Inovação

U.Porto e Santander lançam programa pioneiro de aceleração “feito à medida”

O programa de aceleração BIP, da U.Porto Inovação, já teve várias edições em anos anteriores, mas o BIP FinTech será pioneiro. FOTO: D.R./ U.PORTO INOVAÇÃO
O programa de aceleração BIP, da U.Porto Inovação, já teve várias edições em anos anteriores, mas o BIP FinTech será pioneiro. FOTO: D.R./ U.PORTO INOVAÇÃO

O desafio lançado aos universitários é encontrarem soluções customizadas para três problemas da banca. As candidaturas decorrem até 7 de abril

Cibersegurança, blockchain e a análise de um volume de dados financeiros cada vez mais avassalador: é para estes três problemas que o Banco Santander Portugal quer encontrar novas e melhores soluções. Para isso lançou um desafio à U.Porto Inovação e as duas instituições conceberam o BIP FinTech, um programa de aceleração intensivo customizado, destinado a estudantes universitários de todos os níveis, cursos e universidades. As candidaturas são apresentadas online e o prazo para concorrer termina a 7 de abril. Os vencedores da BIP FinTech, que decorre entre 28 de abril e 3 de maio, na Porto Business School, vão receber um “bilhete de ingresso” na European Innovation Academia e terão um retorno financeiro pela ideia adotada.

O BIP FinTech vai ser desenvolvido de uma “maneira pioneira” porque, como diz Joana Carrilho, gestora de projetos da U.Porto Inovação, “em vez de se desenvolver primeiro uma tecnologia e procurar depois áreas ou empresas onde se possa encaixar, vai-se adotar o método oposto”.

“A sigla BIP vem de Business Ignition Programme e trata-se de um programa que nós já temos há alguns anos a funcionar – já teve cerca de cinco edições; as últimas três foram nos anos de 2017 e 2018 –, cuja ideia é precisamente criar modelos de negócio para tecnologias desenvolvidas no contexto académico”, explicou Joana Carrilho.

“Este é um modelo que nós já tínhamos comprovado, já sabíamos que funcionava”, continua a responsável, avançando que já por diversas vezes o Santander foi parceiro do BIP, nomeadamente, dando mentoria. “Aquilo que no Santander perceberam é que podíamos fazer um programa customizado para eles, em que as tecnologias que nós apoiamos e que ajudamos a acelerar não sejam genéricas, mas especificamente desenhadas para os desafios que eles enfrentam”, contou.

O resultado foi, portanto, o programa-piloto BIP FinTech. Será uma semana de seis dias consecutivos – entre 28 de abril e 3 de maio – de trabalho intensivo para desenvolver uma ideia de negócio, aplicando a metodologia Lean Startup, isto é, como explica o comunicado de imprensa, “desde a validação do cliente até à criação de uma proposta de valor e estabelecimento de parcerias”.

Os vencedores irão à EIA, a maior aceleradora tecnológica da Europa, em Cascais, com a oferta da inscrição de 1899 euros. FOTO: GI/JORGE AMARAL

Os vencedores irão à EIA, a maior aceleradora tecnológica da Europa, em Cascais, com a oferta da inscrição de 1899 euros. FOTO: GI/JORGE AMARAL

“Portanto, a ideia foi o Santander, como já é nosso parceiro há muitos anos, estabelecer esta parceria connosco para ser o pioneiro neste novo ciclo de programas de ignição, que é customizar para os desafios específicos da empresa”, concluiu Joana Carrilho.

À procura da equipa ideal

Agora, os dois parceiros procuram equipas para encontrar soluções para três desafios que se põem à banca do século XXI: o blockchain (vide abaixo), a cibersegurança e o tratamento de volumosas quantidades de dados. Ao todo, serão selecionadas 12 equipas, num total de 36 participantes. “Cada equipa terá três elementos e a nossa ideia é termos quatro equipas a trabalhar por desafio, para testarmos para cada desafio quatro ideias diferentes”, disse Joana Carrilho.

“Queremos pessoas que tenham alguma ideia para responder a estes desafios, independentemente de qual for o seu background”, disse a gestora de projetos. Quer com isto dizer a responsável que, desde que a ideia apresentada seja interessante, o BIP FinTech está pronto a aceitar estudantes de todos os cursos e de todos os níveis de estudos superiores – licenciatura, mestrado ou doutoramento.

Mas há um perfil que cada um dos três elementos terá de ter. Um deles terá de ser aquilo que o programa designa por “tecnólogo”, alguém (mais uma vez, de qualquer background) com uma solução tecnológica ou ideia que responda a um dos desafios propostos. Outro será o chamado “elemento de negócio”. “Aqui, sim, este terá de vir de uma área mais ligada à economia e gestão, portanto, é alguém que vai ajudar a criar um modelo de negócio para a ideia: por muito que esta possa ser de base tecnológica – por exemplo, pode ser um algoritmo para o tratamento de dados –, é preciso, depois, arranjar maneira de ela ter um modelo de negócio associado e de nós percebermos qual é a sua viabilidade económica”, explicou Joana Carrilho. O terceiro membro da equipa tem de ser o “designer/criativo”, o elemento principalmente envolvido na identidade visual da solução.

Queremos pessoas que tenham alguma ideia para responder a estes desafios, independentemente de qual for o seu background

As candidaturas devem ser apresentadas online através da página do BIP FinTech ou diretamente na página dedicada ao concurso na plataforma Santander X, até 7 de abril. E uma semana depois, isto é, a partir de 15 de abril, serão divulgadas as 12 equipas selecionadas, que iniciarão os trabalhos 15 dias mais tarde, a 28 de abril.

“Dois tipos de prémios”

A encerrar a semana de aceleração do BIP FinTech, cada uma das equipas fará o seu pitch final e só uma sairá vencedora. Para cada um dos três elementos vencedores, haverá “dois tipos de prémios”, sublinha Joana Carrilho.

“Por um lado, queremos que a melhor equipa tenha a oportunidade de desenvolver mais as suas capacidades de empreendedorismo”, diz a responsável. Por isso, a Universidade do Porto e o Santander Universidades vão oferecer a cada um dos três elementos a inscrição na European Innovation Academy – a maior aceleradora de negócios tecnológicos da Europa, por ponde passam como mentores e formadores professores, investigadores e empresários de algumas das maiores e mais prestigiadas universidades e empresas do mundo. No fundo, trata-se de uma bolsa no valor da inscrição, que ronda os 1899€ por pessoa.

Além disso, o Banco Santander compromete-se, relativamente às ideias que considere interessantes, a fazer um acordo com as respetivas equipas para, mediante uma contrapartida financeira, a poderem desenvolver posteriormente. E isto, frisou Joana Carrilho, pode não se limitar apenas às ideias da equipa campeã do BIP FinTech.


Os blocos de dados digitais são duplicadas milhares de vezes através de uma rede de computadores espalhada por todo o mundo, mas estão em constante comunicação e sincronia. FOTO: Steve Snodgrass/ All Creative Commons

Os blocos de dados digitais são duplicados milhares de vezes através de uma rede de computadores espalhada por todo o mundo, mas estão em constante comunicação e sincronia. FOTO: Steve Snodgrass/ All Creative Commons

Blockchain – A cadeia de dados por trás das criptomoedas

Um dos desafios a que os candidatos terão de responder é encontrar soluções para a blockchain. Mas afinal, o que é isto? A blockchain, como o próprio nome indica, é uma cadeia de blocos de dados digitais. Em cada um destes blocos estão registados todos os elementos necessários ao funcionamento do sistema em causa – tratando-se de um registo financeiro, por exemplo, nele estarão contidas todas as transações feitas desde o primeiro momento, a identificação dos intervenientes, data, hora, etc. Estes dados não se encontram em qualquer servidor central, mas em vários computadores espalhados pelo mundo – os nodes – contendo cada um uma cópia completa da blockchain. Estas máquinas estão em permanente comunicação, sincronizando-se e atualizando a cadeia constantemente. A cada momento, os nodes verificam e confirmam se uma transação tem todos os requisitos necessários e, apenas quando estão todos em consenso, validam a transação. Desta forma dispensa-se a intervenção de intermediários e impossibilita-se a fraude, uma vez que a corrupção dos dados de uma máquina é automaticamente corrigida pelas informações contidas nas outras. Este é o processo informático por trás das criptomoedas, como a Bitcoin.

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