voluntária, esteve no palco Elsa Justino, administradora dos Serviços de Ação Social desta universidade. “Este prémio representa, no fundo, o reconhecimento da sociedade pelo papel da universidade e do contributo que esta dá para as questões da responsabilidade social”, frisou a responsável. “Esta parceria com o Santander tem sido muito importante para nós, não só em termos monetários e por podermos alavancar os projetos que temos, mas também porque tem sido uma parceria entre pessoas, entre instituições, que nos tem ajudado imenso a compreender um pouco o que é que a sociedade pretende da universidade e como é que nós nos podemos ajustar”, afirmou Elsa Justino.

Elsa Justino (ao centro), no momento em que recebeu o prémio IES +Voluntária em nome da UTAD. No extremo direito está está Inês Oom de Sousa, seguida por Diamantino Durão, reitor da Lusíada, Cristina Louro, Elsa Justino, António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, e Rui Miguel Santos, responsável da área de Sustentabilidade do Santander. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

Elsa Justino (ao centro), no momento em que recebeu o prémio IES +Voluntária em nome da UTAD. No extremo direito está Inês Oom de Sousa, seguida por Diamantino Durão, reitor da Lusíada, Cristina Louro, presidente do júri dos PVU, Elsa Justino, António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, e Rui Miguel Santos, responsável da área de Sustentabilidade do Santander. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

Só depois destes dois momentos, foram anunciados os projetos vencedores das três categorias principais dos Prémios de Voluntariado Universitário. O 8 Hours Overtime for a Good Cause (ou 8i, na versão mais curta), desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), foi o primeiro a saber-se ter conquistado um dos PVU 2018. Formado por professores e alunos dos diversos cursos de Design, bem como dos de Animação, Publicidade, Marketing do IPP, durante oito horas os voluntários do 8i “doam trabalho criativo a instituições de solidariedade e apoio social, locais, contribuindo para a renovação da sua identidade visual, estratégias de comunicação e reposicionamento social”, explicou a professora Josélia Pedro, responsável do projeto.

Já depois de ter recebido o prémio, comentava João Melo, aluno do IPP e outro dos responsáveis do projeto. “É uma sensação muito boa, porque são oito horas que nós damos da nossa vida para ajudar associações que necessitam e é muito bom e ser reconhecido por isso”.

Os responsáveis do projeto 8i, Josélia Pedro (à esq.), docente do IP de Portalegre, Beatriz Martins e João Lemos, ambos estudantes, após receberem o PVU 2018. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

Os responsáveis do projeto 8i, Josélia Pedro (à esq.), docente do IP de Portalegre, Beatriz Martins e João Lemos, ambos estudantes, após receberem o PVU 2018. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

Quanto aos 3.000 euros que o PVU atribui a cada vencedor, no caso do 8i, vão reverter para o próprio projeto. Com este valor pecuniário “podemos a ajudar a implementar os projetos que realizamos que, muitas das vezes, têm alguma dificuldade de implementação, nomeadamente quando é necessário haver recursos financeiros”, disse Josélia Pedro.

O segundo PVU 2018 foi entregue ao projeto Amal Soap, desenvolvido por estudantes da Universidade Nova de Lisboa para ajudar a integrar e a capacitar mulheres sírias, refugiadas em Portugal, através da produção e venda de sabonetes por estas feitos aplicando métodos tradicionais de Aleppo. “Este prémio representa esperança, que é o nome do projeto: Amal é esperança em árabe”, afirmou Benedita Contreras, responsável da iniciativa. “E esperança é o que nós vestimos desde o início para enfrentar as dificuldades que temos vindo a ter e para manter esta energia de criar inovação e impacto, que é aquilo a que nos propusemos”, acrescentou.

Benedita Contreras e Graça Francisco, do projeto Amal Soap, felizes com o PVU 2018 conquistado pelo seu projeto. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

Benedita Contreras e Graça Francisco, do projeto Amal Soap, felizes com o PVU 2018 conquistado pelo seu projeto. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

O seu valor pecuniário vai ser sobretudo aplicado no espaço de produção do sabonete Amal Soap, cujas vendas ajudarão a integrar estas famílias sírias. O prémio “pode ajudar-nos bastante quanto ao espaço que temos, melhorá-lo em termos de segurança e de eficiência, e para comprar mais material de produção”, explicou Benedita Contreras.

A ansiedade cresceu quando faltava apenas anunciar o terceiro e último PVU 2018, que coube ao projeto O Meu Lugar no Mundo, conjuntamente desenvolvido pelas faculdades de Economia da U.Porto e da Católica do Porto. Trabalhando com mais de 40 crianças carenciadas do Bonfim, no Porto, o projeto pretende auxiliá-las nos seu estudos e abrir-lhes horizontes, demonstrando através de diversas atividades extracurriculares o muito que o mundo tem para oferecer.

“Este prémio representa o culminar de cinco anos de trabalho, todos os dias, de muito sacrifício, muitas horas dadas, muito choro, por vezes, pela falta de esperança de conseguirmos chegar lá”, disse de olhos marejados Cátia Oliveira, responsável do projeto. “Representa a possibilidade de os miúdos com quem trabalhamos poderem ver novos contextos e novas realidades”, avançou.

O valor do prémio vai permitir “fazer um conjunto de atividades que já há muito tempo tínhamos planeadas mas que, por falta de verbas, não tínhamos conseguido concretizar. Esta candidatura foi especificamente para isso, para nós podermos levar os miúdos mais longe”, acrescentou Cátia Oliveira, que diz ter já na calha visitas a Lisboa, Aveiro e Guimarães e outras iniciativas para dar a conhecer realidades e formas novas de fazer as coisas. Mas acima de tudo, o dinheiro do prémio vai ser usado para “acrescentar atividades para os miúdos”.

Quanto à mentoria por um executivo do Banco Santander que os PVU 2018 também incluem, refere Cátia Oliveira: “Isso vai ser espetacular, porque vamos conseguir abrir a mente, estruturar melhor o projeto e ir noutros sentidos”.

Inês Valdrez, Teresa Soares e Cátia Oliveira receberam o PVU 2018 orgulhosamente envergando a T-Shirt do seu projeto O Meu Lugar no Mundo. Foto: Leonardo Negrão / Global Imagens

Inês Valdrez, Teresa Soares e Cátia Oliveira receberam o PVU 2018 orgulhosamente envergando a T-Shirt do seu projeto O Meu Lugar no Mundo. Foto: Leonardo Negrão / Global Imagens

Os restantes projetos finalistas desta 3.ª edição dos Prémios de Voluntariado Universitário – Aldeia Feliz, do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho; Escola de Superpoderes, da Universidade do Porto; Gerações Unidas, da UTAD; Escola de Música: Pequenos Acordes, da Universidade do Minho; VinteAgeing Fénix, da Escola Superior de Saúde Santa Maria, no Porto; Pro Bono, das faculdades de Direito da Universidade de Lisboa, da Católica e da Universidade do Porto; SolidarISA, do Instituto Superior de Agronomia – não abandonaram a cerimónia sem antes levarem uma Menção Honrosa PVU 2018 pelas obras que realizam.

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