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Há 210 Bolsas Santander prontas a levar alunos a estudar lá fora

A U.Porto foi das primeiras escolas superiores a lançar este ano o programa de Bolsas de Mobilidade Santander. As candidaturas terminaram esta sexta-feira. FOTO: Igor Martins / Global Imagens
A U.Porto foi das primeiras escolas superiores a lançar este ano o programa de Bolsas de Mobilidade Santander. As candidaturas terminaram esta sexta-feira. FOTO: Igor Martins / Global Imagens

Na U.Porto as candidaturas terminam esta sexta-feira, dia 3, mas há mais 31 universidades onde o processo ainda corre ou vai abrir.

Estudantes, professores e investigadores do ensino superior – todos podem beneficiar das 210 Bolsas de Mobilidade Santander, cujo prazo de candidatura está já em curso (desde o início de abril) ou abrirá ao longo do ano letivo de 2019. A iniciativa abrange 32 universidades e institutos politécnicos em Portugal que, em 10 anos de existência no país, já levou 2.000 alunos a estudar em instituições do mundo ibero-americano. Quer a diretora do Santander Universidades, quer os bolseiros da edição de 2018, são unânimes no elogio desta iniciativa, que este ano traz uma inovação: além dos habituais critérios de atribuição, como o mérito académico, as Bolsas de Mobilidade Santander vão ter em atenção as possibilidades económicas do candidato.

“Este ano quisemos promover a introdução de um critério de seleção baseado na condição socioeconómica das famílias dos candidatos a bolseiros”, disse Cristina Dias Neves, diretora do Santander Universidades, programa que trouxe para o nosso país esta iniciativa. “Se até à data a regra era irem neste tipo de programas os melhores alunos, porque tipicamente é este o critério que se utiliza neste tipo de bolsas, daqui para a frente queremos que saiam não só os melhores em termos académicos, mas os melhores considerando o seu ponto de partida, nomeadamente as condições em que acederam ao, e que estudam no, ensino superior”, completou. “Acreditamos que estamos a ser mais justos e equitativos se contribuirmos para que a avaliação das candidaturas seja feita desta forma”, rematou a responsável.

As Bolsas de Mobilidade Santander abriram candidaturas pela primeira vez em Portugal em 2008, data que faz da edição em curso a 11ª. “O programa existe há 10 anos e o balanço é claramente positivo”, avaliou a responsável do Santander Universidades. “Neste período, o Santander apoiou cerca de 2.000 estudantes a sair em mobilidade, nomeadamente para o Brasil e restante América Latina”, avançou.

No sentido inverso, as instituições portuguesas parceiras do Santander Universidades também têm recebido, graças às Bolsas de Mobilidade, um número considerável de alunos: diz Cristina Dias Neves que, só do Brasil, vêm todos os anos 500 estudantes e, dos restantes países de expressão espanhola, cerca de 200 – presumivelmente, aqueles que se afoitam a tentar outro idioma que não o espanhol.

Cristina Dias Neves, presidente do Santander Universidades, faz balanço positivo das Bolsas de Mobilidade Santander. FOTO: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

Cristina Dias Neves, diretora do Santander Universidades, faz balanço positivo das Bolsas de Mobilidade Santander. FOTO: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

“Ou seja, [esta iniciativa] não só tem impacto nos alunos, que têm uma experiência singular, como também na internacionalização do ensino superior português que, desta forma, promove os seus programas em mercados com grande potencial”, sublinhou a diretora do Santander Universidades.

À escolha dos candidatos de 32 escolas superiores portuguesas (veja quais na lista ao fundo) estão instituições do ensino superior de 10 países onde está presente o Grupo Santander: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru, Portugal, Porto Rico e Uruguai.

“O objetivo é permitir aos estudantes desenvolver competências, nomeadamente, as ditas competências sociais e extracurriculares e, por outro lado, contribuir para que alarguem os horizontes a todos os níveis”, afirmou Cristina Dias Neves. “Acreditamos que este tipo de experiências são tão ou mais importantes para o seu desenvolvimento pessoal e profissional do que as puramente académicas”, concluiu.

O Dinheiro Vivo foi conhecer a experiência de quatro estudantes da Universidade do Porto – a primeira a lançar a edição de 2019 das Bolsas de Mobilidade Santander, cujas candidaturas fecharam esta sexta-feira, 3 de maio – que foram bolseiros em 2018 e estiveram em países diferentes. Todos admitem ter saído a ganhar com esta oportunidade.

Pedro Silvestre, 21 anos, 4º ano, Engenharia Mecânica, FEUP

“A Bolsa Santander deu-me uma grande oportunidade”, afirmou de imediato Pedro Silvestre, que entre agosto e dezembro de 2018 esteve a estudar no Instituto Tecnológico de Buenos Aires, na Argentina. Explicando que lá o ensino “é muito diferente”, desde a metodologia das aulas à avaliação, o futuro engenheiro acrescentou: “O curso segue o modelo dos EUA, tem uma componente prática mais forte e não é tão específico – eu tive, por exemplo, cadeiras de Gestão e de [Engenharia] Industrial e isso enriqueceu-me muito e até me fez pensar noutras perspetivas para o meu futuro”.

Classificando esta última vertente como, “sem dúvida uma das melhores partes” da sua Bolsa de Mobilidade, Pedro Silvestre contou como foi buscar novas competências. “Tive a sensibilidade de escolher algumas áreas – como a produção ou a gestão – que, à partida, já tinha o bichinho de querer desenvolver. E então o que aconteceu foi que eu desenvolvi essas competências lá fora e agora a verdade é que consigo aplicar isso cá e é muito positivo.”

Com “aplicar” quer o jovem estudante dizer que já faz parte de uma empresa que quase ajudou a fundar, ou seja, onde está praticamente desde o início. “Estou a trabalhar no departamento de operações, estou a dirigir esse departamento, e é uma empresa de recondicionamento de telemóveis semi-novos, que se chama ForAll Phones”, disse Pedro Silvestre.

Pedro Silvestre, na Rainbow Mountain, Peru, durante uma interrupção letiva, na Argentina. FOTO: D.R./P.Silvestre

Pedro Silvestre, na Rainbow Mountain, Peru, durante uma interrupção letiva, na Argentina. FOTO: D.R./P.Silvestre

Além das competências académicas e profissionais há outro fator da Bolsa de Mobilidade que o estudante da FEUP muito valoriza: o ambiente internacional. “Eu estava numa faculdade em que mais de 20% dos alunos eram estudantes de fora, não da Argentina, e muitos deles até de fora da Europa (pessoal da Ásia, da América do Norte, da América Central, de África) e isso também foi super-enriquecedor do ponto de vista pessoal e cultural”, concluiu Pedro Silvestre. Enriquecimento pessoal que passou também pelas viagens que conseguiu fazer pelo meio do estudo e que incluíram conhecer a Patagónia e o Peru.

Carolina Cunha, 21 anos, 4º ano, Engenharia Mecânica, FEUP

Carolina Cunha, no Uruguai, provando a mais emblemática bebida uruguaia: o chá mate. FOTO: D.R./C.Cunha

Carolina Cunha, no Uruguai, provando a mais emblemática bebida uruguaia: o chá mate. FOTO: D.R./C.Cunha

“Esta bolsa foi muito importante para mim”, disse Carolina Cunha, que optou pelo Uruguai como país-destino da sua Bolsa de Mobilidade Santander e passou o último semestre de 2018 a estudar na Universidade de la República, em Montevideu. “O Uruguai era um país bastante caro – em alguns aspetos bastante mais caro que Portugal – e a bolsa representou uma ajuda financeira muito grande: até porque fiz todo o programa académico e, no final, tive a oportunidade de fazer uma viagem.”

Do ponto de vista dos conhecimentos adquiridos, diz a bolseira da FEUP que a experiência foi “muito vantajosa” porque o “estudo foi muito enriquecedor”. “Permitiu-me aprender vários conceitos, nomeadamente pelo contacto que tive com máquinas e aparelhos que nunca iria ter aqui em Portugal”, revelou Carolina Cunha. “O curso lá no Uruguai é muito mais prático”, rematou.

Mas as competências adquiridas não se ficaram por aqui, frisa a bolseira. “Não digo que tenha obtido maioritariamente conhecimentos relacionados com a Engenharia Mecânica, foram também conhecimentos para a vida, digamos assim. E tive a possibilidade de aprender uma nova língua, que foi o espanhol, e foi muito benéfica”, avançou.

Afonso Marques, 21 anos, 4º ano, Belas Artes, U.Porto

“Uma bolsa é sempre uma mais-valia. Sem a Bolsa Santander não teria ido para o Brasil, porque os voos são caríssimos e depois ainda ia gastar lá dinheiro em alojamento”, confessou Afonso Marques. O finalista da Faculdade de Belas Artes da U.Porto fez o semestre passado na Universidade de Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, no Brasil.

Afonso Marques contou que na universidade brasileira experienciou um sistema de ensino, não exatamente diferente, mas mais dinâmico, com métodos diferentes nas aulas. “Tal como cá, nós temos um mês para fazer um trabalho, mas lá, ao longo dessas quatro semanas, vão-nos dando trabalhos mais pequenos que vão complementar o projeto final”, descreveu o bolseiro.

Afonso Marques "levou" a Universidade do Porto até ao Brasil e às Cataratas do Iguaçu com a sua Bolsa de Mobilidade. FOTO: D.R./A.Marques

Afonso Marques “levou” a Universidade do Porto até ao Brasil e às Cataratas do Iguaçu com a sua Bolsa de Mobilidade. FOTO: D.R./A.Marques

Em termos académicos, a meta que lhe propuseram foi desenvolver um projeto, com um tema pré-definido, mas cujo desenvolvimento ficava ao critério dos alunos. “O tema que eles nos tinham dado era nutrição e alimentação. Nós decidimos fazer uma aplicação de controlo de categorias, em que tivemos de falar com um nutricionista, e desenvolver todo o design e funcionalidades da aplicação”, relatou Afonso Marques.

“As técnicas que aprendi foram inovadoras, porque aqui na Faculdade de Belas Artes, até hoje só tive uma disciplina chamada design e que foi 100% criação de websites. Aplicações, nunca tinha feito e tive de experimentar programas novos. Foi bom conhecer esse campo, com o qual nunca tinha tido contacto”, disse.

Na vertente pessoal, diz Afonso Marques que o melhor de tudo foi que conheceu muita gente nova: brasileiros, chilenos, espanhóis, argentinos… “Fiz a amigos nos quatro cantos do mundo, contactos que me vão servir para o futuro”, garantiu. Mas Afonso Marques confessou mais ainda: “Fiquei apaixonado pelo sítio onde estive, que foi Florianópolis, e quero lá voltar um dia, talvez lá viver – fiquei a conhecer lá muita gente e fiquei com o bichinho da internacionalização profissional”.

Jaime Teixeira, 21 anos, 4º ano, Engenharia Mecânica, FEUP

O quarto estudante contactado é também um futuro engenheiro mecânico que trocou, no semestre passado, a Universidade do Porto pela do Chile, graças à Bolsa de Mobilidade Santander que conquistou por mérito académico. Afinal foi ele o candidato àquele país-destino com a média mais elevada.

“Esta bolsa trouxe-me alguma ajuda nos encargos que tive lá, porque apesar de ser na América do Sul não é tão barato como os restantes países – não cobriu a totalidade dos custos, mas foi uma ajuda bastante grande”, explicou Jaime Teixeira.

Esta bolsa trouxe-me alguma ajuda nos encargos que tive lá, (…), não cobriu a totalidade dos custos, mas foi uma ajuda bastante grande”

“Eu queria um sítio que fosse um bocado mais longe, porque, por exemplo, dentro da Europa será sempre mais fácil viajar num curto espaço de tempo”, contou o bolseiro, explicando o seu raciocínio no momento da candidatura. “Portanto já estava com a ideia de ir para um sítio da América do Sul. Depois, quando comecei a pesquisar faculdades dentro da América do Sul e dos países que me interessavam, esta faculdade estava bastante bem posicionada e a Universidade do Chile tem renome mundial, então candidatei-me para lá.”

Em termos académicos, diz Jaime Teixeira que teve contacto com um tipo de ensino diferente e, em termos sociais, “com alunos com uma mentalidade muito diferente, também”. A Bolsa Santander permitiu-lhe ainda um certo investimento cultural: “Fui para lá mais cedo, aproveitei para viajar um bocado, e depois voltei mais tarde, portanto, no total fiquei cerca de seis meses, mas só estive em aulas meses e meio”, contou.

Todos os anos, o programa Santander Universidades oferece mais de duas centenas de Bolsas de Mobilidade às universidades suas parceiras. E estas juntam-se outras modalidades que visam também estudantes, docentes e investigadores. Em comunicado, diz o banco que “a concessão de bolsas e a mobilidade internacional são dois eixos importantes do apoio do Santander ao Ensino Superior”.

Nos últimos 13 anos, o Santander atribuiu mais de 350 mil bolsas através dos diversos programas universitários que foi tendo em curso. Um investimento nas gerações futuras que já ultrapassou os 1.700 milhões de euros, de acordo com as contas divulgadas pelo banco.

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Instituições participantes no programa de Bolsas de Mobilidade Santander em Portugal:

  • Instituto Universitário Egas Moniz
    Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
    Escola Superior de Enfermagem de St. Maria
    Escola Superior de Enfermagem do Porto
    Instituto Politécnico da Guarda
    Instituto Politécnico de Castelo Branco
    Instituto Politécnico de Coimbra
    Instituto Politécnico de Setúbal
    Instituto Politécnico de Tomar
    Instituto Politécnico do Porto
    Instituto Politécnico do Cávado e do Ave
    Instituto Universitário da Maia – ISMAI
    Instituto Superior Politécnico Gaya
    U. Nova – FCM
    U. Nova – IMS
    U. Nova – Reitoria
    U. Nova – SBE
    UL – Faculdade de Motricidade Humana
    UL – Instituto Superior Técnico
    UL – ISCTE
    UL – Instituto Superior de Agronomia
    Universidade Autónoma de Lisboa
    Universidade da Beira Interior
    Universidade da Madeira
    Universidade de Aveiro
    Universidade de Coimbra
    Universidade de Évora
    Universidade do Porto
    Universidade dos Açores
    Universidade Europeia
    Universidade Lusíada
    UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
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