Tecnologia digital

Mestres dos efeitos especiais partilharam o que sabem com alunos do IPCA

Cristian Chihaia, diretor artístico da Ubisoft, fala de algumas das técnicas usadas no videojogo Assassin's Creed Odyssey. FOTO: D.R. / IPCA
Cristian Chihaia, diretor artístico da Ubisoft, fala de algumas das técnicas usadas no videojogo Assassin's Creed Odyssey. FOTO: D.R. / IPCA

A GameDev Week trouxe a Barcelos criadores de estúdios de topo, que assinaram efeitos no Assassin's Creed ou no Game of Thrones, e também recrutadores

Vai só na sua 2.ª edição, mas a GameDev Week, este ano realizada entre 30 de maio e 1 de junho, em Barcelos, já se tornou num dos maiores eventos de videojogos e conteúdos digitais do país e da Europa. A afirmação parte de Duarte Duque, professor e um dos responsáveis pela organização do evento, que fez um balanço muito positivo da edição de 2019. Da iniciativa do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), realizado com o apoio do Santander Universidades, a par de outras instituições, o evento trouxe a Portugal não apenas alguns dos grandes mestres dos efeitos especiais, como também recrutadores, que estão de olho naquilo que os alunos do IPCA são capazes de fazer.

Para a maioria das pessoas, ouvir falar em Pixomondo, Ubisoft ou Lucasfilm pode não significar grande coisa (bem, talvez a última traga uns quantos ecos à memória). Mas se, em vez disso, se referir a Guerra dos Tronos, a Liga da Justiça, o Assassin’s Creed ou o Star Wars, já tudo fica mais claro. É que, por trás de todos aqueles efeitos especiais que tornam estas séries, filmes e videojogos tão majestosos, que nos deixam maravilhados e rendidos, estão estas e outras empresas suas congéneres. E foram alguns dos seus responsáveis que, durante três dias, partilharam os segredos do seu ofício com quem participou na GameDev Week do IPCA.

“Este ano foi a nossa 2.ª edição e foi melhor a todos os níveis, quer em termos de participantes, quer também de oradores”, afirmou Duarte Duque, professor do IPCA e diretor do Curso de Engenharia em Desenvolvimento de Jogos Digitais do mesmo instituto. “Conseguimos chegar a um conjunto de empresas ainda de maior dimensão – no total, estiveram envolvidas nesta edição da GameDev Week cerca de 150 pessoas, entre oradores e participantes”, concluiu.

Duarte Duque, que foi um dos responsáveis pela organização da GameDev Week do IPCA, afirma que todos os objetivos do vento foram cumpridos. FOTO: D.R. / IPCA

Duarte Duque, que foi um dos responsáveis pela organização da GameDev Week do IPCA, afirma que todos os objetivos do vento foram cumpridos. FOTO: D.R. / IPCA

O professor, que foi também um dos responsáveis pela organização da GameDev Week, frisou que no evento estiveram presentes 17 empresas de topo, nacionais e estrangeiras, que não apenas trouxeram oradores, como também recrutadores. Um fator que Duarte Duque considera importantíssimo, porque um dos objetivos do evento sempre foi, desde o início, confessou dar aos alunos do IPCA acesso a estes profissionais para que pudessem mostrar os seus currículos e os portefólios com as suas criações.

“E conseguindo-se trazê-los cá [estes responsáveis e recrutadores], fazer com que eles vejam que existe talento em Portugal, há a possibilidade de nós levarmos estas pessoas para fora, para estas empresas, para que vejam outras formas de trabalhar, consigam fazer a sua rede de contactos e depois venham trabalhar para Portugal, trazendo trabalho para cá, em grandes produções, como já tem acontecido”, explicou.

Em palestras e workshops, que iam decorrendo em paralelo, falou-se sobre (e ensinou-se) a arte de criar personagens e cenários digitais, complexas técnicas 3D e de realidade virtual e tecnologias inéditas criadas especificamente porque certos jogos e filmes a isso obrigaram.

“Eles próprios [os criadores participantes] criam muitas tecnologias que são usadas pela primeira vez nalguns jogos e filmes e que, só depois, ficam disponíveis à comunidade. Ver como eles trabalham determinados efeitos especiais, como é que criam a arte, é algo muito inspirador, para os nossos estudantes e até para profissionais de outras empresas.”

E Duarte Duque avançou um exemplo: “Esteve cá o Jama Jurabaev, que fez alguns trabalhos para a Lucasfilms” – nomeadamente, efeitos para o Mundo Jurássico: Reino Caído e para Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald –, “que desenvolveu uma técnica que faz a modelação de personagens usando a realidade virtual. É uma coisa absolutamente extraordinária, sendo que oradores de outros grandes estúdios ficaram admirados com esta capacidade e com esta tecnologia”.

São empresas de topo e que também ficaram muito admiradas com o trabalho que se faz aqui [no IPCA] e muito interessadas em poder voltar [à GameDev Week]. É por isso, uma aposta ganha: estas empresas gostaram de vir cá.”

Esta é, aliás, uma das mais-valias da GameDev Week que Duarte Duque salienta. “Além das estrangeiras, há também empresas portuguesas que nós selecionamos e convidamos como oradoras, portanto, elas têm também oportunidade de mostrar aquilo que de melhor fazem e as suas capacidades e, com isso, podem estabelecer contactos com estes grandes estúdios”, disse. “Para além disso, todos os participantes, mesmo pessoas que tenham ou que sejam de empresas desta área e que estejam apenas a assistir, têm a oportunidade de entrar em contacto com estes estúdios e também tentarem aqui estabelecer parcerias, que é algo muito importante”.

No entender deste responsável, a GameDev Week cumpriu a sua missão. “Este evento pretende interligar a comunidade académica com a indústria, e a indústria nacional com a indústria internacional. Queremos fazer todas estas pontes – estão cumpridos os objetivos a que nos propusemos”, disse.

Na GameDev Week participaram alunos de vários cursos do IPCA e de outras instituições, mas também profissionais nacionais e estrangeiros da área da tecnologia digital. FoTO: D.R. / IPCA

Na GameDev Week participaram alunos de vários cursos do IPCA e de outras instituições, mas também profissionais nacionais e estrangeiros da área da tecnologia digital. FOTO: D.R. / IPCA

Quanto aos alunos, Duarte Duque contou que, na 1.ª edição da GameDev Week, os jovens tinham demonstrado grande pudor de abordar os responsáveis de “empresas que estão na vanguarda da tecnologia digital”. Este ano, no entanto – e após muitos meses de evangelização do IPCA para lhes fazer ver que se trata de pessoas acessíveis, que foram ali para isso mesmo e que é por isso que trazem recrutadores –, já a interação foi muito grande. “Os alunos já se prepararam com os seus currículos, com os seus portefólios e achamos que num futuro próximo poderá vir a ser possível” ter alunos do IPCA nestas grandes empresas.

Mesmo a nível de estudos, a GameDev Week tem capacidade para abrir portas e criar parcerias. “Tivemos o caso da Nord University, da Noruega, que, como eles também têm uma oferta na área educativa dos videojogos, estiveram cá para tentar alinhar um protocolo de entendimento, para que tenhamos alunos nossos a frequentar o curso que eles oferecem e vice-versa”. Para já, as duas instituições estão a alinhar currículos, refere.

No final, mesmo as empresas oradoras saíram satisfeitas da GameDev Week e do que viram no IPCA. “Temos um feedback muito positivo de empresas como a Ubisoft – o diretor artístico, Cristian Chihaia, já é a segunda vez que vem cá. Ele gostou bastante da 1.ª edição e veio cá porque é uma pessoa que tem muito para dar, muito conhecimento para transmitir. É uma pessoa bastante acessível, que dá o seu input também aos alunos”, contou Duarte Duque.

O Assassin's Creed, neste caso o Odyssey, da Ubisoft, foi apenas um cujos efeitos especiais e a forma como são feitos foram referidos ao longo dos três dias Da GameDev Week do IPCA, em Barcelos. FOTO: D.R. / Ubisoft

O Assassin’s Creed, neste caso o Odyssey, da Ubisoft, foi apenas um cujos efeitos especiais e a forma como são feitos foram referidos ao longo dos três dias da GameDev Week do IPCA, em Barcelos. FOTO: D.R. / Ubisoft

“Tivemos empresas como a Framestore, que trabalha em filmes da Marvel, como por exemplo o Homem-Aranha, ou em filmes como o Hora mais Negra e o Blade Runner 2049, também com experiências imersivas da realidade virtual. Portanto, são empresas de topo e que também ficaram admiradas com o trabalho que se faz aqui e muito interessadas em poder voltar. É, por isso, uma aposta ganha: estas empresas gostaram de vir cá”, assegurou o responsável.

“E, apesar de ser feito em Barcelos, a GameDev Week acaba por ser, dentro desta área, uma dos maiores eventos a nível nacional e europeu”, concluiu Duarte Duque.

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