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Curso a custo zero nos Açores vai ensinar o segredo dos perigos geológicos

Centro de Investigação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA)  e peritos como Joana Medeiros, técnica superior desta instituição, estarão envolvidos neste curso.  FOTO: DR / UAc
Centro de Investigação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) e peritos como Joana Medeiros, técnica superior desta instituição, estarão envolvidos neste curso. FOTO: DR / UAc

1º Curso de Perigos Geológicos da UAc é gratuito, tem 25 vagas e decorre já em junho. As inscrições estão abertas até 12 de maio

Desastres naturais, sismos, vulcões, tsunamis: é a mecânica de todas estas ocorrências que o 1º Curso de Perigos Geológicos da Universidade dos Açores se propõe ensinar já a partir deste verão. Trata-se de uma formação de curta duração – três semanas de estudo intensivo, entre 10 e 28 de junho –, cujo prazo de inscrições já está em curso e fecha a 12 de maio. E, para os 25 candidatos selecionados, este é um curso “a custo zero”, já que é patrocinado pelo Santander Universidades.

“Temos 25 vagas para atribuir – foi isso que acordámos com o Santander e é o que nos parece razoável em termos de funcionamento do curso com qualidade”, explicou Susana Mira Leal, vice-reitora para a Comunicação, Relações Externas e Internacionalização da Universidade dos Açores (UAc), e responsável por este projeto. Como explicou, ao todo serão 42 horas de estudos geológicos, metade das quais passadas em formação na sala de aula e as restantes 21 horas em trabalhos de campo, na Ilha de S. Miguel.

A vantagem deste curso é que tem ao seu dispor o vasto manancial de investigação, conhecimento e peritos da Universidade dos Açores e aproveita as suas circunstâncias geográficas e geomorfológicas. A UAc “tem um centro de investigação bastante conceituado nesta área, investigadores com muita experiência e conhecimento construído, além de parcerias internacionais neste âmbito. E está num laboratório natural para estudar estas questões”, disse Susana Mira Leal.

A responsável referia-se, por um lado, ao Centro de Investigação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) e respetivos peritos, que estarão envolvidos no ministrar deste curso, por outro ao facto de ser este um arquipélago vulcânico, polvilhado de caldeiras e vulcões, com tendência para grande atividade sísmica, dado situar-se numa faixa tectónica que é conhecida por Zona de Fratura Este dos Açores.

Susana Mira Leal, vice-reitora para a Internacionalização, está otimista quanto à potencialidade do novo curso para atrair estudantes estrangeiros e reforçar a projeção internacional da UAc. FOTO: DR / UAc

Susana Mira Leal, vice-reitora para a Internacionalização, está otimista quanto à potencialidade do novo curso para atrair estudantes estrangeiros e reforçar a projeção internacional da UAc. FOTO: DR / UAc

Outra das vantagens do 1º Curso de Perigos Geológicos da UAc é a sua já referida gratuitidade. No total, serão cerca de 8.000 euros que o Santander Universidades vai investir para proporcionar este curso a custo zero aos candidatos selecionados.

“A bolsa do Santander não é uma remuneração atribuída ao estudante”, clarifica Susana Mira Leal. “Nós temos uma propina associada ao curso e também uma taxa de inscrição e o seguro, que garante a segurança dos estudantes durante o período do curso e o decurso dos trabalhos no terreno. O que a bolsa do Santander cobre são essas despesas”, especificou a responsável. Ou seja, os estudantes só têm de assumir os custos das viagens, alojamento e alimentação.

As inscrições terão de ser feitas online, na plataforma dedicada do Santander, – e podem concorrer todos os estudantes universitários (do caloiro, ao doutorando) com mais de 18 anos e bom domínio de inglês. E nem é preciso prestar provas: no processo de seleção serão avaliadas as motivações apresentadas (em dois parágrafos apenas) para o interesse do candidato neste curso inédito.

“A ideia, aqui, não é excluir, restringir ou limitar, é apenas garantir que eles dispõem das condições mínimas para poderem fazê-lo com a qualidade desejável para que depois, no final, os resultados possam também ser positivos para todos”, explicou a vice-reitora.

Susana Mira Leal frisa que o curso se destina a todos os estudantes universitários, mas reconhece que ele foi desenhado para apelar sobretudo aos estrangeiros. “Podem candidatar-se estudantes portugueses. Mas, o curso está desenhado em inglês precisamente por pretendermos, com ele, captar estudantes de diferentes nacionalidades interessados no tema. E é um tema que pode interessar a estudantes que vão desde as Américas, do Norte e do Sul, até à Ásia. Mas não exclui os estudantes portugueses, naturalmente.”

“A UAc tem um centro de investigação bastante conceituado nesta área (…) e está num laboratório natural para estudar estas questões”

Sendo o seu pelouro o das Relações Externas e da Internacionalização, a captação de estudantes de outros países é uma vertente que interessa especialmente à vice-reitora e que não esconde o seu otimismo. “As minhas expectativas são as melhores, por várias razões, desde logo, porque a Universidade dos Açores é conhecida internacionalmente nesta área”, disse a responsável.

A segunda razão para o seu otimismo reside na procura crescente da Universidade dos Açores por parte dos estudantes estrangeiros. “Nos últimos quatro anos triplicámos o número de estudantes estrangeiros que vêm estudar para UAc e, portanto, isso quer dizer que a universidade tem sido capaz de projetar a sua imagem”, revelou.

O último fator, que Susana Mira Leal classifica como “importante”, é a extensa lista de parcerias da UAc. “Temos 175 instituições parceiras na Rede Erasmus e temos vindo a alargar a nossa rede de parceiros em áreas territoriais onde, até agora, não tínhamos, como por exemplo a China ou a América Latina e até os Estados Unidos. Para além disso, o próprio Santander Universidades, também está a fazer o seu trabalho de divulgação e a sua rede de parceiros é muito alargada a nível mundial. Isso quer dizer que nós temos aqui um espaço de recrutamento bastante alargado”, concluiu a vice-reitora.

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