Solidariedade

Prémio de Voluntariado Universitário 2019 lançado com workshop na U. Porto

"O Meu Lugar no Mundo", projeto da U. Porto que visa abrir horizontes a crianças de meios vulneráveis, recebeu um dos PVU 2018. FOTO: D.R. / O Meu Lugar no Mundo
"O Meu Lugar no Mundo", projeto da U. Porto que visa abrir horizontes a crianças de meios vulneráveis, recebeu um dos PVU 2018. FOTO: D.R. / O Meu Lugar no Mundo

Coimbra recebe no dia 30 a campanha de divulgação dos troféus Santander que, este ano, irão distribuir 20 mil euros, o dobro do valor de 2018

A edição de 2019 dos Prémios de Voluntariado Universitário, iniciativa criada há 4 anos pelo Santander Universidades para premiar os projetos solidários dos estudantes do ensino superior, foi lançada esta quarta-feira, 15 de maio, com recurso a uma estratégia inédita. Um Workshop de Inovação Social, que decorreu na Federação Académica da U.Porto, junto à Torre dos Clérigos, na Invicta, e partilhou casos de sucesso de empreendedorismo social, explicando também como criar um projeto social desde o início. Os dinamizadores ficaram satisfeitos com a adesão dos alunos, que este ano contam com um incentivo adicional: o Santander duplicou para 20 mil euros o montante a distribuir pelos vencedores. A campanha tem agora as próximas paragens agendadas para Coimbra, no dia 30, e Lisboa, no início de junho.

Serão apenas três os projetos que no final se sagrarão campeões do Prémio de Voluntariado Universitário (PVU) 2019, que este ano arrecadarão um montante de 4.000 euros (e já não os 3.000 de 2018) cada um, para empregarem na sua atividade de solidariedade social – além da mentoria dada por especialistas em negócios do Banco Santander.

A par dos prémios principais, mantém-se o PVU Comunicação, para o projeto com o melhor vídeo de candidatura, e – outra das novidades desta 4.ª edição dos PVU – sete menções honrosas, que são acompanhados pelo valor pecuniário de 1.000 euros cada um.

O inédito Workshop de Inovação Social começou pela U. Porto, a recordista dos PVU 2018 (com 17 candidaturas), e teve uma boa adesão por parte dos estudantes: não apenas compareceram, como já levavam consigo ideias sobre como resolver certos problemas sociais.

A iniciativa “correu muito bem”, assegurou Catarina Neves, dinamizadora do workshop e especialista em gestão de organizações sem fins lucrativos e responsabilidade social. A responsável confessou ter temido que a adesão pudesse ser baixa, por ser a uma semana após a queima das fitas na Universidade do Porto e já praticamente em altura de férias, mas “houve muitos alunos que vieram, muitos interessados”, disse.

A diversidade dos participantes foi outro dos aspetos que deixou Catarina Neves muito satisfeita. “Existiam alunos de licenciatura, de mestrado e até doutorandos, de áreas como Química, Economia, Medicina ou Direito”, contou. “Portanto, foi super-interessante ter perfis tão diferentes numa mesma sala a discutir esta temática e, mais do que isso, perceber que não eram apenas curiosos, eram alunos que já tinham algumas ideias que gostariam de poder implementar e que o workshop ajudou a pensar se seriam viáveis ou não e, caso eles quisessem implementá-las, o que é que poderiam fazer de início.”

O projeto Aldeia Feliz, da Universidade do Minho, foi um dos finalistas dos PVU 2018. Estudantes de Medicina fazem o acompanhamento das condições de vida e saúde dos idosos e referenciam situações de risco. Foto: D.R. / Aldeia Feliz

O projeto Aldeia Feliz, da Universidade do Minho, foi um dos finalistas dos PVU 2018. Estudantes de Medicina fazem o acompanhamento das condições de vida e saúde dos idosos e referenciam situações de risco. Foto: D.R. / Aldeia Feliz

Segundo a responsável, durante o workshop, além de uma explicação rápida sobre a gestão de projetos sociais, com enfoque na caracterização do que é o terceiro setor, a inovação social e o empreendedorismo social, foram apresentados alguns exemplos de casos práticos (best practices) na área de projetos sociais em Portugal, bem como algumas dicas “para que os participantes pudessem aprender a construir e identificar projetos sociais”.

Para tal, o workshop, dinamizado pela empresa Sair da Casca, contou com a presença de um professor da Universidade do Porto da área do empreendedorismo e da inovação e com responsáveis de algumas entidades de ação social, além da própria Catarina Neves.

O workshop “consistiu, essencialmente, em partilhar com os alunos alguns casos de sucesso da economia social e de negócios sociais, de empreendedores sociais, e partilhar também com eles o que será criar um projeto social desde o início: definir o problema social, construir uma solução e perceber que desafios é que os empreendedores sociais por enfrentam quando dinamizam algumas destas soluções”, explicou a especialista.

Sensibilizar para a inovação e empreendedorismo social

Vital, para Catarina Neves, é conseguir sensibilizar os estudantes, futuros atores do mercado de trabalho, para a importância da inovação social e do empreendedorismo social como resposta a problemas sociais. E, para isso, é preciso definir e esclarecer estes conceitos.

“A inovação social é um movimento organizado por vários atores com o objetivo de enfrentar desafios sociais quando o mercado e o setor público não conseguem responder de uma forma adequada e sustentável”, lê-se num dos slides projetados por Catarina Neves durante a sua exposição. Para tal, “procura desenvolver formas inovadoras de organizações e interações entre os vários setores (público, privado e social) e contribuir para uma remodelação da sociedade”, conclui.

[Os PVU são] uma forma de credibilizar os projetos dos alunos: eles veem que existe uma entidade que tem experiência e que conhece o setor, que reconhece o trabalho que estão a desenvolver no terreno e que lhes diz que as ideias que têm são válidas”

Já o “empreendedorismo social é uma atividade com o objetivo de resolver um problema social usando os princípios do empreendedorismo para a maximização do retorno (social), a apetência e a gestão dos diversos riscos (financeiros, psicológicos, etc.) para atingir um objetivo social”.

Diz a responsável que, “neste caso, o Santander Universidades e, em particular, o Prémio de Voluntariado Universitário, acaba por ter esse papel de sensibilizar para a importância do voluntariado”. Aliás, Catarina Neves afirma que o PVU vai até um pouco mais longe, “quando diz aos estudantes: ‘para além de serem voluntários, vocês podem ser empreendedores sociais e podem pensar em problemas que gostariam de resolver’”.

Há, portanto, na sua perspetiva, um efeito de contágio tanto do PVU como do próprio workshop: “Os alunos que tomarem contacto com os vencedores de anos anteriores e com a forma como os projetos que já existem aconteceram, acabam por criar um bichinho de contágio (a palavra é mesmo essa) para eles próprios perceberem que pode ser uma via, para quando saírem da universidade, tornarem-se empreendedores sociais e contribuírem para a solução dos problemas da sociedade”.

Começar de “pequenino”

Sensibilizar bem cedo os portugueses para estas questões é, para Catarina Neves, “importantíssimo”, sobretudo porque “as taxas de voluntariado, em Portugal, ainda são das mais baixas no contexto europeu”, garante. “Os alunos são cidadãos e vão ser trabalhadores dentro de pouco tempo”, sublinhou, e é agora o momento certo para os alertar “para a importância de participarem ativamente na sociedade civil, como voluntários ou de outra forma, (…), para que assim que comecem a trabalhar já tenham uma espécie de rotina de voluntariado e continuem, ao longo da vida, a ser voluntários e a apoiar as entidades de economia social”.

António Sousa Pereira, reito da Universidade do Porto, após a cerimónia de entrega dos PVU 2018, segurando o troféu de IES +Solidária conquista pela instituição que dirige. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, após a cerimónia de entrega dos PVU 2018, segurando o troféu de IES +Solidária conquistado pela instituição que dirige. FOTO: Leonardo Negrão / Global Imagens

Para finalizar, Catarina Neves sublinhou que os Prémios de Voluntariado Universitário dão uma forte contribuição para o despertar do voluntariado nos jovens estudantes, “não só pelos workshops, mas também pela mentoria que depois fornecem aos vencedores e pelo apoio financeiro, também.

Para a especialista, os PVU são “uma forma de credibilizar os projetos dos alunos: eles veem que existe uma entidade que tem experiência e que conhece o setor, que reconhece o trabalho que estão a desenvolver no terreno e que lhes diz que as ideias que têm são válidas e que, eventualmente, podem ter pés para andar e merecem ser apoiadas. (…) É uma forma de ficarem sensibilizados para este setor, para os seus desafios e para perceber como podem ajudar, enquanto trabalhadores e enquanto cidadãos do futuro”.

O prazo de candidaturas da 4.ª edição dos Prémios de Voluntariado Universitários ainda não abriu – está previsto para finais do verão, pelo que os interessados deverão estar atentos -, mas decorrerá inteiramente online, no site dedicado aos Prémios de Voluntariado Universitário, como já vem sendo hábito. A condizer com a vertente inovadora destes troféus Santander, também a forma de concorrer é típica deste século XXI: os responsáveis terão de apresentar um vídeo

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