IV Encontro de Reitores

Marcelo usou experiência académica para brilhar em Salamanca

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Chefe de Estado inaugurou o "encontro" de 600 reitores e a sua receita para a universidade do futuro – aberta e 4.0 – foi recebida com ovação efusiva.

“Está nas vossas mãos o futuro das vossas sociedades; está mais nas vossas mãos do que nas mãos dos políticos, porque antes de haver políticos há educadores e educados”. Foi com estas palavras que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, se dirigiu ao coletivo de 600 reitores que desde esta manhã estão reunidos no Palácio de Congressos de Castela e Leão, em Salamanca. O evento que vai durar até terça-feira à hora de almoço junta os responsáveis máximos de universidades ibero-americanas, 30 dos quais portugueses, para discutir os moldes da universidade do século XXI.

Representando cerca de oito milhões de estudantes de cerca de 26 países, os presentes no IV Encontro de Reitores Universia 2018, que tem por lema “Universidade, sociedade e futuro”, começaram por levantar a questão de como podem e devem as instituições de ensino superior enfrentar os desafios da sociedade de hoje, em constante mudança.

No discurso de inauguração do evento, além de outras personalidades, estiveram o Presidente de Portugal e o rei de Espanha, D. Felipe VI. Marcelo Rebelo de Sousa saudou “a visão, coragem e determinação” da aposta no futuro demonstrada pela organização do Encontro de Reitores.

Afirmando falar com o seu coração de professor, mas sem esquecer o papel de Presidente, o chefe de Estado português apelou à necessidade de uma universidade com valores, integrada e aberta. “A universidade não é uma peça isolada – pertence a um sistema educativo. Não há educação sem coesão social”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando: “A crise dos dias de hoje, a crise dos sistemas políticos, económicos e sociais é uma crise de falta de coesão”, afirmou.

Dando como exemplo do Brexit, no Reino Unido, o Presidente da República garantiu ao um auditório com lotação mais do que esgotada – onde parte do público teve de permanecer de pé – que “onde não há coesão, há populismos, xenofobias e demagogia”.

A universidade “tem de estar aberta aos problemas económicos e sociais”, disse o Presidente da República. “Assim como há economia 4.0, deve haver uma universidade 4.0”, aconselhou, explicando que esta não é só uma instituição académica que use o digital”, é aquela que além de usar o digital “funciona em rede nacional, continental, transcontinental e mundial”.

À despedida, e antes da efusiva ovação que o seu discurso mereceu, Marcelo Rebelo de Sousa citou Miguel Unamuno, o vanguardista reitor e filósofo da Universidade de Salamanca do início do século XX, para dizer incitar à mudança: “Quem não sente a ânsia de ser mais, não chegara a ser nada. Temos de ter a ânsia de ser mais, toda a vossa vida, toda a nossa vida”.

Rei de Espanha em consonância com Marcelo

Também no seu discurso Felipe VI de Espanha falou da necessidade de adaptação das universidades dos dias de hoje. “As respostas a fenómenos complexos, como as consequências da globalização e o impacto que implica a transformação digital para as atuais e novas gerações, requerem um novo impulso criativo, uma aposta renovada em prol da educação e, concretamente, educação superior”, disse o rei.

Acerca do Encontro de Reitores – já o quarto realizado pelo Universia, programa da iniciativa do Banco Santander dedicado à evolução digital das universidades –, o rei de Espanha saudou os três eixos de discussão, por responderem a “questões centrais” que devem ser abordadas para enfrentar com êxito os desafios” de hoje.

Os três eixos a que o monarca se referiu são: formar e aprender no mundo digital; a investigação na universidade; e a contribuição para o desenvolvimento social e territorial

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