EIA 2019

“O que faz mudar o mundo é o conhecimento, saber mais e melhor”

Coube ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fazer a inauguração oficial da 3ª edição da EIA, a aceleradora de ideias digitais universitárias, que estará no Estoril até dia 2 de agosto. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens
Coube ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fazer a inauguração oficial da 3ª edição da EIA, a aceleradora de ideias digitais universitárias, que estará no Estoril até dia 2 de agosto. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens

Marcelo Rebelo de Sousa falou de improviso, encantou a plateia e acabou com uma ovação e com ele próprio a bater palmas aos 500 estudantes na EIA

O Presidente da República foi das figuras que maior impacto teve na inaugurações oficial da European Innovation Academy 2019 (EIA), a maior aceleradora de negócios digitais da Europa, que decorreu esta segunda-feira, 15 de julho, no Centro de Congressos do Estoril. Perante meia centena de estudantes de todo o mundo, dezenas de mentores, empreendedores e académicos de prestigiadas universidades nacionais e estrangeiras, Marcelo Rebelo de Sousa falou do conhecimento e da curiosidade como motor de evolução – “O que faz mudar o mundo é o conhecimento, saber mais e melhor”, disse – e não resistiu a dar o exemplo histórico dos Descobrimentos.

De início instigada pelo apresentador, mas, no final, em genuína saudação às palavras por ele proferidas, Marcelo Rebelo de Sousa foi objeto de entusiásticas ovações de pé à chegada e saída da cerimónia de lançamento da EIA 2019. O Presidente da República Portuguesa foi também a única figura a despedir-se dos cerca de 500 estudantes presentes nesta Academia de Inovação, a quem apelidou de “génios” – por terem conseguido chegar até ali –, dirigindo-lhes um aplauso seu, o que deixou rendidos e eufóricos os jovens empreendedores.

Se o conhecimento é a força motriz da evolução no mundo, a curiosidade é o que leva ao conhecimento, garantiu Marcelo Rebelo de Sousa, durante o seu discurso. De seguida referiu o facto histórico de os portugueses terem sido os primeiros europeus a chegar à Índia, à China, ao Brasil e de terem sido líderes nos Descobrimentos.

O presidente da República à chegada ao Centro de Congressos do Estoril, para inaugurar a European Innovation Academy, acompanhado por Alar Kolk (à dta.), presidente da EIA, e por Pedro Castro e Almeida (ao centro), presidente do Santander Portugal, um dos parceiros do evento. FOTO: Vítor Machado / Santander Universidades

O presidente da República à chegada ao Centro de Congressos do Estoril, para inaugurar a European Innovation Academy, acompanhado por Alar Kolk (à dta.), presidente da EIA, e por Pedro Castro e Almeida (ao centro), presidente do Santander Portugal, um dos parceiros do evento. FOTO: Vítor Machado / Santander Universidades

“Porque o fizemos?” perguntou. “Porque, na altura, éramos os melhores em astronomia, na construção naval, na geografia; e quando não éramos os melhores, convidávamos os melhores a virem a Portugal”, disse o Presidente da República, sublinhando ser então irrelevante se esses especialistas eram muçulmanos, judeus, espanhóis ou italianos. E, por fim, concluiu: “Fizemo-lo porque tínhamos inovação – a ciência, a tecnologia. Foi, por isso, que alterámos o mundo: foi a primeira forma de globalização”.

A este propósito, e dirigindo-se aos 500 “génios” ali presentes, o Presidente da República afirmou que “é diferente ser génio sozinho ou cooperar com outros génios” e exortou o estudantes a aproveitarem ao máximo as diferentes perspetivas que a diversidade de género e de nacionalidades – mais de 90 – presentes na EIA proporcionam e as mais-valias daí provenientes. “O mundo pertence-vos: já não podemos conceber fronteiras”, disse, “muito menos para o conhecimento, a ciência e a tecnologia”.

A este propósito, Marcelo Rebelo de Sousa falou dos desafios das alterações climáticas – um dos que constam do elenco a que a EIA 2019 pretende dar resposta – e das migrações, que também não conhecem fronteiras e que, portanto, são um problema que todos temos de resolver e não apenas alguns. A propósito do primeiro, o Presidente da República fez um comentário que fez explodir a plateia a rir: “Eu sei que alguns dos meus amigos chefes de Estado e primeiros-ministros ainda duvidam que elas existam. Bom, isso é ou porque estão instrumentalizados ou porque são muito distraídos”.

Porque o fizemos, [os Descobrimentos]? (…) Fizemo-lo porque tínhamos inovação – a ciência, a tecnologia. Foi, por isso, que alterámos o mundo: foi a primeira forma de globalização”, Marcelo Rebelo de Sousa

Quanto ao problema da demografia, disse Marcelo que, com o Ocidente a ficar cada vez mais envelhecido, não pode dar-se ao luxo de fechar as portas as migrações, porque estas implicam renovação e juventude. Por outro lado, essas realidade socioeconómica – das pessoas que procuram uma vida melhor – vão afetar a vida de milhões de pessoas. Razão por que, disse o Presidente, os países não podem ser xenófobos e fechar as fronteiras só porque não querem a mudança: se o fizerem a sua sociedade vai morrer, afirmou.

“Não há inovação sem diálogo, sem tolerância, não há inovação sendo egocêntricos, se não se tiver a humildade suficiente para aceitar as ideias dos outros. E é difícil, às vezes, em momentos de crise não querer erigir muros e fecharmo-nos sobre nós próprios”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Após o seu discurso, o Presidente da República, ovacionado por uma plateia esgotada, aplaudiu os participantes na EIA 2019 que se propõe a encontrar soluções para os desafios que afetam o mundo. FOTO: Vítor Machado / Santander Universidades

Após o seu discurso, o Presidente da República, ovacionado por uma plateia esgotada, aplaudiu os participantes na EIA 2019 que se propõe a encontrar soluções para os desafios que afetam o mundo. FOTO: Vítor Machado / Santander Universidades

Fazendo ver aos presentes quão privilegiados são e que são “uma minoria da geração que representam”, quando há milhões e milhões de jovens sem acesso a educação ou sem meios para a ela aceder, disse o Presidente: “Por isso, devem compreender que aqueles que recebem mais do que os outros, têm de dar muito mais aos outros. (…) Têm o dever ético, moral e cívico de pensar desta forma: ‘Eu posso alterar o mundo, mas há milhares de pessoas da minha idade que não têm essa oportunidade'”.

Por esta razão, os jovens ali presentes devem estar “empenhados em mudar o mundo, em tirar o maior partido das suas oportunidades” disse Marcelo Rebelo de Sousa. E foi com um apelo que o Presidente se despediu: “Portanto, por favor, se vocês são mesmo os génios que me disseram que são, sejam esses génios, mas pensem naqueles génios que não têm meios para estar em Portugal durante três semanas, porque vocês vão estar a alterar o mundo também em por eles – por vocês próprios, mas também por eles”.

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