empreendedorismo

U.Porto tem “círculo encantado” onde se encontram as suas empresas de sucesso

A Conferência Entreprenow, no passado dia 27 de novembro, foi uma das mais recentes iniciativas no âmbito do The Circle. FOTO: DR/U.Porto Inovação
A Conferência Entreprenow, no passado dia 27 de novembro, foi uma das mais recentes iniciativas no âmbito do The Circle. FOTO: DR/U.Porto Inovação

Chama-se The Circle, reúne as Spin-off U.Porto e grandes talentos empresariais para fazerem networking e partilharem novas ideias

“É um clube com bastante potencial e com uma dinâmica muito interessante.” Foi assim que Maria de Oliveira, coordenadora da U.Porto Inovação, caracterizou o U.Porto Spin-off Circle ou The Circle, na sua versão mais curta. Neste clube reúnem-se, pelo menos duas vezes por ano, as empresas cujo ADN está ligado à Universidade do Porto: isto é, empresas cujos membros fundadores frequentaram esta instituição ou que têm conhecimento e tecnologia que nela foram desenvolvidos. São startups que, em poucos anos, puseram no mercado produtos ou serviços inéditos e que partilham umas com as outras o que aprenderam e o que o mercado quer.

Nos últimos três ou quatro anos, os casos de sucesso de startups lançadas com ligação à Universidade do Porto são tantos que Maria de Oliveira até admite ser a iniciativa que as reúne uma espécie de “círculo encantado”. É que, oficialmente reconhecidas, neste momento há cerca de 77 empresas spin-off da Universidade do Porto, avança a coordenadora. Algumas já com projeção internacional e capazes de angariar rondas de investimento de vários milhões de euros, apesar dos seus poucos anos de vida.

“Por isso, de certa forma, sim, trata-se de um círculo encantado, pelo talento das pessoas que compõem este clube, The Circle”, admitiu. “Porque de facto existem aqui empreendedores que têm trilhado um caminho, nos últimos anos, verdadeiramente espantoso. Isso, sim, é um grande milagre, às vezes até para nós”, acrescentou a coordenadora da inovação da U.Porto.

O The Circle da Spin-off U.Porto tem cerca de 2 anos. Foi criado com o objetivo de “aproximar as empresas à universidade, para que possam fazer networking entre elas, e também aproximá-las às grandes empresas com as quais a universidade tem ligações”, explicou a responsável.

Maria de Oliveira, coordenadora da U.Porto Inovação, foi uma das oradoras na conferência Entreprenow. FOTO:DR/U.Porto Inovação

Maria de Oliveira, coordenadora da U.Porto Inovação, foi uma das oradoras na conferência Entreprenow. FOTO:DR/U.Porto Inovação

Assim, além dos encontros entre empresas, que lhes permitem conhecerem-se, trocarem contactos, descobrirem pontos de complementaridade nas suas atividades (concretizarem o tal networking), são organizados seminários com grandes empresas – nomeadamente a chamada Academia to Business (A2B), desenvolvida pela U.Porto Inovação – e conferências, como a recente Entreprenow, ocorrida no passado dia 27 de novembro.

“O objetivo é o estabelecimento de projetos conjuntos, colaborativos, que no futuro possam ser de vantagem mútua, tanto para a universidade, como para essas spin-off, como para as grandes empresas”, explicitou Maria de Oliveira.

Para tudo isto, a Universidade do Porto conta com parceiros que a responsável define como essenciais. Um deles é, disse, “o Santander Universidades – que é simultaneamente mecenas da universidade e parceiro estratégico do The Circle” – devido à rede internacional de empresas e às parcerias que tem com centenas de universidades por todo o mundo ibérico. A Porto Business School é outro parceiro recente da iniciativa “e o nosso objetivo é aumentar o grupo de parceiros que estão aqui à volta do The Circle”, disse Maria de Oliveira.

Um exemplo do que acontece nas iniciativas do Círculo: Cristina Dias Neves, diretora do Santander Universidades, passou pela Conferência Entreprenow e partilhou o que o banco sabe pele contacto da sua rede internacional com empresas de todo o mundo. FOTO: DR/U.Porto Inovação

Um exemplo do que acontece nas iniciativas do Círculo: Cristina Dias Neves, diretora do Santander Universidades, passou pela Conferência Entreprenow e partilhou o que o banco sabe pelo contacto da sua rede internacional com empresas de todo o mundo. FOTO: DR/U.Porto Inovação

Neste clube exclusivo só entram as Spin-off U.Porto. Mas afinal o que é uma Spin-off U.Porto? “Tem a ver com o reconhecimento que a Universidade do Porto dá a todas as empresas que foram criadas com aquilo que nós chamamos ADN da U.Porto”, disse a responsável. Ou seja, como antes se referiu, empresas fundadas por ex-alunos, ex-docentes ou ex-investigadores desta universidade e/ou tendo por base investigação e tecnologia nela desenvolvida. Ao permitir às jovens empresas a utilização da chancela Spin-off U.Porto, a universidade nortenha está a reconhecer que existe este vínculo de proximidade e que elas têm potencial de inovação, afirmou a coordenadora.

Para uma empresa, ser Spin-off U.Porto pode traduzir-se em vantagens. “O facto de estarem ligadas à universidade pode permitir-lhes com maior facilidade – pelo menos nos meios onde a universidade tem uma boa reputação e é reconhecida, a nível nacional, mas também a nível internacional – a captação de investimento, exatamente por essa associação à parte da Investigação, Desenvolvimento & Inovação que por norma está associada à U.Porto”, explicou Maria de Oliveira.

Aderir ao clube

Para a empresa, tudo começa com uma candidatura espontânea. “No fundo ela está a formalizar a sua intenção de ser reconhecida como spin-off da Universidade do Porto”, disse a coordenadora da Inovação. “Essa candidatura é averiguada, de forma a analisarmos se, de facto, a empresa tem ligação à U.Porto, se tem esse tal cariz inovador ligado à parte do conhecimento gerado na U.Porto, e é atribuída uma autorização” para utilização da marca Spin-off U.Porto.

Isto não significa que esta instituição vire as costas às outras empresas que não reúnam estes requisitos, como Maria de Oliveira fez questão de sublinhar. “A universidade do Porto abre os seus portões a todas as empresas, até através do seu Parque de Ciência e Tecnologia, que acolhe não só empresas que são originárias daqui ou ligadas à Universidade do Porto, mas qualquer iniciativa empresarial que queira estar próxima da universidade do Porto”, disse.


“É esta a nossa preocupação: como é que traduzimos o conhecimento gerado na universidade do Porto em produtos e serviços que possam ser úteis à sociedade”


 

A diferença é que uma “Spin-off U.Porto tem um cariz particular”, elucidou. E o The Circle permite ver que “aqueles casos de sucesso, de que se ouve falar no estrangeiro e que parecem tão fáceis, começam a acontecer também a nível nacional, permite ver que existe o talento e que esse talento está, de facto, também a ser reconhecido a nível internacional”, afirmou.

Maria de Oliveira referiu como exemplos de Spin-off U.Porto de sucesso o caso da Veniam, da FastInov e da Hubb (veja aqui), quer pela projeção internacional que já atingiram, quer pelos grandes investimentos que captaram e até pela inovação do produto que lançaram ou serviço que prestam.

Mas há outros casos, diz, e é sempre muito difícil distinguir. Isto, “porque tempos empresas com diferentes níveis de maturidade e, também, dentro das áreas tecnológicas onde estão, existem algumas que têm uma facilidade maior de chegar mais rapidamente ao mercado do que outras, que têm uma cadeia de desenvolvimento mais longa”.

Maria de Oliveira afirma que na U.Porto fala-se muito na questão de se estar a desenvolver os empreendedores do futuro, de se perceber se, de facto, as universidades estão a alimentar ou não o potencial do empreendedorismo, pela sua forma de ensino. “Porque, no fundo, é esta a nossa preocupação: como é que traduzimos o conhecimento gerado na universidade do Porto em produtos e serviços que possam ser úteis à sociedade”, concluiu.

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