Investimento

Novas tecnologias da saúde postas à prova em evento na U.Porto

Entre outras coisas, os responsáveis de startups tecnológicas da área da saúde que participem no fórum farão contactos bilaterais com grandes investidores e criarão uma preciosa rede de contactos. FOTO: DR / Tech Tour
Entre outras coisas, os responsáveis de startups tecnológicas da área da saúde que participem no fórum farão contactos bilaterais com grandes investidores e criarão uma preciosa rede de contactos. FOTO: DR / Tech Tour

Operadores do capital de risco ficarão a par do que andam a fazer as tecnológicas da saúde, em Portugal, num fórum que ocorrerá a 23 e 24 de maio

Descobrir quais são as mais recentes aplicações práticas criadas pelo mundo digital e tecnológico para área da saúde e nelas investir é a meta visada pelo Digital Health Venture Forum. O evento chega pela primeira vez a Portugal já a 23 e 24 de maio, pela mão da Universidade do Porto, com a coorganização da Tech Tour e o apoio do Santander Universidades, tendo por “palco” a Porto Business School.

“O objetivo é colocar as startups da área da saúde digital e da tecnologia médica em contacto com potenciais investidores”, disse Helder Vasconcelos, vice-reitor para as Empresas, Inovação e Empreendedorismo da Universidade do Porto, resumindo assim o conceito por trás do Digital Health Venture Forum.

Para este responsável, “no processo de transferência de tecnologia gerada dentro das universidades para o mundo real, um dos principais constrangimentos que as empresas enfrentam é o acesso ao investimento”. Por isso, Helder Vasconcelos afirma que esta é uma “oportunidade única”, tanto para as startups desta área, como para os investidores – estes últimos, “porque acabam por ter oportunidade de identificar novos negócios que eventualmente possam enquadrar-se nos seus perfis de investimento”.

O Digital Health Venture Forum terá duas fases distintas. No primeiro dia, os participantes vão “adquirir know-how” – como diz o vice-reitor – em sessões de mentoring, coaching, reuniões bilaterais e painéis de discussão, onde terão oportunidade de contactar com investidores de capital de risco, empreendedores e especialistas em diversas áreas. É também nesta primeira fase que os responsáveis das startups “terão acesso a uma espécie de ‘formação’ sobre como fazer o melhor pitch”, que Helder Vasconcelos define como sendo, no fundo, “sessões curtas de apresentação de produtos ou serviços com vista a dar a conhecer ideias de negócio a potenciais investidores”.

Helder Vasconcelos, vice-reitor para empreendedorismo da U. Porto, tem plena convicção de que fórum vai ser um sucesso. FOTO: DR / U.Porto

Helder Vasconcelos, vice-reitor para empreendedorismo da U. Porto, tem plena convicção de que fórum vai ser um sucesso. FOTO: DR / U.Porto

No segundo dia, os participantes porão então à prova tanto aquilo que aprenderam, como a sua ideia inovadora, expondo “o seu modelo de negócio frente a investidores especializados”, explicou o vice-reitor.

Segundo Helder Vasconcelos, ainda não está exatamente definido quantos participantes sairão “vencedores” do Digital Health Venture Forum, mas “as melhores apresentações serão selecionadas para participar na European Venture Academy, que é um evento subsequente, que terá lugar em dezembro de 2019, e que é organizado também pela Tech Tour”.

Independentemente de quantos e quem forem os finalistas escolhidos, diz o o vice-reitor da U.Porto para o Empreendedorismo que todos os participantes sairão logo à partida a ganhar, dado tudo o que vão aprender e a rede de contactos privilegiados (networking) que estabelecerão durante o evento. “No fundo, todas as empresas participantes beneficiam da oportunidade de procurarem identificar investimento junto de entidades relevantes e integradas no ecossistema empreendedor europeu”, explicou.

“Além disso, as startups participantes terão oportunidade de escalar os seus negócios, dado o número muito significativo de investidores que estarão presentes no evento, bem assim como a experiência comprovada nesta área de todos eles”, avançou Helder Vasconcelos.

E depois, como salienta o responsável, “as sessões de pitching serão organizadas de acordo com as áreas de intervenção de cada startup (indicadas no processo de candidatura). Podemos, por isso, assumir que o evento é, de alguma forma, desenhado ‘à medida’ dos participantes, o que traz [ao mesmo] um elemento distintivo face a outros”.

Participantes selecionados anunciados no fim do mês

Tal como acontece quanto aos eventuais vencedores, também o número de vagas no evento – ou seja, quantas startups serão selecionadas para participar neste fórum de investimento – não está ainda decidido. Helder Vasconcelos adianta apenas que há 88 candidatos, 22 dos quais são portugueses, e que os selecionados “só serão conhecidos no final do mês”.

“As inscrições já terminaram, pelo que estamos agora na fase das avaliações. Um grupo de especialistas identificados pela Tech Tour está responsável por avaliar e selecionar as melhores candidaturas, que têm em conta, por exemplo, o potencial inovador da ideia de negócio”, explicou o vice-reitor.

“No processo de transferência de tecnologia gerada dentro das universidades para o mundo real, um dos principais constrangimentos que as empresas enfrentam é o acesso ao investimento.”

O facto de ser esta a primeira vez que um evento ligado à área da saúde digital ocorre em Portugal, explica o grande interesse demonstrado. Segundo o responsável da U. Porto, “o primeiro Digital Health Venture Forum decorreu em 2015, em Aarhus, na Dinamarca. Todos os anos existem pelo menos dois a quatro eventos nesta área, ainda que com nomes e focos diferentes. A U. Porto conseguiu trazer o evento a Portugal graças aos contactos que foram estabelecidos no decorrer de 2018, tendo como um ponto fulcral o evento Smart Capital 2018, que decorreu também no Porto e que juntou inventores, gestores de topo ligados ao capital de risco e investidores”.

William Stevens, líder da Tech Tour, discursa num dos fóruns organizados pela empresa que lidera, ocorrido em Maastricht, em 2018. Foto: DR / Tech Tour

William Stevens, líder da Tech Tour, discursa num dos fóruns organizados pela empresa que lidera, ocorrido em Maastricht, em 2018. Foto: DR / Tech Tour

Na realização do Digital Health Venture Forum, Helder Vasconcelos sublinha o importante apoio do Santander Universidades. “O Santander é uma entidade que está muito sensibilizada para a importância de contribuir para a valorização económica do conhecimento que é gerado dentro das universidades”, afirmou o vice-reitor. E depois, “tem uma rede de parceiros e um ecossistema de entidades à sua volta que coloca também à nossa disposição”. Facto que leva o responsável a afiançar: “Este evento tem todos os ingredientes necessários para ser um sucesso, contando obviamente com o apoio do Santander, que nos tem auxiliado imenso nestes domínios”.

Após esta edição inaugural em Portugal e no Porto, importa agora saber se o Digital Health Venture Forum regressará. “Se se repetirá ou não dependerá da avaliação ex post que faremos conjuntamente com a Tech Tour. Em todo o caso, estou confiante que, numa altura em que a cidade vive e ‘respira’ o espírito empreendedor e inovador, este evento pode ajudar a posicionar a cidade do Porto como um hub relevante para investimentos nesta área”, avançou Helder Vasconcelos.

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