empreendedorismo

Universidade de Coimbra mais perto de pôr um “Explorador” em Silicon Valley

Os participantes selecionados e os responsáveis da Universidade de Coimbra juntaram-se no início do Programa Explorer, em Janeiro.
Os participantes selecionados e os responsáveis da Universidade de Coimbra juntaram-se no início do Programa Explorer, em Janeiro.

Balanço de cinco meses do Programa Explorer é positivo. Já há projetos que se distinguem como fortes candidatos a uma ida à meca da tecnologia dos EUA

Já lá vão quase cinco meses desde que o Programa Explorer, concebido para ajudar a lançar jovens empresários com novas ideias de negócios, arrancou na Universidade de Coimbra (UC). A iniciativa, que é coordenada pelo Centro Internacional Santander Empreendedorismo, está em curso em instituições do ensino superior da Península Ibérica e da Argentina, e vai levar 53 vencedores até à meca americana da tecnologia, o famoso Silicon Valley. Esta semana, o Programa Explorer de Coimbra por pouco não viu um dos seus “Exploradores” – no concurso de melhor pitch do Explorer Day de Burgos, Espanha – tornar-se o primeiro a ter viagem marcada para Silicon Valley. Os restantes só serão selecionados em junho ou julho deste ano, mas, entretanto, os meses de trabalho já começam a dar frutos e o Explorer Space de Coimbra está mais perto de levar um empreendedor seu aos EUA.

Desde janeiro, “já houve uma evolução muito grande das ideias de negócio e da experiência que foi adquirida pelos participantes”, garante Miguel Gonçalves, coordenador do Programa Explorer da UC. O responsável, que pertence à Divisão de Inovação e Transferências do Saber da Universidade de Coimbra, conta que, apesar de a formação ainda não estar concluída, o que foi aprendido, juntamente com os contactos feitos com potenciais clientes, parceiros e fornecedores, já permitiu aos participantes avaliarem melhor os seus projetos.

“Tivemos oportunidade de ver alguns deles a desistirem quase imediatamente das ideias com as quais se candidataram ao Programa Explorer”, diz Miguel Gonçalves. Isto porque, acrescenta, “através das metodologias que temos, conseguiram avaliar e aperceber-se de que as suas ideias de negócio iniciais não teriam muito sucesso e, portanto, reorientaram ou desenvolveram novas ideias, que pudessem ter maior potencial”.

Esta é a primeira vez que o Programa Explorer decorre em Portugal e a Universidade de Coimbra é a pioneira a pô-lo em prática. Dirigido a jovens entre os 18 e os 31 anos que tenham ideias inovadoras, o programa dá apoio, formação e assessoria para que os candidatos lancem o seu negócio. Neste momento, ultrapassadas as inevitáveis desistências inicias, no Explorer Space da UC estão a ser desenvolvidos 13 projetos que envolvem 18 participantes.

Além da formação presencial – que inclui sessões sobre design thinking, lean startup, marketing, plano de economia e financeiro, questões legais, comunicação, etc. –, há uma formação online, com especialistas do mundo inteiro, e um constante lançar de desafios aos participantes.

O mais recente de entre estes foi o desafio “Este é o meu pitch“, que consiste numa “competição em que cada projeto tem de desenvolver um pitch, um vídeo da sua ideia de negócio, em dois minutos”, diz Miguel Gonçalves. Graças a esta iniciativa, já houve dois projetos do Programa Explorer de Coimbra que deram nas vistas.

Um é o Toal Ecobebidas, que, segundo o coordenador do programa, “pretende aproveitar os desperdícios da indústria alimentar para criar iogurtes com propriedades nutricionais bastante ricas”. O outro, chama-se Revealer e é uma “plataforma para fotógrafos para aumentar a promoção e a venda de fotografias em eventos como casamentos e batizados”. Com esta aplicação, diz Miguel Gonçalves, os convidados “podem selecionar diretamente quais as fotografias que querem e o fotógrafo depois só tem as de enviar, já reveladas, a quem as encomendou”.

Os responsáveis destes dois projetos foram dois potenciais candidatos a irem a Silicon Valley. É que, por causa de terem ganho este desafio em Portugal, foram apresentar o seu pitch no Explorer Day, que decorreu esta sexta-feira, 27 de abril, em Burgos, Espanha. Aí competiram com os pitchs vencedores dos restantes 51 centros Explorer da Espanha e Argentina.

Explorer Day decidiu já um vencedor

O primeiro dos 53 vencedores do Programa Explorer ficou conhecido quando, no final do Explorer Day, foi decidido qual o projeto que melhor “vendeu a sua ideia de negócio”, isto é, que fez o melhor pitch. Dos dois projetos portugueses candidatos, só o Revealer passou ao top-10 para disputar a final, mas acabou por ser derrotado pela concorrência.

O projeto espanhol Byetick – uma aplicação que pretende substituir os bilhetes em papel, que nos enchem as carteiras, pela sua versão digital – foi quem conquistou o primeiro lugar do pódio, pelo que o seu responsável tem já viagem garantida a Silicon Valley. Aos portugueses do Revealer coube a distinção de verem o seu pitch classificado nos 10 melhores de entre mais de meia centena de concorrentes, o que lhes valeu um prémio monetário no valor de 100 euros.

Mas, afinal, que dia especial é este? “O Explorer Day é um evento que congrega os participantes dos 52 centros Explorer espalhados pela Península Ibérica e Argentina”, disse Miguel Gonçalves. “É um dia inteiro de atividades de networking e formação para o empreendedorismo, em que são convidados promotores de startups, que tiveram sucesso, para darem o seu depoimento e fazem-se contactos com investidores e com peritos nas várias áreas com interesse para o desenvolvimento de startups.”

Como explicou Miguel Gonçalves, só mesmo nesta sexta-feira, já em Burgos, é que os dois projetos portugueses vencedores do desafio ficaram a saber se estavam no top-20 dos pitchs pré-selecionados (10 finalistas + 10 suplentes) para irem à final. Ao longo do Explorer Day, cada um dos 20 finalistas teve um “stand e espaço no evento para promover a sua ideia de negócio junto dos participantes”, disse o coordenador. E como o evento funciona como um microcosmos de negócios, com “moeda” própria para usar durante o evento, “os projetos que conseguiram angariar mais dinheiro compuseram o top-3 que disputou a final”. Esta levou os responsáveis dos projetos a fazerem o seu pitch no palco de um grande auditório, findo o qual um júri elegeu o vencedor.

Os restantes 52 vencedores – um por cada centro Explorer – só serão decididos entre junho e julho. Para eles, o Programa Explorer tem previstos prémios pecuniários que ultrapassam, em termos globais, os 80 mil euros, para ajudar os vencedores a lançar o seu negócio.

Silicon Valley Comes to Coimbra

Outra das iniciativas previstas no Programa Explorer português está agendada para 30 de maio e, sendo feita a pensar em todos os que não terão a sorte de ir aos EUA, promete trazer Silicon Valley à cidade dos estudantes.

O Silicon Valley Comes to Coimbra “não é um dia apenas para os participantes no Programa Explorer”, sublinha o seu coordenador. Avançando que já tem cerca de 200 inscritos e que as inscrições vão estar abertas até ao próprio dia, Miguel Gonçalves diz que o evento está aberto ao público em geral. “Temos aqui interessados que poderão vir do Instituto Pedro Nunes, do Biocant, há investigadores da área das tecnologias de informação e de outras áreas – é um evento aberto a toda a comunidade”, afirma.

“A iniciativa partiu, realmente, dessa intenção: de darmos oportunidade a quem não poderá ir a Silicon Valley de perceber um pouco como funciona aquele ecossistema de inovação. Mas, já agora, pretende-se também dar essa informação a todos os interessados nela”, avança o responsável.

Como o próprio nome indica, a iniciativa terá lugar em Coimbra, mas Miguel Gonçalves terá de anunciar mais tarde onde irá decorrer, porque isso vai depender do número de inscritos. O Objetivo, diz, não é transformar Coimbra num Silicon Valley. “Queremos perceber, através deste evento, porque é que Silicon Valley continua a ser uma referência internacional do desenvolvimento de empresas tecnológicas e da área da tecnologia de informação. E não só: porque é que muitas empresas portuguesas, quando se querem globalizar, procuram Silicon Valley em primeiro lugar e não outra cidade do mundo”.

Para isso, um dos momentos-chave, sublinha, será a palestra “O Potencial de Silicon Valley: Factos e Mitos”, dada por Pedro Santos Vieira, presidente da Associação West to West, que apoia empreendedores portugueses a escalarem os seus negócios em Silicon Valley. “Portanto, é alguém que conhece muito bem aquela realidade e que nos vai conseguir explicar o que é realmente Silicon Valley, o que pode lá ser feito, quem são os agentes no terreno que tornam aquela região, aquele ecossistema, tão valioso”, diz Miguel Gonçalves, acrescentando: “E vamos tentar perceber também o que não é, quais são os mitos, para que de uma forma inspiradora mas também muito pragmática os presentes possam vislumbrar a realidade de Silicon Valley”.

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